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sábado, 22 de junho de 2013

Like a Boss

James Gandolfini (1961 - 2013)

O glamour do humor sarcástico no cinema dos anos cinquenta e sessenta foi sendo abandonado em favor de abordagens politicamente mais correctas. Até que no novo milénio surgiu The Sopranos, série televisiva que estava muito à frente da sua época. Na altura que estreou entre nós, esta série "familiar" apanhou-me numa fase de transição da minha vida, o que talvez me tenha permitido um equilíbrio que eu não tinha até aí. Equilíbrio semelhante ao que eu gostava de encontrar actualmente.
Tony era cool. Praguejava como ninguém, agarrava num taco de basebol e resolvia as coisas logo no momento. Como é possível não gostar de alguém assim?
Agora Gandolfini morreu e só ficam as imagens na minha cabeça e a música nos meus ouvidos... "Woke up this mornin', got yourself a gun. Got yourself a gun. Got yourself a gun..."

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Humor Britânico

Margaret Thatcher (1925 - 2013)

A baronesa Thatcher havia já sido "morta" por vários artistas tais como Morrissey, vocalista dos The Smiths, ou por Elvis Costello. No entanto, a doutrina actual de desregulação dos mercados financeiros, de flexibilização laboral e de privatização das companhias estatais, mostram que o seu tipo de política está mais vivo do que nunca. Não adianta a bruxa ter morrido, como cantam alegremente as pessoas de bem, se existe uma cambada, que é uma porção de objetos pendurados por um fio, de malfeitores dispostos a seguir a sua política.

Prime Minister: Yes, it's all very simple. I want you to abolish economists.
Jim Hacker: (mouth open) Abolish economists, Prime Minister?
Prime Minister: Yes, abolish economists, and quickly.
Sir Humphrey: (silkily) All of them, Prime Minister?
Prime Minister: Yes, all of them. They never agree on anything. They just fill the heads of politicians with all sorts of curious notions, like the more you spend, the richer you get.
(...)

Yes Minister - The Thatcher Sketch (1984)

sábado, 7 de abril de 2012

A tristeza do FMI


«Η κατοχική κυβέρνηση Τσολάκογλου εκμηδένισε κυριολεκτικά τη δυνατότητα επιβίωσής μου που στηριζόταν σε μια αξιοπρεπή σύνταξη που επί 35 χρόνια εγώ μόνον (χωρίς ενίσχυση κράτους) πλήρωνα γι΄αυτήν.
Επειδή έχω μια ηλικία που δεν μου δίνει την ατομική δυνατότητα δυναμικής αντίδρασης (χωρίς βέβαια να αποκλείω αν ένας Έλληνας έπαιρνε το καλάσνικωφ ο δεύτερος θα ήμουν εγώ) δεν βρίσκω άλλη λύση από ένα αξιοπρεπές τέλος πριν αρχίσω να ψάχνω τα σκουπίδια για την διατροφή μου.
Πιστεύω πως οι νέοι χωρίς μέλλον, κάποια μέρα θα πάρουν τα όπλα και στην πλατεία Συντάγματος θα κρεμάσουν ανάποδα τους εθνικούς προδότες, όπως έκαναν το 1945 οι Ιταλοί στον Μουσολίνι (Πιάτσα Πορέτο του Μιλάνου).»


«O governo de ocupação de Tsolakoglou aniquilou, literalmente, a minha capacidade de sobrevivência que dependia de uma respeitável pensão que, durante mais de 35 anos (sem nenhuma ajuda do Estado) paguei sozinho.
Dado que a minha idade avançada não me permite reagir de outro modo (apesar de que, se um compatriota grego pegasse numa Kalashnikov, eu o apoiaria) não vejo outra solução que não seja pôr um fim à vida de forma digna para não ter de acabar a procurar nos contentores do lixo para conseguir sobreviver.
Acredito que os jovens sem futuro pegarão em armas, e enforcarão de cabeça para baixo os traidores deste país na Praça Sintagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945 (Piazzale Loreto em Milão).»
Dimitris Christoulas, 4 de Abril de 2012.



Da tristeza do FMI:
O FMI é uma instituição e as instituições não têm emoções, logo o FMI nunca poderá ficar triste, porque a tristeza é uma emoção.
Os especuladores financeiros que lá trabalham também não podem sentir-se tristes porque qualquer especulador financeiro é por inerência um psicopata, categoria de pessoas que não tem empatia pelo sofrimento alheio.
Hoje faz um ano que o FMI não aterrou na Portela, embora o pico de mortalidade em Portugal tenha sido em Fevereiro. Mas Abril é um mês de mudança. De mudança de governo. Por isso três palavras:

The Prodigy - Invaders Must Die

domingo, 11 de março de 2012

Adeus, Moebius

Auto retrato de Jean Giraud (1938 - 2012)

O que mais me impressionou na obra de Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, foi o uso do contraste. O traço forte e a forma como a luz incide, colando-se na perfeição com a crueza e o desespero dos seus personagens.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dei Gratia

Jaime Graça (1942 - 2012)

Jaime Graça fez parte da equipa que ganhou o campeonato sem derrotas, e que construiu a mística benfiquista enquanto eu crescia. Obrigado Jaime Graça.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O ser humano

Sócrates (1954 - 2011)

O primeiro campeonato do mundo de que me lembro conscientemente foi o de 1982. As revistas brasileiras de quadradinhos; os chamados "gibi"; davam destaque e apoiavam a equipa brasileira, que se esperava que fizesse um grande mundial em Espanha. Foi aí, e lendo sobre eles, que conheci o Sócrates, o Falcão e o Zico. Deste modo, Sócrates já era uma lenda, mesmo antes de o ver jogar.
O futebol moderno não tem, nem nunca voltará a ter, um jogador assim. Nem nunca voltará a ter uma equipa como o Brasil de 1982. No jogo com a Argentina, na altura detentora do título, a bola fica naquilo que parece uma eternidade na posse do Brasil, que ia trocando a bola com o adversário a ver jogar.
A especialização do futebol profissional moderno privilegia jogadores acéfalos, com poucos sentimentos, ainda menores escrúpulos, e que sejam semelhantes a máquinas, para poderem ser trocados, vendidos, injectados e descartados quando deixarem de funcionar. Os jogadores com coração, emoção e inteligência são prejudiciais para o sistema, uma vez que este sistema se alimenta do consumo das massas, num regime tecnocrático que despreza a vida humana.
Sócrates era a humanidade no futebol. A vontade de fazer com que o jogo fosse um conforto da alma das pessoas. Sócrates soube viver, porque uma boa vida é aquilo que se espera que o ser humano tenha.

Imagem: The Inquisitor

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Guerreiro espiritual

Andy Whitfield (1974 - 2011)

Esta é uma notícia triste. Andy Whitfield ficará para sempre conhecido pelo papel de Spartacus, na primeira temporada da recente série televisiva do mesmo nome. O seu desempenho de um herói que conseguia inspirar os outros, para que estes concretizassem o impossível, era um dos pontos mais fortes do épico. Agradecimentos pela arte e pela inspiração de coragem face à adversidade, tanto na ficção, como na realidade.
Descanse em Paz.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A música nasce

Amy Jane Winehouse (1983 - 2011)

Não há paciência! O serviço noticioso resume-se à Noruega e à Amy... à Amy e à Noruega... mais a Noruega e a Amy. Era pedir muito que os vários media: o social e o tradicional, se dispusessem a não debicar alegremente no cadáver até ao fastio, tendo em conta a forma tablóide como sempre a trataram. Mas a morte causa esse tipo de prazer mesquinho e mórbido nas pessoas, e o circo mediático dá-lhes o pão que elas desejam.
"Verbis defectis musica incipit". Adeus e até à próxima!


Amy Winehouse - Back to Black (BBC One Sessions)

sábado, 28 de maio de 2011

A Revolução

Gil Scott-Heron (1949 - 2011)

THE REVOLUTION WILL NOT BE TELEVISED

You will not be able to stay home, brother. You will not be able to plug in, turn on and cop out. You will not be able to lose yourself on skag and skip, Skip out for beer during commercials, Because the revolution will not be televised.
The revolution will not be televised. The revolution will not be brought to you by Xerox In 4 parts without commercial interruptions. The revolution will not show you pictures of Nixon blowing a bugle and leading a charge by John Mitchell, General Abrams and Spiro Agnew to eat hog maws confiscated from a Harlem sanctuary. The revolution will not be televised.
The revolution will not be brought to you by the Schaefer Award Theatre and will not star Natalie Woods and Steve McQueen or Bullwinkle and Julia. The revolution will not give your mouth sex appeal. The revolution will not get rid of the nubs. The revolution will not make you look five pounds thinner, because the revolution will not be televised, Brother.

There will be no pictures of you and Willie May pushing that shopping cart down the block on the dead run, or trying to slide that color television into a stolen ambulance. NBC will not be able predict the winner at 8:32 or report from 29 districts. The revolution will not be televised.
There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay. There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay. There will be no pictures of Whitney Young being run out of Harlem on a rail with a brand new process. There will be no slow motion or still life of Roy Wilkens strolling through Watts in a Red, Black and Green liberation jumpsuit that he had been saving For just the proper occasion.

Green Acres, The Beverly Hillbillies, and Hooterville Junction will no longer be so damned relevant, and women will not care if Dick finally gets down with Jane on Search for Tomorrow because Black people will be in the street looking for a brighter day. The revolution will not be televised. There will be no highlights on the eleven o'clock news and no pictures of hairy armed women liberationists and Jackie Onassis blowing her nose. The theme song will not be written by Jim Webb, Francis Scott Key, nor sung by Glen Campbell, Tom Jones, Johnny Cash, Englebert Humperdink, or the Rare Earth. The revolution will not be televised.

The revolution will not be right back after a message about a white tornado, white lightning, or white people. You will not have to worry about a dove in your bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl. The revolution will not go better with Coke. The revolution will not fight the germs that may cause bad breath. The revolution will put you in the driver's seat. The revolution will not be televised, will not be televised, will not be televised, will not be televised. The revolution will be no re-run brothers; The revolution will be live.

Gil Scott-Heron - "The Revolution Will Not Be Televised", Pieces of a Man (1971)

sábado, 23 de abril de 2011

Portugal antigo e Portugal moderno

A riqueza cultural de uma nação, mais do que de um país, revela-se no facto de conseguir fazer as pazes com o seu passado e valorizar os seus ícones. O esvaziamento da psique popular, que permite que apareçam projectos musicais sem o mínimo de qualidade, está na forma totalmente criminosa como fizeram a lobotomia ao passado musical português. Algo que não permite a evolução de formas nem de estilos, e que faz com que os actuais músicos portugueses se encontrem órfãos de uma continuidade, ou que indevidamente se apropriem de legados artísticos que deveriam ser respeitados de uma forma digna.
Aqui fica o meu obrigado a João Maria Tudela, por tudo o que representou para a música portuguesa e de matriz perfeitamente internacional e cosmopolita que se fazia nos idos de sessenta. A minha singela homenagem a alguém a quem os músicos portugueses muito ficariam a dever, se este país tratasse melhor as pessoas que o merecem.

A honestidade e a ética musical revelam-se na atitude que cada músico tem com o próprio trabalho que desenvolve. Na sociedade moderna, os valores do mercado impõem o marketing e o merchandising de produtos musicais e a vacuidade do seu conteúdo, da sua forma, imagem e aparência, sobre aquilo que deveria realmente interessar, que é a genuína transmissão de sentimentos através de algo tão poderoso como a expressão musical.
Pode-se argumentar que o profissionalismo implica esse tipo de venda da alma, mas essa nunca foi a abordagem que tive em relação à música. Uma das minhas primeiras fontes de inspiração foi o Zé Leonel, conhecido por ter sido um dos primeiros vocalistas dos Xutos, antes destes se terem tornado no monstro que são hoje e de ele próprio ter conseguido algum sucesso comercial.
Agradeço o seu apelo para que os músicos, que muitas vezes têm de fazer todo o tipo de esforço para mostrar o seu trabalho, nunca desistam.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Chuva ao entardecer

Artur Agostinho (1920 - 2011) fotografado por João Girão

Pensei um bocado antes de escrever sobre Artur Agostinho. Parecia-me que qualquer coisa que escrevesse estaria carregada de lugares-comuns e frases feitas. Como dizia um amigo meu, nunca se lhe ouviu um balbuciar, a sua voz não hesitava e a sua mente estava sempre em movimento. A verdadeira essência da comunicação é mesmo assim, a linguagem deve ser inteligível e nunca se deve deixar o discurso em suspenso.
Mas um tipo de comunicador como o Artur pertence a uma era romântica, em que existia tal figura cavalheiresca e imbuída de desportivismo. Hoje em dia, poucos sabem o que isso significa.

Imagem: Arquivo DN

terça-feira, 1 de março de 2011

Ícone

Jane Russell (1921 - 2011)

Desde o western até ao noir, passando pela comédia musical, os filmes de hoje não seriam os mesmos sem a marca que ela deixou nos de antigamente. "The Outlaw" (1941) e "The French Line" (1953) foram dois filmes que provocaram escândalo devido à sua figura voluptuosa, e o amargo dos censores e de católicos.
Apesar do seu pensamento mais conservador em anos recentes, nunca deixou de causar controvérsia. A mesma controvérsia que a fez nunca querer desmontar da sela e seguir o caminho mais fácil.
A mesma sela de onde muitos de nós escorrega ao longo da vida.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tempos de angústia

José Afonso (1929 - 1987)

Faz hoje vinte e quatro anos que desapareceu José Afonso. A resistência das suas quadras continua a fazer sentido hoje, mas o problema é que a sua música se institucionalizou. Todos aqueles que se alvoram de democratas, prestam-lhe tributo no Vinte e Cinco de Abril e apropriam-se da sua música.
Estamos em Fevereiro e talvez não seja de bom tom, porque não estamos em Abril. Em Portugal, as instituições são para celebrar até que fiquem vazias de conteúdo e, pelos vistos, não interessa preservar esta memória. Compete a todos nós libertar as correntes que amarram o Zeca e devolve-lo ao povo.

O ano do Senhor de 1987. Acabados de entrar na então distante Comunidade Económica Europeia, com a Revolução lá longe e a Guerra Fria ao pé. A Líbia de Gaddafi, sempre ele, combatia e perdia uma guerra com o vizinho Chade.
O presidente americano Ronald Reagan é operado à próstata, o que não deixa de ser constrangedor para uma super-potência, depois de ter vendido armas ao inimigo Irão e aos Contras da Nicarágua.
O aviador alemão Mathias Rust provou que o sistema de defesa soviético era de facto uma porcaria, ao aterrar em plena Praça Vermelha. Foi um ano de memória, não sei se boa, se má.

José Afonso - Era um redondo vocábulo

Adenda: 1987 foi também o ano em que o F.C.Porto conquistou a sua primeira Taça dos Campeões Europeus, numa final contra o Bayern. Na altura, eu era ingénuo o suficiente para torcer por eles (por nós). O que vale é que o Zeca "não ia em futebois", embora eu desconfie que ele fosse da Académica de Coimbra.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O adeus a Maria

Maria Schneider (1952 - 2011)

"Holy family. Church of good citizens. The children are tortured until they tell their first lie. Where the will is broken by repression. Where freedom is assassinated by egotism."
“Ultimo Tango a Parigi”, 1972.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Relembrando Jaco

John Francis "Jaco" Pastorius (1951 - 1987)

Passam hoje vinte e três anos da morte de Jaco Pastorius. Provavelmente o mais influente e carismático baixista de todos os tempos, na história da música. Desde que o baixo-eléctrico foi inventado algures nos anos trinta, que nunca houve, e possivelmente nunca mais haverá, alguém com a sua mítica proficiência. A qual pode ser comparada à de Jimi Hendrix em relação à guitarra, e com a semelhança de ambos os músicos terem conhecido um fim prematuro.
Sofrendo daquilo que hoje é dia é reconhecido como bipolaridade, de cujos estados a sua criação musical tem algo a dever, Pastorius abraçou a um dado momento, um tipo de comportamento errático, que o levou ao álcool e aos anti-depressivos, à medida que a sua saúde se ia deteriorando.

Tudo acabou em Fort Lauderdale, na Florida. Jaco tinha sido expulso de um concerto de Carlos Santana, tendo-se dirigido em seguida para o Midnight Bottle Club com a sua excentricidade e temperamento. A sua entrada nesse estabelecimento é recusada, o que faz com que Jaco pontapeie a porta de vidro. Segue-se uma violenta altercação com o porteiro, que resulta em múltiplas fracturas dos ossos faciais e do braço esquerdo, tendo ficando inanimado no passeio durante um certo tempo.
Ao ser levado para o hospital, Pastorius entra em coma, e apesar de uma certa recuperação inicial, uma hemorragia cerebral uns dias depois torna-se fatal. Jaco Pastorius tinha-nos deixado. Tinha apenas trinta e cinco anos.

Jaco Pastorius (with Weather Report) - Portrait Of Tracy

domingo, 5 de setembro de 2010

Ser Grande

José Torres (1938 - 2010)

Fascina-me a bondade existente nas pessoas que são seres humanos completos, e cujos actos em relação ao próximo reflectem esse estado de espírito.
Com ele desaparece uma ideia, para mim romântica, de selecção nacional.

Um dos preceitos do código dos samurais - o bushidō - é a Benevolência (仁 jin). O ideograma que representa esta virtude (仁) mostra um homem que liga o Céu e a Terra. O verdadeiro gigante é o gigante da alma.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Aplausos para o António

António Feio (1954 - 2010)

O verdadeiro doente é a sociedade onde vivemos e apesar disso, ele era são de pensamento. Descanse em Paz.

Imagem do Publico

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Em memória do Saramago, que deixou de estar!

José Saramago (1922 - 2010)

Sempre vi José Saramago como o puro e interventivo "homem político" aristotélico. Apesar das circunstanciais brisas políticas não o terem favorecido e da unanimidade, muitas vezes contrariada, de alguns sectores da sociedade ao seu génio literário. Gostaria antes de mais, de dar relevo à sua enternecedora luta pelos Direitos do Homem, cuja declaração praticamente ninguém conhece.
Revelava uma pessoa profunda e genuinamente preocupada com o destino e evolução da humanidade e com os sentimentos mais nobres entre as pessoas, que são, muitas vezes, atropelados pela mesquinhez, torpeza, vilanagem e outro tipo de sentimentos desumanos.
A questão em torno do seu amor pátrio é absurda. O elemento mais básico da definição de um povo ou de uma tribo, mais do que a sua genética, cultura ou religião é a sua língua.
Neste aspecto, José Saramago sempre se revelou, mais do que um português, um apaixonado pela cultura e literatura portuguesa, ao qual juntou nesse amor, uma componente ibérica, e por fim, uma dimensão internacional. Equiparando o seu trabalho ao de outros romancistas actuais de renome, como Paul Auster ou Kenzaburō Ōe. Fazendo dele um digno e verdadeiro representante de Portugal.

Merecido esse destaque entre os autores contemporâneos, tal como se poderia destacar o visceral Lobo Antunes, ou o maldito e malogrado Luiz Pacheco. Este último incompatibilizado com Saramago, por uma questão de feitios, embora reconhecendo, que com o Memorial do Convento (1982) Saramago teria atingido uma fasquia que seria difícil ao próprio superar. Fasquia essa, superada na opinião de alguns com o Ensaio sobre a Cegueira (1995).
Apesar de admirar todos estes autores, tenho uma certa simpatia pela escrita torrencial de Saramago, tal como o uso alegórico (e não parabólico, como se diz) de temas, à primeira vista tão obviamente próximos da reflexão, e por último, da sua capacidade de agitar as águas, muitas vezes pantanosas e lamacentas, da consciência nacional.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Farewell #2

Paul Gray (1972 - 2010) fotografado por Gene Smirnov

Esta Primavera está a ser nefasta. Primeiro o Pete Steele e o Dio. Agora o Paul Gray, baixista dos Slipknot.
Nunca me considerei um "maggot", embora tenha seguido casualmente a banda do Iowa desde o primeiro álbum. Mas foi a partir dos "Subliminal Verses" que passaram a ter relevância para mim.
Desejo-lhes o melhor que for possível perante este acontecimento.

A ver se, por enquanto, mais ninguém tira bilhete de saída, ou isto vai começar a tornar-se um local bastante aborrecido.