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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Voltar à vida na Páscoa é demasiado trendy

O Ofídio esteve abandonado porque não houve disposição para escrever da minha parte. Quando tudo parece carregado de futilidade, tanto nas críticas políticas como nos estados de alma, o mais certo é acabar por se assemelhar a um "repaspassar" dos mesmos assuntos vezes sem conta. O que me impedia de progredir, fosse lá em que direcção fosse. Ao contrário da blogopropaganda, este é um diário de bordo e o diário de bordo não foi actualizado porque a nave encontrava-se em parte incerta.
Durante o estado vegetativo da minha hibernação blogosférica, ainda tentei fazer vários arranques  por pura convicção de consciência. No entanto, a minha já afamada tendência para a procrastinação tomava sempre a melhor. Não porque eu quisesse que esta ganhasse ao meu descargo de consciência, mas sim por não saber como estava a minha alma. Quando não há vibração anímica, o espírito não flui. Não se podem travar batalhas quando o kata é imperfeito.

As estações passaram como vento e a rede Zuckerberg foi suficiente para os textos que no entretanto produzi sobre a espuma dos dias. Quando se começa a blogar, parece que tudo o que escrevemos é um tratado filosófico. Passado algum tempo, a publicação de posts passa a ser um vício. Todos querem escrever o post perfeito e pertencer à fina-flor da blogosfera, que por motivos óbvios é inatingível apenas pelo mérito. Por fim, reduz-se o círculo à meia-dúzia de conhecidos e fica-se grato pelos IP's que se enganaram na busca e vieram aqui parar ao acaso.
Ao fim de seis meses sem uma linha de facto, tempo suficiente para compreender a ansiedade da minha existência, eis que o blogue se renova, tal como a Primavera que nunca mais chega. Um meio-aniversário onde poderia ter escrito sobre as vindimas, o Sandy, a arte da katana, a época natalícia, o falecimento do Nagisa Oshima, a guerra psicológica no Mali ou os meteoritos na Rússia. Ainda vamos a tempo.

Imagem: "Animal Regulation Series" por Liu Di

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Delicatessen


Delicatessen é uma comédia negra francesa dos anos noventa acerca de um talhante que atrai pessoas para a sua loja através de ofertas de trabalho, para então aí as matar e vender a carne aos seus clientes. Vem isto a propósito da mediatização de Adriana Xavier, a rapariga que abraçou um polícia durante a manifestação de 15 de Setembro e que teve esse momento fotografado, publicado, partilhado e comentado até à exaustão, tornando-se o ícone desse dia.
Com a voragem a que os media nos habituaram, Adriana apareceu em televisões e jornais, culminando a sua ascensão mediática, por enquanto, nas fotos de glamour que tirou para a revista VIP, ou como dizia um amigo meu: "ela manifestou-se e conseguiu uma oportunidade de trabalho" naquilo que era um dos objectivos iniciais do protesto, para lá das reivindicações justas de querer lixar a Troika e do regresso das vidas aos seus legítimos proprietários.
Isto não é uma sociedade. Isto é o consumo de corpos de uma forma dir-se-ia quase vampiresca. Quem pensou que isto era um texto sobre política deve-se ter enganado, uma vez que de facto isto é um texto sobre culinária.

A Direita dos blogues viu no gesto da rapariga uma premeditação oportunista, uma vez que estão habituados à agiotagem dos mercados de capitais e aos esquemas de pirâmide, onde cada um tenta intrujar o próximo e o trust negocial e as "acções" desinteressadas simplesmente não existem. A Direita que defende a barricada da situação, por razões mesquinhas que não interessa estar aqui a elaborar, tem todo o interesse em amesquinhar este fenómeno mediático.
A Esquerda por seu lado, comoveu-se com a beleza do gesto, como prova inequívoca da esperança que nunca perdeu na humanidade, de como a oposição pode ser feita com elegância e de como a revolução pode ser feita com flores, um fetiche que nunca a abandonou e que se encontra fortemente inspirado no imaginário das manifestações anti-Vietname dos anos sessenta.
No meio disto tudo está Adriana, a mulher, a desempregada. A realidade nem sempre soa tão tão bem como nós gostaríamos, mesmo que seja tão bonita como o coração humano. Aliás, para um talhante, um coração é algo que está somente à distância de um cutelo.

Imagem: José Manuel Ribeiro/REUTERS

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O contexto americano


Mas qual contexto americano? Todos os presidentes americanos trabalham para o mesmo fim, que é o de enganar as massas. O que me faz confusão é saber que os autores do Arrastão ainda acreditam no embuste que é o Obama. Se o exército americano já não está no Iraque é porque já lá estão os contratados da Blackwater Security, que é um exército privado e que devem rondar os 7000 efectivos, e que asseguram "green zones" para que os homens de negócios possam continuar a explorar aquele país. Mas a esses é mais fácil fechar os olhos. Se o exército americano já não está no Iraque é porque ele é necessário no Afeganistão, no Norte do Paquistão e nas Filipinas. Fora as guerras por proxy no Chad e no Mali, no Sudão, na Somália, no Iémen e os conselheiros militares que ainda devem estar na Líbia.

Já se devem ter esquecido de que a Administração Obama é constituída por oligarcas de Wall Street, que continuam a especular sobre o Euro, e que o discurso eloquente do presidente americano é o de um ilusionista manipulador de multidões, sustentado por um fantástico marketing mediático. Não vou aqui entrar na discussão sobre qual o melhor: se o Bush ou o Obama (a cada um, o seu). Agora, não me atirem é poeira para os olhos!

terça-feira, 27 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Happy Birthday Sasha Grey

Sasha Grey for Equal Pay Day

"I'm Sasha Grey and when I turned eighteen I left high school and I decided that I wanted to pursuit different career opportunities. I worked as a secretary, as a teacher... I worked as a waitress... As a nurse I actually made more than the doctors. Within a year these jobs not only brought me respect, but also a lot of money.
I like really dirty things. I've been hanged upside down and tied up, and had a 12" dildo stuck in my ass... with my mouth gaged. I'm proud of this. Something I'd chose to do.
Who I am? I'm Sasha Grey!"

Gracias Sor.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dois Mil e Doze

O primeiro texto do ano deveria ser uma mensagem de incentivo. Um poema. Qualquer coisa que me acordasse da hibernação onde o meu cérebro se enroscou, num mar de pedras. Nas paredes de rocha do buraco mais profundo, congelado pela dormência da sua própria auto-comiseração. Sem nada que lhe faça ferver o sangue do corpo. Tronco mecânico. Dedos digitantes atachados a braços basculantes. Todavia, tudo se passa sem que me estique o semblante. A expressão facial de quando abro as mandíbulas para atacar a presa, que no fundo é somente o meu semelhante.

sábado, 19 de novembro de 2011

O palácio que ninguém vê

A pergunta que ainda ninguém fez em relação ao vídeo dos universitários burros, é o porquê de uma empresa do grupo Cofina estar a promover um produto do grupo Media Capital? A premissa base do vídeo parece ser a comparação da cultura geral do país universitário com a de uma concorrente do país dos reality shows ou "país real". Apesar do Ofídio apreciar a Cátia, por ela ser uma porca que mexe despudoradamente nas virilhas masculinas, não compreende o gozo que os portugueses gostam de ter com a ignorância alheia. O esplendor do palácio só depende do tipo de burro.
Não me surpreende a arrogância jornalística desde que vi uma reportagem de rua que inquiria se as pessoas sabiam o que era a nomofobia, perante a estupefacção do entrevistador. As regras deontológicas e profissionais não se aplicam a estes quasi-jornalistas, que provavelmente nem sequer devem ter carteira profissional, e supostamente trabalham num regime de recibos verdes, avenças, ou qualquer outro tipo de escravatura empresarial. A caridade humana pede para sentir pena por tal gente. Mais ainda, do que pelos universitários apanhados na armadilha mediática.

Manipulação é aquilo que o grupo Cofina melhor sabe fazer. Uma estratégia que se adequa na perfeição ao estilo tablóide de pasquins como o Correio da Manhã, a Sábado, o Record, o Destak e por aí fora. Quando o próprio sindicato e a entidade reguladora andam a toque de caixa de certos jornalistas, aqueles que serviram os vários governos durante anos, nada de bom se pode esperar. Quando certos elementos da classe gostam de dizer, não sem uma certa razão, que escolhem os políticos que temos e condicionam a nossa Justiça, então estamos conversados.
Se eu quisesse fazer um inquérito desse tipo, procurava perguntas mais prosaicas e concisas. Gostaria de saber quem são os donos da Newshold? Que, para quem não sabe, detém mais de 10% da estrutura accionista da Cofina, para além de serem os donos do semanário Sol e de 2% do grupo Impresa. Porque razão a Newshold é detida por um offshore manhoso situado algures no Panamá, e porque se ventilam os rumores de que são capitais angolanos que estão por de trás dela? Tantas perguntas, nenhuma resposta; e desconfio que a razão não seja bem devido à ignorância.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Situar a estratégia do coração ou o coração estrategicamente situado

Michelle Trachtenberg

De vez em quando olho para trás e volto a ler alguns dos meus posts. Alguns dos quais deixam-me satisfeito por ter conseguido ter a habilidade necessária para os escrever, embora outros já façam pouco sentido actualmente, porque se está sempre a evoluir; o pensamento sedimenta, consolida-se, e aquilo que antes se acreditava como certo vai paulatinamente mudando.
Isso nota-se especialmente nas minhas divagações sobre política. Usava com relativa frequência a expressão "tirar o sangue", ao referir-me à acção que o inimigo - o nosso inimigo - nos estava - e continua ainda - a fazer. A retrospectiva torna-se útil neste aspecto: saber onde estava o coração e onde se calcula que ele esteja agora. Claro que ainda penso que nos estão a sangrar, mas desconfio que o mesmo coração esteja já seco, devido ao facto do líquido vermelho há muito o ter abandonado.

A pergunta que se levanta é a da possibilidade de se viver sem coração. Só o conseguem espíritos corrompidos, consumidos pelo desespero e pelo vazio. Não estão vivos no sentido biológico do termo. Servem outro propósito. Os seres humanos continuam a bater, inconscientemente.
Ditaria então a lógica que obliterasse essa parte do Ofídio. A parte onde estou a ser muito mesquinho, rasteiro ou pessoal. Mas a verdadeira natureza deste blogue é criticar e funcionar como uma válvula de escape contra os pulhas com que levo todos os dias: os políticos, os spin-doctors, os jornalistas com agenda, opinion-makers e afins.
Estou-me a cagar para o Steve Jobs. O homem fez login, ou logout, conforme o ponto de vista. Morreu. Siga. Mais logo vou torcer pela Dinamarca, que é a coisa mais patriótica a fazer. Para ver se acordo.

Afinal ainda continua a bater!

sábado, 1 de outubro de 2011

Dois anos de Ofídio

Para comemorar a magnífica data, eis um wordle com a verborreia destes dois anos.

Aos passantes, legentes e comentantes,
dōmo arigatō

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Banha da cobra

"Trusty" por Aaron Eiland

Peça artística desenhada pelo ilustrador texano Aaron Eiland, que tem como inspiração os comentários recentes feitos por Rick Perry, actual Governador do Texas e candidato presidencial Republicano às primárias da eleição presidencial de 2012.

Visto aqui

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

+

O G+ parece ter as vantagens do resto das coisas que a Google inventa. Simples de utilizar, leve e intuitivo. A organização em círculos é quase o ovo de Colombo das redes sociais: uma ideia tão óbvia e nunca implementada anteriormente por ninguém, pelo menos desta forma. O mais complicado foi organizar o Picasa, que isto das imagens carregadas para o Blogger estarem por ali aos trambolhões não tinha élan nenhum.
Vamos ver. Não parece mau, mas com isto do networking nunca se sabe.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Blog Party

Hoje apeteceu-me fazer blogosfera. Porque, de qualquer modo, isto é um blogue, e qualquer blogue precisa de mandar a sua farpa. Já tinha escrito uma vez (uma) sobre o Combate de Blogs (assim mesmo, sem "ue") e não pensei voltar a perder mais caracteres electrónicos sobre o assunto.
O comentário a este post do Der Terrorist é bom demais para ser ignorado, e a resposta, melhor ainda.

As razões porque não gosto do CdB descrevem-se em poucas palavras: os seus intervenientes falam com a leviandade própria da arrogância - aquilo que em linguagem mais erudita se designa por "puta da mania" - e limitam-se a tentar intoxicar a opinião pública, dando uma aura de comentadores independentes, quando no fundo, todos sabem quem é o respectivo dono ao qual obedecem, e julgam-se qualquer coisa de especial pelo facto das alarvidades que proferem estarem a ser transmitidas pelas ondas hertzianas.

Para eles aqui fica este grande tema de Ena Pá, que poderia ter sido utilizado como banda sonora do inesquecível Catroga durante a campanha eleitoral.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eclipse Total da Lua

Jessica Stojadinovich, fotografada por Nikola Tamindzic

Jessica Stojadinovich é um modelo e uma actriz fantástica, o doppelgänger perfeito. "Stoya" é o seu nick, que é uma versão abreviada do seu apelido familiar. O que é mais interessante em Stoya é a sua expressividade física, que em conjunto com as restantes técnicas de interpretação dramática, é a condição essencial para se ser uma boa actriz, mesmo no género dela. Mas nada como um exemplo concreto.


Stoya afirma que tem sido uma aventura divertida, apesar de fazer hoje vinte e cinco anos; aquela idade na vida das mulheres que provavelmente obriga a uma redefinição emocional, uma vez que o epíteto de "rapariga" já faz pouco sentido. Apesar de tudo, continua a ser uma reputada apreciadora dos mais variados estilos artísticos, e uma exímia conhecedora da literatura de ficção científica e de fantasia. Isto sem contar com as roupas vanguardistas que ela própria cria e usa, e de ser uma blogger activa. Parabéns!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Invaders Must Die

The Prodigy - Invaders Must Die

Prometi a mim próprio este vídeo para quando o FMI aterrasse na Portela, local que o dito nunca utilizou para aterrar. Não é ritmo de pop-chula, mas é um "passaporte de coelho" para os ouvidos!
Mas que aquela Teresa Ter-Minassian era um grande naco, lá isso era.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Hoje acordei mal disposto

Eu sei que os blogues de direita andam todos entesados com o facto dos seus donos poderem chegar ao poder, e que certos jornais e televisões impingem sem pudor uma mensagem sebastianista que eu não desejo comprar.
Mas de facto, porque razão haveria de existir pudor? Se todos sabem qual é a mão que lhes dá de comer. Em relação à bloga, moderem os vossos ataques pessoais. Discutam ideias em vez de agredirem os olhos e a inteligência das pessoas que passam pelas vossas lixeiras. Tanta contaminação mete medo.
O ataque mais cobarde é feito a Paul Krugman. Economista norte-americano que na opinião dessa gente, se trata simplesmente de um "adivinho" que nunca deveria ter recebido o prémio Nobel. O objectivo é atacarem, por interposta pessoa, o suposto sustentáculo ideológico do partido do governo.
Krugman é Neo-Keynesiano, e eis o que escreve acerca do ataque que o próprio Keynes havia sofrido às mãos dos conservadores:
«A hostilidade maior a Keynes, porém, sempre partiu da direita. Porque será que os conservadores detestam a economia keynesiana? Em parte porque não gostam de Keynes, o homem - esteta, homossexual e membro do temível grupo de Bloomsbury»

O grupo de Bloomsbury era um grupo de intelectuais londrinos da primeira metade do século vinte, entre os quais se encontravam os escritores Virginia Wolf, Edward Forster e o próprio John Maynard Keynes, e que tinham ideias e atitudes modernistas em relação a temas como o pacifismo e a sexualidade.
Mais adiante, Krugman aponta o facto da direita intelectual ter conseguido encontrar argumentos para criticar a esquerda intelectual durante um certo tempo:
«Falando agora com mais seriedade, os conservadores não gostam de Keynes porque ele parece justificar na sua teoria, uma ampliação do papel do Estado. A teoria de Keynes sobre a recessão vê esta como uma situação em que os mercados privados estão metidos num emaranhado que a acção estatal pode ajudar a desembaraçar. Ele próprio não era socialista, muito menos a maioria dos seus seguidores; para eles, essas ideias eram uma maneira de fazer o capitalismo funcionar melhor, não uma razão para substitui-lo. Contudo, os conservadores sempre encararam a economia keynesiana como a ponta de lança de uma teoria que permite a intrusão total do Estado no mercado, e têm procurado alternativas e formas de refutar o keynesianismo.»
Paul Krugman, “Peddling prosperity: economic sense and nonsense in the age of diminished expectation”, 1994.

Aqui d'el Rei! Que o Estado está gordo, e é necessário privatizar para que muitas negociatas sejam feitas para os seus apaniguados. Alguém que faça o favor de limpar a saliva nos cantos da boca a essa gente. E uma vacina contra a raiva também não era mal pensado!

terça-feira, 15 de março de 2011

Tasuke te

Tasuke te (助けて) - "Ajuda!"
De uma forma geral, não apoio causas de solidariedade por ninguém. Mas neste caso abro uma excepção. Um povo que nos últimos dias sofreu terramotos (um mega sismo de grau 9, dois de grau 7 e cerca de trinta de grau 6), tsunamis, a ameaça de desastre nuclear, uma erupção vulcânica e, mesmo assim, no dia a seguir consegue continuar a acordar e a ir para o trabalho, não é para qualquer um e deve-se dar valor.
Nem sequer vou tentar estabelecer paralelos connosco, porque não existe padrão ou medida de comparação possível.

Imagem: Help Japan Posters, através do Der Terrorist, e visto anteriormente em dezenas de Tumblr

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Reflexão sobre política, sociedade e afins

A propósito da moção de censura apresentada pelo Bloco de Esquerda, a malta de direita viu nela uma excelente oportunidade para se atirar às canelas da esquerda.
Um comportamento recorrente, devido ao facto de nunca terem sido inoculados com a vacina que o doutor Pasteur inventou em 1885. Aquela que impede os cães de se espumarem.
O Bloco é criticado por estar a faltar ao respeito à democracia e a um dos seus instrumentos (a moção), devido ao facto de apresentar a mesma nos termos em que se conhece. Tal só seria verdade se o nosso sistema fosse democrático. Mas como qualquer pessoa atenta percebe, estamos numa oligarquia.
Na melhor das hipóteses, a jogada táctica do Bloco é idiota, e a argumentação apresentada para a defender não convenceu ninguém. Na perspectiva de serem ultrapassados pelo Partido Comunista, optaram por redefinir a sua agenda. Se votassem contra uma moção comunista, passaria para a opinião pública a ideia de que seriam uma espécie de sidecar do governo, o que seria intolerável.

Ontem, e pela primeira vez, comentei no Arrastão (esse monstro incontornável da blogosfera lusa) a propósito deste post de merda do Sena Martins, devido ao facto de sempre me ter perguntado porque razão um blogue que preza a justiça social e a equidade, albergar pessoas capazes de defenderem uma organização criminosa que pratica a fraude desportiva e económica e que promove o lenocínio e o tráfico de influências, e que qualquer um com acesso ao youtube consegue constatar. Claro que ninguém teve a cortesia de me explicar isso.
Em resumo, se quiserem fazer uma lavagem ao cérebro dos vossos leitores, ao menos sejam mais sofisticados.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ao som das sirenes

Quando o Eyjafjallajökull entrou em erupção há menos de um ano, foi o suficiente para paralisar o espaço aéreo europeu. Mas o facto das cidades do Cairo e de Alexandria entrarem em erupção não parece perturbar a Europa.
A política europeia está preocupada com o problema da dívida soberana dos estados do sul, mesmo que não explique aos seus cidadãos os contornos da guerra entre os dois maiores sistemas monetários ocidentais e o papel de figuras sinistras como o George Soros no meio de tudo isto.
Pelos vistos, o Mahdi está a chegar para redimir os fieis e unir aqueles que antes estavam reunidos sob a mesma bandeira. A guerra civil entre os chefe visigóticos do ocidente está a atingir o seu máximo e a próxima Guadalete parece cada vez mais perto.

Existe a argumentação de que actualmente todos falam e escrevem sobre o Egipto sem compreenderem o país, como se estes comentadores se tivessem tornado em especialistas de política egípcia de um dia para o outro.
De facto, a desobediência civil, os motins e os protestos egípcios não são algo que possa ser compreendido pela mente europeia, especialmente a portuguesa, em que anos de "respeitinho" e conformismo obliteraram completamente tais conceitos da psique lusa. Mesmo na recente cimeira da OTAN, tais práticas eram olhadas com desdém pela generalidade da população, ao mesmo tempo que a cidade de Lisboa era fechada para usufruto de meia dúzia de criminosos importantes.
Outro facto é que, em Portugal, não se canta "bilādī" ("meu país") até à inconsciência, tal como uma ladainha que verte o sentido pátrio no interior da alma desses egípcios. Que não querem e que não aceitam. E tanto que nós portugueses poderíamos aprender com isso, mas nós não queremos.

Ao saber que eu tinha um blogue, pessoa amiga dizia-me ontem, embora por outras palavras, que os blogues e a blogosfera seriam um dos sintomas e catalisadores do declínio da sociedade, apesar de eu próprio não augurar tal armagedão digital. O facto de eu saber hiragana, urdu ou código de máquina nada tem a ver com o facto de estar incluído na geração mais preparada de sempre da história deste país. A geração mais bem preparada será sempre a próxima, na medida em que a informação esteja cada vez mais disponível.
A "geração rasca", epíteto criado por Vicente Jorge Silva, destila as suas angústias nesta mesma blogosfera e é a geração acerca da qual os Deolinda escrevem no "Parva que Sou". Não sou eu que auguro o declínio da sociedade. A insustentabilidade e instabilidade da situação actual entra pelos olhos adentro de qualquer um.

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