Mostrar mensagens com a etiqueta partidocracia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta partidocracia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Canícula

Cavaco já sabia que o segundo resgate vinha aí. Pelo menos desde o momento em que fez aquelas declarações de que deveríamos ter uma troika sem o FMI, aproveitando a informação a que teve acesso para fazer boa figura. Ventríloquo de Ferreira Leite, a tal da suspensão da democracia, já veio dizer que a situação está pior do que toda a gente pensa, numa tentativa mesquinha e demagógica de apelar ao medo. Depois foi só fazer algo diferente daquilo de que se estava à espera, que era a posse imediata deste governo, numa metáfora bonita de lavar as mãos, como fazem aqueles que fogem das suas responsabilidades. A vergonha da instituição que representa.

Cavaco não tem ideologia. Só quem lidera é que precisa de acreditar em alguma coisa. Os empregados e funcionários burocráticos não precisam. Cavaco aprendeu no Estado Novo que a melhor acção é o unanimismo e não fazer ondas. Sendo este o espelho do pensamento da maioria dos portugueses, daí o seu sucesso e longevidade política.
Para existir uma negociação, mesmo com divergências profundas, é necessário que haja poder. As "negociações" de Seguro são um teatro para entreter o pagode. Se querem mostrar as verdadeiras negociações em que Portugal está envolvido, mostrem as reuniões entre a Goldman Sachs e o BCE.

Imagem: Cão Azul

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Portas abertas

Isto é como ir ao teatro, só que é com a vida dos portugueses. A corrente legislatura é composta por pessoas peritas em tudo o que seja sacudir a água do capote, espetar facas nas costas uns dos outros, dissimular, ludibriar, enganar e manipular. Um jovial bando de embusteiros presididos por aquele-a-quem-não-se-pode-insultar. Tal como um ninho de ratos ao qual é difícil fazer com que morram, por mais veneno que se lhes deite, estes espertos são hábeis em roer a corda e abandonar o navio, pensando só na sua sobrevivência pessoal. A Mãe Natureza tem sempre razão.
Paulo Portas is too sexy for his sentido de Estado. A sua característica mais mortífera é o seu timing e a imprevisibilidade deste, que advém do fascínio que tinha pelo jogo político quando ainda falava com o sotaque de Cascais e o jornal O Independente fazia a vida negra a Cavaco algures nos anos noventa. O cinismo de Portas foi sendo sempre menosprezado enquanto Relvas fez parte do governo e o biberão de ser ministro dos "negócios" estrangeiros contentava Portas nas negociatas com os chineses e os latino-americanos. Relvas saiu há menos de três meses. Desde então a ira da populaça virou-se para o ministro Vítor Gaspar, tendo o demagogo-mor afinado ligeiramente a sua estratégia com o desfecho que hoje se conhece.

Por altura da última campanha eleitoral, corria o rumor entre os militantes do PSD que Paulo Portas e Passos Coelho já tinham tudo acertado para formarem governo, e que só não se tinham apresentado juntos a eleições para não alienarem parte do eleitorado. Especialmente os idiotas úteis cujo voto pendula entre o PS e o PSD conforme a propaganda das televisões. Possivelmente, Portas estará já a pensar num acordo semelhante com Seguro, uma vez que esta união já foi abençoada por Balsemão na reunião do Bild. Seguro, tal como Passos, faz aquilo que lhe mandam e Portas estará lá apenas para assegurar que o artificialismo da vontade popular agrade aos mercados financeiros. Isto se não pensar em nada melhor entretanto.
O jogo de Portas de passar entre os intervalos da chuva e a pantomina de estar na oposição e no governo ao mesmo tempo podem, por exemplo, ter incomodado Vítor Gaspar; tendo este frisado o "enorme" no aumento dos impostos, ou Passos, ao referir-se a ele como o número três do governo. Mas estas rabecadas apenas fizeram Portas sorrir. Não havia disciplina ou imposição de respeito nas palavras ou acções de Passos Coelho, até porque a hipocrisia deste era bem visivel no seu sorriso amarelo, e Portas conhece esses sinais como ninguém.

Imagem

terça-feira, 2 de julho de 2013

A permuta

O swap é um derivado financeiro (derivatives em inglês). Os derivados financeiros foram os responsáveis pela crise económica mundial e pela falência da Lehman Brothers, o que despoletou a crise das dívidas soberanas. O tipo de gente que fez estes contratos especulativos conhece bem os vários esquemas fraudulentos que estes permitem e só os fez porque, caso algo corresse mal, seriam cobertos com o dinheiro dos cidadãos, degradando o seu modo de vida. Como aliás está a acontecer.
Os swaps são contratos de permuta (ainda hoje não se percebe porque é que os jornalistas não usam este termo e preferem o inglês) entre duas empresas, em que uma delas tem um empréstimo a uma taxa fixa e outra a uma taxa variável (que pode depender da variação de preço de um bem, como o preço do barril de crude) e utilizam uma instituição financeira (pode ser um banco) para trocarem os contratos, ficando uma com o contrato da outra.

Imaginemos o seguinte cenário: Uma hipotética senhora dona Maria, gestora de uma empresa pública de transportes, troca o seu contrato de empréstimo fixo por outro com uma empresa americana que tem um contrato de empréstimo dependente da subida ou descida do valor do crude. Essa empresa americana já pagou luvas à senhora dona Maria para ela aceitar a troca de contrato, que ela pode justificar pelo facto do crude estar em baixa e ser vantajoso para o Estado a permuta. Após a troca, o preço do crude sobe e upa upa, eis que o banco começa a reclamar da empresa pública da senhora dona Maria o valor inerente ao preço do barril de crude. Como se trata de uma empresa pública, o contribuinte é obrigado a meter lá do seu próprio dinheiro, e o governo que gere o dinheiro do contribuinte só tem de dizer que a empresa é deficitária e não dá lucro. Este esquema fraudulento dá dinheiro a todos, menos ao contribuinte, que é o que tem de financiar o esquema.

Primeiro tenta-se sacar esse dinheiro ao contribuinte através da subida de impostos, conhecido como método gasparino. No entanto, para atingir o valor necessário deve-se "cortar na despesa do Estado", um eufemismo para despedir funcionários.
Ninguém explica o que vem aí, apesar de toda a gente já saber que é o despedimento de centenas de funcionários públicos, porque nada foi anunciado. Se o governo fosse composto por pessoas corajosas, em vez dos facínoras cobardes que são, já tinha anunciado que vai despedir essas pessoas e assumia na integra essa decisão. Mas como é um governo de manipuladores e embusteiros, ficou à espera da última hora para fazer o anúncio. Esta táctica levou a que o psicopata responsável pela gestão primária se tenha retirado de cena, não sem antes ter permitido um trade volume suficiente a instituições financeiras americanas e europeias para que estas retirassem os seus dividendos com a desgraça dos portugueses.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Os indecentes

Existe uma confluência tribal em Portugal entre o Partido Social Democrata e o Futebol Clube do Porto, intercessão de interesses que assomou ao poder em finais dos anos setenta, princípios dos anos oitenta, através da promoção do sectarismo. Para além do ódio ao vermelho, o que identifica esta confluência é a tentativa de dividirem o País, colocando portugueses uns contra os outros, para no meio dessa espécie de guerra civil levarem adiante verdadeiros actos de banditagem contra o Estado de Direito. No pós-25 de Abril, este nunca os conseguiu travar devido ao facto de se encontrar manietado pela sua própria inacção, o que motivou uma sensação de impunidade desta nova elite de personagens tão conhecidas do grande público, como o autarca Luís Filipe Menezes ou o líder parlamentar Luís Montenegro.
A verdadeira face desta gente revela-se na plenitude neste twit de Cabreu Amorim, deputado do PSD e adepto do FCP, acerca dos magrebinos e que é tão estúpido que só dá para rir. No entanto, nada é inocente naquilo que um propagandista como o Cabreu Amorim diz ou escreve. A guerra norte-sul foi uma manobra de manipulação de massas que começou com Pinto da Costa e que deu bastante jeito ao FCP para se tornarem o que são hoje, ao tentarem alienar a homogeneidade nacional que o Benfica tinha e ainda hoje tem. Não passando só por comprar árbitros, a estratégia sempre foi mais abrangente. Embora os jornalistas e políticos vendidos sejam menos mediáticos.

Aqueles que deveriam denunciar a manipulação têm o problema de se considerarem elitistas o suficiente para acharem que a bola está abaixo da política, não devendo ser dada muita atenção à primeira sob pena de levarem com o epíteto de populistas. No fundo, ambas são uma guerra tribal onde o Cabreu utiliza as mesmíssimas tácticas: o apelo à emoção, a arrogância iluminada e o desprezo por quem o lê. A função de Cabreu é a de arrebanhar pessoas acéfalas para a causa PSD/FCP, e já nem sequer entro pelo teor xenófobo do twit, que é indigno de um deputado da República.
Cabreu Amorim desculpou-se mais tarde pelo comentário, como o bom hipócrita que é, porque isto de ser candidato à Câmara de Gaia oblige. Hipocrisia essa, que já se tinha visto quando criticou o ministro Vítor Gaspar. O que lhe valeu a carinhosa alcunha de "ratazana gorda" entre os seus correligionários, devido à expressão idiomática sobre roedores e navios a afundarem. Não se pode agradar a todos.
O próprio ministro Gaspar aproveitou para fazer uma piada, uma vez que está na moda fazerem-se piadas com o Benfica, naquilo a que os americanos chamam de fair game. Piada que surtiu efeito, uma vez que se ouvem as gargalhadas da audiência. Contudo, Gaspar não sofre com o Benfica, como ele diz, uma vez que é um psicopata, e as características de um psicopata são a falta de empatia e a superficialidade emocional. Por isso, não... Gaspar não sofre. Mas goza.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A natureza tem horror ao vácuo

Nunca deve ter existido nos últimos trinta anos um governo empenhado a este ponto na manipulação e na ofuscação. As condições da tecnologia mediática actual facilitam esse desígnio, mas o principal motivo desta conduta parece estar ligado ao facto de não existir uma forma racional do executivo defender as suas opções políticas.
O exemplo mais recente é o do "criativo" Miguel Gonçalves. Este foi ao programa televisivo Prós e Contras a 20 de Julho de 2011, um par de semanas após o governo ter ganho as eleições e um dia antes de tomar posse. Esta cronologia é importante para se perceber uma das mais insidiosas manipulações do governo. Relvas nunca poderia admitir que já sabia quem era Miguel Gonçalves para não evidenciar o embuste e arranjou uma desculpa acerca do facto de o ter visto em vídeos no youtube. Poderia ter sido no vimeo, mas era necessário criar empatia e o youtube é mais conhecido.

A mensagem de que um indivíduo pode ter sucesso em tudo e mais alguma coisa desde que seja ousado e imaginativo, esquecendo propositadamente que o sistema se encontra viciado e que abomina o mérito, nunca me cativou. A falácia argumentativa do cândido Miguel designa-se por evidência incompleta e o estilo de discurso baseia-se na hiperbolização. O seu objectivo fulcral sempre foi o de promover a peugada neo-liberal e degradar o factor trabalho. A agenda seguida não é inocente nem desinteressada, embora se tente camuflar como tal para evitar ser denunciada.
O vídeo do programa televisivo fez sucesso nas redes sociais, mas não me conseguiu converter. Talvez por eu próprio ter pouca tolerância à banha da cobra, à vacuidade e por a própria realidade do mercado de trabalho não deixar que seja enganado por esse tipo de intrujice, mesmo que se encontre disfarçada de oratória motivacional.

O chamado "Impulso Jovem" nunca foi um programa de estímulo económico. Sempre foi uma acção de propaganda. Por isso é que foi apresentada por Relvas, o ministro da Propaganda e não pelo histriónico ministro da Economia e do Emprego.
O próprio Miguel Gonçalves, na sua apresentação como "embaixador" do "Impulso Jovem" tentou evitar as perguntas sobre política para não se notar a evidência de que só existe enquanto fabricação. Exactamente uma semana depois de mais esta acção de propaganda, o ministro das Finanças corta-lhe os fundos. Deve ter feito uma análise custo-benefício e chegado à conclusão de que a contratação pro bono do "bate-punho" lançou o descrédito. Se existe algo fundamental em propaganda é a de que esta tem de ser credível, para conseguir enganar as pessoas. Gaspar não gosta de pipocas, uma vez que deve cortar no açúcar e no sal.

domingo, 7 de abril de 2013

Dois anos de FMI

O valor que os portugueses pagam para a receita do Estado, seja em impostos, taxas ou outras contribuições é superior ao que recebem do mesmo, seja em pensões e reformas, subsídios de desemprego ou doença, ou outro tipo de apoio social. Se incluirmos os juros da dívida soberana, os juros do empréstimo da troika, ou os juros da fraude do BPN no valor daquilo que o Estado tem de contribuir, então torna-se claro que não existe dinheiro para tudo.
O mentiroso compulsivo Pedro Passos Coelho prossegue o embuste de que o dinheiro se destina a defender o estado social porque um demagogo necessita sempre de ter uma argumentação de qualquer tipo, mesmo que semelhante argumentação seja falaciosa. Tal como anteriormente estimulou o ódio entre os trabalhadores do sector público e do sector privado, o chantagista tenta agora colocar os portugueses contra o Tribunal Constitucional, encontrando o bode expiatório que os propagandistas vinham cozinhando desde há algum tempo junto da opinião pública, que se encontra completamente envenenada com o trabalho do spin dos comentadores.
A estratégia é fraca, como se pode perceber, de tal modo é evidente. O segundo resgate vem a caminho e Passos Coelho nem sequer se exime de o anunciar, uma vez que já tem um álibi, como num romance policial de segunda categoria. A palavra de ordem deste governo é a doutrina da agiotagem, inspirada pela fúria predatória da alta finança. Os especuladores riem-se enquanto o povo sangra. Infelizmente vivemos num protectorado financeiro executado por traidores. Os invasores têm de morrer.

The Prodigy - Invaders Must Die

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Última República

Da esquerda para a direita:
Pedro Santana Lopes, João Mota Amaral, Manuel Dias Loureiro,
Miguel Relvas, José Luís Arnaut e José Matos Correia

A República é uma forma de governo em que o país é considerado "coisa pública" e não o negócio privado ou propriedade dos governantes. Ninguém está acima da Lei e os cargos do Estado não são distribuídos devido a relações de poder familiar ou corporativo.
Durante a cerimónia oficial do 5 de Outubro, uma mulher interrompe o discurso de Cavaco, e se uma mulher aos gritos causa tanta comoção, então um tiro ou uma detonação causariam o pânico. Digo eu, que gosto de pensar em termos estratégicos.

"...de acordo com os códigos militares, a bandeira ao contrário significa que o local está tomado pelo inimigo."

Imagem: Daniel Rocha

terça-feira, 10 de julho de 2012

O canudo do Relvas visto lá de fora


Os amigos angolanos e brasileiros de Miguel Relvas acharam estranho que um tipo assim tão esperto ainda não tivesse comprado um canudo. O querer ser interpelado por "doutor" não é bem uma questão de provincianismo, mas mais uma questão de se sentir integrado com o resto do gang. Não quer isto dizer que Miguel Relvas seja assim por influência estrangeira. Relvas é um cretino por natureza, um bandido por formação e um pulha por filosofia. O facto de tal personagem ter amigos angolanos e brasileiros, foi devido ao próprio se ter procurado associar a essas pessoas no seu caminho de trafulhice, em países onde o saque fosse porventura mais fácil e sem estar aqui a fazer um concurso sobre o país onde existem mais corruptos. Para isso, ia ao índice da Transparência Internacional, onde Angola aparece no 168º lugar, o Brasil em 73º e Portugal em 32º atrás do Botsuana.

O moralismo da Direita na meça de contas à Universidade e ao Estado português no Caso Relvas só é comparável à falsa ignorância da mesma sobre quem realmente domina o Estado. Nós vivemos numa oligarquia, não vivemos numa democracia, logo não existe algo como uma accountability por parte dos cidadãos. As entidades reguladoras são uma anedota, que servem para lançar poeira na opinião pública, e a autoridade, que é o poder investido pelo Estado, só existe para criar iniquidade social.
A Direita fica indignada quando se sabe que, tal como os seus amigos angolanos e brasileiros, também Miguel Relvas corrompe, paga luvas e troca favores e influências. Isto é factual e eles nem sequer se dão ao trabalho de o esconder, porque, lá está, fazem todos parte da mesma oligarquia. Não estando com isto a querer desculpar os pulhas portugueses que não sejam tão famosos como Miguel Relvas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Destino das Espécies


Ele poderia escrever sobre a vida no governo, sobre o lobby do sector livreiro, sobre as trocas de favores, ou até mesmo sobre o verdadeiro grau de eficácia da propaganda que foi fazendo no seu próprio blogue na tarefa de eleger o governo ao qual pertence.
Poderia escrever ainda sobre a sensação de se mascarar de independente no meio de um bando de apparatchiks fortemente partidários. Seriam tudo leituras que a malta seguiria com interesse.

sábado, 9 de junho de 2012

Quem quer comprar o pasquim?


O Correio da Manha é o jornal mais vendido em Portugal, e tal como o seu compatriota The Sun no Reino Unido, é capaz de mudar a tendência eleitoral através de uma eficaz manipulação dos seus leitores. Basta ver a lista de "opinadores" do Correio da Manha para se constatar a respectiva lealdade:

Ângelo Correia: Barão do PSD e (ainda) patrão e mentor de Passos Coelho.

António Bagão Félix: Gestor bancário do CDS-PP (apesar de se afirmar independente) e ministro da Segurança Social durante o governo de Durão Barroso, e das Finanças durante o governo de Santana Lopes.

Francisco José Viegas: Secretário de Estado da Kultura. Propagandista do PSD em blogues, jornais e programas de televisão, e junto do sector livreiro, no qual exerce apreciável poder.

João Miguel Tavares: PSD (confirmado pelo próprio) anti-Krugman e "escritor" de livros sobre Economia para lavar o cérebro às criancinhas, apresentados pelo ministro das Finanças. Partilha o estilo irreverente com o JP Coutinho para ver se a malta jovem vai na conversa.

João Pereira Coutinho: Geração Atlântico (PSD em novilíngua) mascarado de liberal que usa o humor cínico para chamar estúpidos aos portugueses por estes não perceberem o ponto de vista dos contribuintes alemães, entre outras loas à situação.

José Eduardo Moniz: Homem de mão na RTP durante o governo PSD de Cavaco Silva.

Luís Campos Ferreira: Deputado PSD pelo distrito do Porto. Jurista em Direito da Comunicação Social.

Luís Marques Mendes: O cavaquista de serviço. Era necessário terem uma quota para não se sentirem descriminados.

Paulo Pinto Mascarenhas e Manuela Moura Guedes (ex-deputada CDS-PP): Obsessão patológica anti-Sócrates e ao PS em geral, embora a bajulação à situação se note mais no caso de PPM.

Antigamente havia o António Ribeiro Ferreira, mas desde que Sócrates perdeu as eleições que a manipulação deixou de ser necessária, tendo este levado o esterco da sua pessoa para o jornal i, bem como o Cabreu Amorim, que se queixava de que era difícil ser liberal em Portugal, mas agora que tem a televisão e o hemiciclo para manipular à vontade já não se deve queixar tanto.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O Triunfo dos Especuladores


Especulativo será dizer que o Alex Soares dos Santos, o merceeiro-político, que fez campanha contra o anterior governo e que alavancou a eleição de Passos Coelho, o fez para beneficiar da alteração à legislação deste governo que lhe permite ter as mais valias na Holanda.

Especulativo, mas provavelmente não menos verdadeiro, seria dizer que o único objectivo deste tipo de campanhas é o de mais facilmente manter as massas em sentido do que lhes mandando porrada. Controlar o cérebro das pessoas é bem mais eficaz do que lhes controlar o corpo, como bem sabe o ministro Relvas.

Especulativo seria dizer que existe uma relação entre o Pedro Soares dos Santos e Pedro Passos Coelho. Afinal, eles pertencem à mesma geração, têm os mesmos objectivos de domínio selvagem do capital. São especulativos, um através da acções da SGPS, e outro como testa de ferro dos banqueiros, e para ambos "a concorrência é um pecado" como dizia o Rockefeller. Aqui está a verdadeira "política comum."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O pulha


Os blogues políticos são o local onde se pode encontrar a fina flor da clubite partidária. As jotas são outro. Essa gente não se move por coerência ética ou ideológica. Limita-se a urrar e a brandir o cachecol do partido como se estivessem num estádio. É uma abordagem política que se baseia nas emoções, expectativas e desejos de quem a apoia, uma vez que funciona de uma forma demagógica. Por alguma razão se chama propaganda. Sendo esses blogues, e quem os escreve, demagógicos e populistas, não se pode querer que estes tenham um abordagem racional. O que vale é que quem frequenta a blogosfera os conhece. A estratégia destas pessoas passa por causar medo na opinião pública, demonizar o adversário e, de um modo geral, apelar à emoção. O governo/partido/clube/bando dá o mote e os assessores/envenenadores executam.

Serve isto para explicar como aparece uma personagem como Relvas, parte de um governo que espia os próprios cidadãos, principalmente aqueles que lhe possam causar mais problemas. Um governo que usa os aspectos sórdidos das pessoas espiadas como chantagem e coacção para que estas façam aquilo que esse mesmo governo deseja. Falta saber aquilo que era para ser publicado no jornal Público, que motivou a chantagem do governo. Para lá das considerações éticas, a chantagem é um trunfo que só deve ser utilizado em último recurso e, como tal, aquilo que motivou a chantagem deve ser revelado, para que nós possamos perceber se o ministro da Propaganda tinha razão em utilizar esse recurso. Considerando que é sempre possível argumentar que a chantagem é um método racional se estivermos a falar de bandidos.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Não é erro, é propaganda...


"Quero dizer-lhes que Portugal tem futuro e que há esperança, que emigrem quando tiverem de emigrar. Nós não temos de ter preconceitos, a minha filha dentro de seis meses vai fazer Erasmus para França."
Miguel Relvas, no programa 5 para a Meia-Noite da RTP1.


Esta frase do Miguel Relvas está errada a tantos níveis que eu até vou dividir por pontos:
Ponto 1: Existe uma diferença entre passar férias no estrangeiro e emigrar. Não vou criticar os estudantes de Erasmus, mas quem o fez sabe que a dificuldade daquilo é pouca ou nenhuma.
Ponto 2: O emigrante português é, por exemplo, um sem-abrigo em Londres que recusou uma sandes em troca de aparecer na televisão, para manter a pouca dignidade que ainda lhe restava. A filha do Relvas nunca esteve nem nunca estará nessa situação.
Ponto 3: Acho vergonhoso utilizar-se a própria família para fazer propaganda. Mas desde que vi o actual ministro da Economia na televisão com uma criança de colo, assistindo a uma manifestação contra as suas políticas, que já nada me surpreende.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Questões verdadeiramente pertinentes

Galhofa na SIC Notícias. Mário Crespo, Vicente Jorge Silva e Zé Luís Arnaut a discutirem os estatutos do PS ao pormenor, com o artigo cento e tal a ser esmiuçado, para explicar porque é que o Seguro é um golpista, para no final não haver um segundo que fosse para falar dos 15% de desemprego. Diz o inefável Crespo: "Os 15% de desemprego seria um assunto interessante, mas já não temos tempo."
"De seguida, rigorosamente a não perder, Paulo Garcia no Dia Seguinte" porque é preciso continuar a hipnotizar as pessoas.
Mas porque razão é que eu continuo a ver aquela merda?

quinta-feira, 22 de março de 2012

"Uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar"

Deve ter ocorrido a Pedro Passos Coelho que poderia usar crianças para apelar à emoção dos contribuintes portugueses e fingir que é um ser humano. Se o realizador do vídeo do Kony também o fez, para promover a invasão de forças armadas americanas na África Central, e se o falecido Sócrates também as utilizou na distribuição dos seus Magalhães, porque razão ficaria o actual Primeiro-ministro impedido de utilizar a manada infantil para a sua propaganda demagógica? Tudo bem empacotado e servido pelos jornalistas da RTP, numa aprazível tarde primaveril. Tal ideia maquiavélica deverá ter sido de Miguel Relvas, o ministro da Propaganda, que se encontrava a fazer o seu serviço no parlamento, a entreter os deputados, enquanto Passos Coelho se entretia com as criancinhas. Deixai ir a ele as crianças, que Pedro já não se sentia tão messiânico desde a campanha eleitoral. Os petizes foram escolhidos a dedo, e não lhe faziam perguntas incómodas, apesar de um deles, quando questionado sobre onde iria passar férias, lhe ter dito que iria ficar em casa. Ao que, espantado, Pedro-o-Passos-Coelho retorquiu questionando-o se não seria melhor sair para a rua... passear. Passos Coelho gosta de pessoas na rua.

No dia seguinte, em pleno Chiado, a fotojornalista Patrícia Melo seria brutalmente agredida por um polícia, durante a manifestação marcada para o dia da greve geral contra as medidas de austeridade. Encontrava-se a fazer o seu trabalho quando um cão de guarda resolve mostrar que não gosta de pessoas na rua, a não ser que estejam numa posição de submissão. O olhar assassino de Macedo, o ministro da polícia, não deixa dúvidas sobre como as pessoas devem ser tratadas e a propaganda de Relvas dirá às televisões o que estas devem noticiar. Sem medos. Reprima-se com vontade. Sadicamente. A mensagem está dada. Aquilo que ficará na mente do cidadão obediente é a tarde de Passos Coelho com as criancinhas. Os feridos desta tarde são, segundo a RTP, "todos manifestantes". Nenhum polícia, nem nenhum turista. Os manifestantes são apenas terroristas, quiçá de Toulouse, que tudo fazem para que o grande esforço nacional "custe o que custar" não dê resultado. Passos Coelho encolherá os ombros e dirá que são tácticas sujas da oposição. Jogo desonesto. Que é necessário que o santo mercado funcione, para que possa proporcionar prosperidade para aquelas criancinhas.

Imagens: António Cotrim/LUSA e Hugo Correia/REUTERS

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Reis Momos

O AJ Seguro não só é fraco, como é amigo pessoal de Miguel Relvas, e essa é a sua lealdade mais importante, sendo o PS simplesmente um trampolim para quando o ódio a Passos Coelho atingir o ponto de saturação. Extrapolando pelo que acontece noutros países, o próximo governo será um executivo FMI/Goldman Sachs, liderado talvez por António Borges. Deste modo, Seguro irá passar ao lado da cadeira de S. Bento, uma vez que, por essa altura, a farsa da democracia já não irá ser necessária.
Quanto a Louçã, o dilema deste, advém do momentum político que o Bloco tem enquanto o PS é governo, que agora lhe falta. Certas correntes de pensamento bloquista são semelhantes a outras do PS, e para estancar este tipo de pensamento é que pessoas como Zorrinho foram destacadas. Isto provoca um descomprometimento da generalidade do PS com a agenda do Bloco, fazendo este último esvair-se em termos de estratégia. Claro que o facto de Louça ter ajudado a empossar este governo, algo que deveria ser amiúde recordado, também não o ajuda. Mas a boa imprensa existe para isso mesmo.
Jerónimo não pode ser mais do que aquilo que é. Ao liderar um partido que apenas tolera as regras da democracia, para assim tentar expandir a influência desse mesmo partido na sociedade, nunca poderá aspirar a ser algo mais do que o transmissor da vox populi, nos dias bons, ou fazer um braço de ferro com o governo, qualquer que ele seja, através das greves gerais da CGTP, nos dias maus.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A música de Cavaco

Cavaco Silva é um intriguista. Para além de ser, talvez por isso mesmo, o político mais medíocre de Portugal. No caso das escutas a Belém, a gravidade da denúncia levou o seu assessor Fernando Lima a dar a cara, enquanto que na actual divergência de opinião com o governo, consequente crítica à política de finanças, e tentativa de se colocar ao lado do povo, já não foi preciso que nenhum chefe de gabinete o fizesse. Os supostos estados de alma do presidente, que esses "cavaquistas" transmitiram aos jornalistas, não necessitam de mais do que isso.
Fernando Lima ficou muito exposto na manobra anterior, e neste caso foi possível fazer a intriga mediática sem desgastar a imagem dos respectivos spinners, que se mantiveram anónimos, dando a respectiva folga para que a versão oficial da presidência fizesse o seu papel.
O contra-ataque governamental foi igualmente assertivo e rasteiro, por intermédio do seu feudo de blogues e do Correio da Manhã, pasquim oficial da direita populista que se senta no governo, o que revela que a informação não domesticada é uma ameaça, como defende a doutrina de Fernando Lima. Embora qualquer comentador imparcial facilmente admita que o Expresso e o Público são pesos bem mais pesados na comunicação política do que o pasquim já referido.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

"Vítor, acabei de dizer aos portugueses que os sacrifícios têm de ser para todos!"

Esta imagem de Leonardo Negrão, da discussão do Orçamento de Estado para 2012, é excelente para não ser adaptada e difundida pela blogosfera e redes sociais como uma crítica ao governo ou um gozo de retaliação pelo modo como os portugueses são gozados todos os dias pela classe política, Presidente da República incluído.
Acho plausível que a população esteja farta de ouvir falar de política e de políticos, e que tenha a reacção natural, por uma questão de manter a sanidade, de se afastar o mais possível de uma classe nefasta que ocupa a totalidade da emissão televisiva não ficcionada (vamos assumir que a farsa do jogo político, e a sua dicotomia partidária e ideológica não se trata de ficção).
Alienar o povo da sua classe política tem sido a manobra favorita da oligarquia, para recusar a cidadania a esse mesmo povo, e existe a tendência, algo ingénua na minha opinião, de quem critica a acção governativa, de julgar Passos Coelho incompetente, ou então um louco com o delírio pelo abismo (metáfora recorrente para criticar o Primeiro-ministro de Portugal) quando Passos Coelho, como mero empregado da alta finança, faz aquilo que lhe mandam fazer, não sendo por isso nem um lunático nem propriamente mentiroso. Se bem que, no conceito de mentiroso, não estou a incluir as mentiras que ele diz aos portugueses, que a esses ele não presta contas nenhumas.

Imagem

sábado, 21 de janeiro de 2012

O público-alvo do discurso miserabilista

Nas declarações de Cavaco Silva deve primeiro perceber-se para quem é que este está a falar. Cavaco dirige-se ao velhotes da Beira Alta, ao cavaquistão, ao tipo de gente miserável de corpo e alma e miserabilista por natureza que o elegeu. Pessoas cuja ganância por tostões é suficiente para causar desavenças entre irmãos. Pessoas que levam o conceito de avareza até limites nunca imaginados pela sociedade mediática e informatizada do litoral. Pessoas que não têm facebook, e que se estão a cagar para o que os "jovens" lá escrevem. Pessoas que não sabem ler nem escrever. Pessoas que vão à missa e que são endoutrinadas pelos párocos, mas que optam por ignorar que a avareza é um pecado. Pessoas que odeiam essa corja que são os políticos. Pessoas para quem Cavaco diz sub-repticiamente que não é um político, que é um deles. Que conta os tostões. Manobra que usa frequentemente, porque conhece este povo.

Cavaco não goza, Cavaco manipula. Os portugueses é que se sentem gozados pela manipulação básica. Cavaco alardeia o facto de não receber vencimento enquanto presidente, mas omite que foi uma opção própria para receber uma reforma que é superior ao vencimento. Omite que recebe duas reformas. Omite que o total das reformas é superior a dez mil euros por mês. Mas nada disto interessa à gente humilde e salazarenta, cuja política é o trabalho, para quem ser-se pobre é ser-se honrado.
A imagem de Cavaco Silva evoluiu nos anos noventa, com uma televisão estatal que lhe fazia a vontade, onde este tipo de discurso resultava. Hoje, tal como ontem, a "informação não domesticada" é algo que preocupa Fernando Lima, o seu consultor político e obreiro da intriga no caso das escutas. Os "jornalistas" já transmitiram as palavras do senhor Presidente. Agora calem-se!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sete fronhas e um lençol

Os três corpetes representam, obviamente, a troika. No final dos anos setenta e princípio dos anos oitenta, ainda o PREC estava fresco, a metáfora utilizada para sufocar os portugueses era o "apertar do cinto". O cinto servia para tudo. Para bater nos mais indisciplinados e para apertar a fome.
Na crise pós-2008, o cinto já não chega, uma vez que os hipermercados estão a abarrotar e pede-se ao povo que consuma. A peça mais indicada para apertar o povo é o corpete, porque a troika e o governo querem espremer o tórax das pessoas, até que estas deixem de conseguir respirar.
O avental é obviamente Jorge Silva Carvalho. Embora também pudesse ser o deputado Luís Montenegro, que fala em inglês na Assembleia da República para dar um ar refinado. Silva Carvalho até poderia ser "investigado" por uma comissão parlamentar dominada por Montenegro, caso estivéssemos no país da inocência.
Silva Carvalho não fala, Silva Carvalho facebuca. Dislates que as televisões alegremente publicitam, juntamente com os vídeos do Pinheiro de Azevedo, uma vez que a obediência passa por dar o devido destaque à propaganda de Silva Carvalho.

As sete fronhas são hediondas. Monstros cuja face provoca o vómito e o asco. Para além das fronhas de Silva Carvalho e Luís Montenegro, temos direito à fronha asquerosa de Manuela Ferreira Leite, a defender que os doentes com mais de setenta anos só tenham direito à hemodiálise se a pagarem.
O pagamento das horas extraordinárias dos médicos vai sendo reduzido, para que estes achem o Serviço Nacional de Saúde pouco apelativo. Aos poucos vão fugindo para o privado. Para quê ter médicos competentes num serviço estatal, quando podem estar a enriquecer a administração de uma clínica privada?
Esta é a filosofia escrita na fronha de Paulo Macedo, ministro da Médis, gestor fiscal e director-geral dos impostos quando Ferreira Leite era ministra das Finanças. O lucro é mais importante do que a vida humana e quem faz hemodiálise é porque lhe apetece.
Não é como nos Estados Unidos, onde se alguém responde que é pobre lhe dizem que não tem direito a nada. Por cá, recomendam-lhe que vá ao Serviço Nacional de Saúde, e se você argumentar que o Serviço é miserável, vão-lhe responder que também você o é. O lucro é mais importante do que a vida humana.

A quinta fronha (poderia ser a quinta coluna) é a de Francisco Pinto Balsemão, cujas cirurgias plásticas não conseguem esconder a degradação da dita. Mas pior do que a degradação da fronha é a degradação da ética e dos princípios. Os jornais televisivos deram zero destaque à polémica criada pelas declarações de Ferreira Leite, o que revela que Balsemão tem de facto poderes. Pior do que o apagão analógico é o apagão da informação televisiva, e o condicionamento para que não se fale do assunto sem ser em blogues e redes sociais, que só são escrutinadas se forem o facebook do Silva Carvalho. Quanto ao resto, temos aquela gente que deita sempre água na fervura, para dizer que aquilo que a fronha de Ferreira Leite disse não era afinal bem aquilo que essa fronha queria dizer. Eis o lençol português, tapando e escondendo a porcaria e podridão das figuras públicas, ao mesmo tempo que embala os portugueses no seu sono, para que estes sejam roubados mais facilmente.
Por fim, aparecem as fronhas sorridentes de Miguel Relvas e Zeinal Bava, no momento simbólico do desligar do sinal de televisão analógico. Já a pensarem nos milhões que vão entrar com o negócio do espectro de frequências, que era de todos nós.

O lucro é mais importante do que a vida humana.