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quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Totta-Açores paga bem

José Afonso - "Foi na cidade do Sado"

Apesar do sol se encontrar encoberto por nuvens, aqui fica este vídeo apropriado à data, uma vez que vivemos numa bronca armada pelas bestas do capital e somos geridos por um bando de jotas laranjinhas com o objectivo de acertarem contas com o 25 de Abril, e cujo lema maior é a doutrina de Milton Friedman segundo a qual "o lucro é mais importante do que a vida humana" e que confortavelmente todos os dias prepara um ensopado de borrego com a carne tenra de ovelha dos portugueses. Obrigado por estes 38 anos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

As Montanhas de Vulcano

Jolene Blalock, como T'Pol

Mister Spok (without a C) is coming to Earth...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Porcos carregados de pérolas

O ano passado fiz a minha homenagem ao passar de José Afonso. Este ano, devido talvez a ser um número mais redondo, as homenagens surgiram em catadupa por toda a parte. Por norma, não gosto do tipo de celebração que se empola devido ao facto de se passarem 25 anos, mas deu para perceber a raiva que os sectores de direita têm pela figura do Zeca. Que ainda hoje têm.
Todos os canais televisivos tiveram um tratamento deplorável com a memória de José Afonso. A RTP encerrou um dos seus serviços noticiosos com uma prestação do Tozé Santos, do projecto Zeca Sempre, uma parvoíce que consiste em ganhar um cobres com a memória do Zeca, em "laivos pop-rock". Fazendo aquilo que qualquer estudante secundário faria caso tivesse uma guitarra e tentasse tocar José Afonso, mas em pior.
Na TVI, o pivot televisivo José Alberto Carvalho indaga sobre se a obra de José Afonso "ainda faz algum sentido nos tempos que correm", ao mesmo tempo que perora sobre o facto do "cantor de intervenção" "também ter sido um fadista". Não vou aqui analisar exaustivamente a diferença que existe entre o facto de inicialmente José Afonso ter procurado evoluir a forma da balada coimbrã, com o o facto de ser necessário, desde que o fado se tornou património mundial, aproveitar todas as oportunidades para o promover desenvergonhadamente. Vou somente fazer um paralelismo entre o nome do José Alberto, e o facto de o mandar para o caralho.
Mas a pérola tinha de vir do afilhado de Marcelo Caetano, Marcelo Rebelo de Sousa. No seu segmento televisivo semanal onde comenta sobre tudo e sobre nada, resolve referir a data redonda com a versão no Coliseu da Balada do Outono, sem nunca se referir ao nome da música, o qual provavelmente nem deve saber, tendo pedido ao editor que lhe arranjasse o vídeo, que foi prontamente amputado após o genérico do programa acabar. Homenagens e respeito pelos outros é algo completamente diferente de referir a data só porque tem de ser. Só porque está institucionalizado que devem ser referidos os 25 anos. Mais valia que nada tivessem feito, que era mais respeitador da memória dos mortos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O mandil de Carolina

Carolina Torres

Em vez das histrionices e macacadas num programa decadente, poderia estar a cantar e a bailar. Tem técnica e vocação suficientes para tal, e embora já tenha aprendido alguma coisa do que deve ser a comunicação e o ritmo de um programa televisivo, torna-se bastante notório que não nasceu para isso.

"El mandil de Carolina
Tiene un yagartu pintado
Cuando Carolina baila
El yagartu mueve el rabu
"

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Fado que já não é só nosso

TM

O Camané, a Mariza e o Carlos do Carmo são muito queridos no meio da intelligentzia lisboeta. Existem outros fadistas, culturalmente tão ou mais importantes do que estes exemplos, mas quiçá por cheirarem muito a povo, não são considerados pela classe elitista que define aquilo de que se deve ou não gostar.
Quanto à candidatura, o Nery vendeu o Fado muito bem, apesar deste ser certamente mais fácil de vender a entidades estrangeiras do que empresas como a REN ou as Águas de Portugal.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Todos à mólhada


Manuel João Vieira e Mónica Ferraz - All Together Now

A parceria até não está assim tão má, apesar da gaja dos Mesa não saber cantar. O introito do Manuel João é simplesmente fenomenal e o resultado final sempre é bem melhor do que as outras coisas semelhantes da mesma colectânea. Apesar de todas as loas de que esta publicidade tem sido alvo, é bom que se perceba a falta de gosto da maior parte dela. Factor que era tão recorrente na pornografia vintage, apesar do seu estatuto lendário.

Já agora, o que raio é que ele iria rimar com "jota"? Malandrice!

domingo, 9 de outubro de 2011

Snake Day


PJ Harvey - Snake

The European Snake Society organises its annual Snake Day on Sunday October 9, 2011 at Expo Houten in Houten (5 km south of Utrecht), in the Netherlands.

sábado, 8 de outubro de 2011

Deus não sabe, mas imagina...

Aya Hirano

A Melancolia de Haruhi Suzumiya - série animada onde Hirano dá voz à personagem titular - foi reconhecida pelo impacto que já conseguiu ter na animação japonesa, e pela popularidade descomunal que atingiu. Qualquer fã actual de anime que não tenha visto Haruhi não sabe o que anda cá a fazer. Com tal ambiente de fanatismo à sua volta, torna-se natural que o impacto de acção/reacção por parte dos fãs, e respectiva pressão mediática, seja um bocado extrema.
De qualquer modo, Aya Hirano ainda tem bastante por onde prosseguir na carreira, uma vez que tem uma voz única e mais ninguém a consegue fazer daquela forma.


Aya Hirano - "God knows…"

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

F - A# - G# - C#

A vaidade intelectual é uma coisa lixada. Impede muita gente de ver a grandeza inerente em determinado momento musical e o impacto cultural resultante do agitar de pântanos estagnados. Porque foi isso que o álbum Nevermind fez, uma fotografia de uma catarse sonora, um instantâneo das emoções de Kurt Cobain, passados sob a forma de música.
"Smells Like Teen Spirit" rompe com o habitual na monotonia das canções pop que se ouviam até aí, através de uma fórmula de variação dinâmica que já se encontrava presente, por exemplo, no trabalho dos Pixies.
Nevermind é um rastilho, que depois incendiou os media. Os mesmos que já tinham utilizado o termo "grunge" no final dos anos 80, mas que não tinham nenhuma banda que fosse popular o suficiente para o massificar. Um rastilho semelhante ao "Anarchy in the U.K." dos Sex Pistols, que tinha sido lançado quinze anos antes, havendo por isso toda uma geração de pessoas que nunca tinha assistido a nada parecido.

Como qualquer rasgão no status quo musical, o torpedo sonoro entregue pelos Nirvana era pouco complexo e estimulava directamente os centros de recompensa do cérebro. Fazia parte da "Electric Church" popularizada por Jimi Hendrix, outro nativo de Seattle e, ao tempo, um arquitecto da Revolução.
Todas as bandas aspiram à Revolução, penso que esta frase foi dita pelos Sonic Youth, e a música anti-situacionista, seja a do Hendrix, a dos Pistols, ou a dos Nirvana, tem sempre o mesmo objectivo: mexer com a consciência das pessoas, agitar as águas, acordar qualquer coisa dentro da alma das pessoas que previamente estavam a dormir, embaladas pela música sem alma que lhes é fornecida pelo sistema.
Claro que o próprio sistema abraça essa mesma música, para depois a regurgitar e comercializar sem qualquer pudor, mas isso é algo que lhe é inerente. A pancada inicial, essa, fica para sempre, bem como o entalhe resultante na história. Reconhecer o seu contributo actual é algo da mais elementar justiça. O resto é inveja.


Nirvana - Smells Like Teen Spirit

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Power-up evolutivo

Mandy Musgrave

As fêmeas humanas ficam mais receptivas à presença masculina durante o período fértil, na altura em que estão a ovular. Isto deve-se à necessidade inconsciente de terem o seu óvulo fertilizado pelo sémen do melhor parceiro possível. São elas que escolhem as características associadas a um bom macho reprodutor, como o tamanho e a forma das suas mãos, ou o facto destes tocarem um instrumento musical.
As mãos são uma característica humana. Estas podem agarrar de forma violenta ou gentil. São um sintoma de masculinidade e presença de testosterona. São um reflexo do domínio masculino e submissão feminina. São as mãos que tocam, e que se insinuam sem piedade nas partes mais íntimas e húmidas de uma mulher. São as mãos que manuseiam o punho de uma espada. São as mãos que tocam numa viola-baixo, cuja frequência grave e percutida é o trovão dos deuses, visceral e primitivo; a dança da dançarina de raqs sharqi, o martelo de Thor, a chuva, que é o sangue de Quetzalcoatl fecundando a terra; as ancas masculinas a baterem nos quadris femininos no momento da cópula; o bater do coração e a pulsação tribal do sangue do membro, deslizando por essa escala de tons que é o corpo da mulher. O baixista é uma serpente que ondula ao som do balanço que este próprio cria, e que a mulher sente; um som assustador, mas que a fascina ao mesmo tempo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A música nasce

Amy Jane Winehouse (1983 - 2011)

Não há paciência! O serviço noticioso resume-se à Noruega e à Amy... à Amy e à Noruega... mais a Noruega e a Amy. Era pedir muito que os vários media: o social e o tradicional, se dispusessem a não debicar alegremente no cadáver até ao fastio, tendo em conta a forma tablóide como sempre a trataram. Mas a morte causa esse tipo de prazer mesquinho e mórbido nas pessoas, e o circo mediático dá-lhes o pão que elas desejam.
"Verbis defectis musica incipit". Adeus e até à próxima!


Amy Winehouse - Back to Black (BBC One Sessions)

sábado, 23 de julho de 2011

Em Lisboa nascida

Amália tornou-se um mito. O culminar da expressão musical nacional do século XX, cuja influência cultural ainda hoje é reconhecida em vários países do mundo. A pedra de toque com que qualquer mulher fadista se comparou posteriormente.
Mas ninguém como a Hermínia para destruir o mito. Assim a modos que pela refunda.


Hermínia Silva - Vou dar de beber à alegria

sexta-feira, 8 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Como diz o “outro”: “Este fim-de-semana foi assim”


José Afonso - Chula da Póvoa
«... Onde um primeiro ministro
Já manda à merda os operários... »

terça-feira, 31 de maio de 2011

Diz-me com quem andas

A maioria daqueles que hoje dominam os meios artístico e jornalístico nacionais; ou seja, o mundo do espectáculo, iniciaram a sua escalada ao poder no início dos anos 80. Quando se tornou necessário substituir o status quo vigente por sangue novo. Mesmo que, em alguns casos, se tratasse de sangue contaminado.
A postura exagerada da comunicadora Manuela Moura Guedes, no tom e na posse, vem desse rompimento. A sua acção não se ficou pela televisão, uma vez que Paulo Portas; de quem é amiga pessoal, a convidou para a política, tendo chegando mesmo a ser eleita deputada pelo Partido Popular.
"Alibi" é hoje um álbum de culto, com o vão e apavonado epíteto de ter estado na vanguarda da música ligeira dos anos 80. A propósito deste álbum, o suplemento do Diário de Notícias escreve num artigo retrospectivo que: «Rui Reininho e Toli (GNR) e Vítor Rua (Ex-GNR) são os três mosqueteiros de "Alibi" ... O disco é bem recebido pela crítica e o toque GNR dá-lhe a garantia de qualidade que Manuela procurava».

Parece bastante óbvio que a crítica em Portugal, funcionando num sistema corporativo de capelinhas, trataria de incensar até à exaustão esta obra da Manuela. Tal não invalida que se trate de esterco, uma vez que foi como se a confluência de duas gigantescas massas de bosta se tivessem unido por um processo de coalescência, e produzissem a tempestade perfeita de merda que se pode escutar em "Alibi".
Parece mais ou menos pacífico para as almas descomprometidas que, chamar Manuela Moura Guedes de jornalista; ou Vitor Rua e os GNR, de músicos, acaba por ser ofensivo para as respectivas classes profissionais. No entanto, eis quem as domina.
Apesar de apregoarem contra o sistema, tanto Vítor Rua, como Manuela Moura Guedes, são parasitas sistémicos. Endoparasitas, uma vez que se alojam no trato intestinal deste nosso país, apropriando-se dos nutrientes que o deveriam tornar saudável, e que, devido à acção de uma multitude de parasitas semelhantes a eles, acabam por tornar Portugal num país culturalmente débil.

sábado, 28 de maio de 2011

A Revolução

Gil Scott-Heron (1949 - 2011)

THE REVOLUTION WILL NOT BE TELEVISED

You will not be able to stay home, brother. You will not be able to plug in, turn on and cop out. You will not be able to lose yourself on skag and skip, Skip out for beer during commercials, Because the revolution will not be televised.
The revolution will not be televised. The revolution will not be brought to you by Xerox In 4 parts without commercial interruptions. The revolution will not show you pictures of Nixon blowing a bugle and leading a charge by John Mitchell, General Abrams and Spiro Agnew to eat hog maws confiscated from a Harlem sanctuary. The revolution will not be televised.
The revolution will not be brought to you by the Schaefer Award Theatre and will not star Natalie Woods and Steve McQueen or Bullwinkle and Julia. The revolution will not give your mouth sex appeal. The revolution will not get rid of the nubs. The revolution will not make you look five pounds thinner, because the revolution will not be televised, Brother.

There will be no pictures of you and Willie May pushing that shopping cart down the block on the dead run, or trying to slide that color television into a stolen ambulance. NBC will not be able predict the winner at 8:32 or report from 29 districts. The revolution will not be televised.
There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay. There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay. There will be no pictures of Whitney Young being run out of Harlem on a rail with a brand new process. There will be no slow motion or still life of Roy Wilkens strolling through Watts in a Red, Black and Green liberation jumpsuit that he had been saving For just the proper occasion.

Green Acres, The Beverly Hillbillies, and Hooterville Junction will no longer be so damned relevant, and women will not care if Dick finally gets down with Jane on Search for Tomorrow because Black people will be in the street looking for a brighter day. The revolution will not be televised. There will be no highlights on the eleven o'clock news and no pictures of hairy armed women liberationists and Jackie Onassis blowing her nose. The theme song will not be written by Jim Webb, Francis Scott Key, nor sung by Glen Campbell, Tom Jones, Johnny Cash, Englebert Humperdink, or the Rare Earth. The revolution will not be televised.

The revolution will not be right back after a message about a white tornado, white lightning, or white people. You will not have to worry about a dove in your bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl. The revolution will not go better with Coke. The revolution will not fight the germs that may cause bad breath. The revolution will put you in the driver's seat. The revolution will not be televised, will not be televised, will not be televised, will not be televised. The revolution will be no re-run brothers; The revolution will be live.

Gil Scott-Heron - "The Revolution Will Not Be Televised", Pieces of a Man (1971)