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sábado, 22 de junho de 2013

Like a Boss

James Gandolfini (1961 - 2013)

O glamour do humor sarcástico no cinema dos anos cinquenta e sessenta foi sendo abandonado em favor de abordagens politicamente mais correctas. Até que no novo milénio surgiu The Sopranos, série televisiva que estava muito à frente da sua época. Na altura que estreou entre nós, esta série "familiar" apanhou-me numa fase de transição da minha vida, o que talvez me tenha permitido um equilíbrio que eu não tinha até aí. Equilíbrio semelhante ao que eu gostava de encontrar actualmente.
Tony era cool. Praguejava como ninguém, agarrava num taco de basebol e resolvia as coisas logo no momento. Como é possível não gostar de alguém assim?
Agora Gandolfini morreu e só ficam as imagens na minha cabeça e a música nos meus ouvidos... "Woke up this mornin', got yourself a gun. Got yourself a gun. Got yourself a gun..."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Questões verdadeiramente pertinentes

Galhofa na SIC Notícias. Mário Crespo, Vicente Jorge Silva e Zé Luís Arnaut a discutirem os estatutos do PS ao pormenor, com o artigo cento e tal a ser esmiuçado, para explicar porque é que o Seguro é um golpista, para no final não haver um segundo que fosse para falar dos 15% de desemprego. Diz o inefável Crespo: "Os 15% de desemprego seria um assunto interessante, mas já não temos tempo."
"De seguida, rigorosamente a não perder, Paulo Garcia no Dia Seguinte" porque é preciso continuar a hipnotizar as pessoas.
Mas porque razão é que eu continuo a ver aquela merda?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Porcos carregados de pérolas

O ano passado fiz a minha homenagem ao passar de José Afonso. Este ano, devido talvez a ser um número mais redondo, as homenagens surgiram em catadupa por toda a parte. Por norma, não gosto do tipo de celebração que se empola devido ao facto de se passarem 25 anos, mas deu para perceber a raiva que os sectores de direita têm pela figura do Zeca. Que ainda hoje têm.
Todos os canais televisivos tiveram um tratamento deplorável com a memória de José Afonso. A RTP encerrou um dos seus serviços noticiosos com uma prestação do Tozé Santos, do projecto Zeca Sempre, uma parvoíce que consiste em ganhar um cobres com a memória do Zeca, em "laivos pop-rock". Fazendo aquilo que qualquer estudante secundário faria caso tivesse uma guitarra e tentasse tocar José Afonso, mas em pior.
Na TVI, o pivot televisivo José Alberto Carvalho indaga sobre se a obra de José Afonso "ainda faz algum sentido nos tempos que correm", ao mesmo tempo que perora sobre o facto do "cantor de intervenção" "também ter sido um fadista". Não vou aqui analisar exaustivamente a diferença que existe entre o facto de inicialmente José Afonso ter procurado evoluir a forma da balada coimbrã, com o o facto de ser necessário, desde que o fado se tornou património mundial, aproveitar todas as oportunidades para o promover desenvergonhadamente. Vou somente fazer um paralelismo entre o nome do José Alberto, e o facto de o mandar para o caralho.
Mas a pérola tinha de vir do afilhado de Marcelo Caetano, Marcelo Rebelo de Sousa. No seu segmento televisivo semanal onde comenta sobre tudo e sobre nada, resolve referir a data redonda com a versão no Coliseu da Balada do Outono, sem nunca se referir ao nome da música, o qual provavelmente nem deve saber, tendo pedido ao editor que lhe arranjasse o vídeo, que foi prontamente amputado após o genérico do programa acabar. Homenagens e respeito pelos outros é algo completamente diferente de referir a data só porque tem de ser. Só porque está institucionalizado que devem ser referidos os 25 anos. Mais valia que nada tivessem feito, que era mais respeitador da memória dos mortos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O mandil de Carolina

Carolina Torres

Em vez das histrionices e macacadas num programa decadente, poderia estar a cantar e a bailar. Tem técnica e vocação suficientes para tal, e embora já tenha aprendido alguma coisa do que deve ser a comunicação e o ritmo de um programa televisivo, torna-se bastante notório que não nasceu para isso.

"El mandil de Carolina
Tiene un yagartu pintado
Cuando Carolina baila
El yagartu mueve el rabu
"

sábado, 31 de dezembro de 2011

Se hibernasse, não jantava. Se não jantasse, não tinha de levar com isto

Se existe algo de bastante engraçado nas "revistas do ano", que todos os canais noticiosos costumam fazer por esta altura, é a constatação da quantidade infindável de notícias de merda e de manipulação que aconteceram durante o ano que agora finda. As pessoas que editam esse tipo de coisa poderiam apresentar os fenómenos que só se conseguem detectar a longo prazo, e aproveitar para desmistificar o jogo político, e a ilusão dada aos cidadãos de que têm opção de escolha eleitoral. Mostrar a parede de tijolo, como diria Zappa, onde tudo é encenado para que nós acreditemos. Houve este ano várias campanhas eleitorais, o que não houve foi eleições.
Claro que é sempre bonito recordar uma Sandra Felgueiras de lágrimas nos olhos, depois de levar com uma granada de gás lacrimogéneo, na tromba e em Atenas, ou da excitação do João Adelino Faria, ao falar do casamento real, que nas suas palavras foi extremamente importante, não só para Inglaterra e para Europa, como até para o mundo. Justificando esta última tirada, com o facto desse evento ter sido coberto por uma miríade absurda de media, usando assim a falácia do argumentum ad populum. Falácia essa, que foi atirada na cara dos telespectadores sob a forma de interrogação. Tão manipulativo, este nosso João Adelino! Deve ser o excesso de açúcar do Natal.

Mas nem só da amostra de jornalistas vive este fim de ano. O outro lado do espelho da propaganda manipulativa, no circo que é a sociedade portuguesa, são os políticos. O ministro da tutela foi passar o réveillon na Madeira. Miguel Relvas, que entende como ninguém a forma como a informação deve ser comunicada aos portugueses, em tipo, conteúdo e timing, juntou-se ao "Bokassa" da Madeira, para juntos fazerem uma operação de charme e, ao mesmo tempo, descansarem uns valentes dias dessa actividade extremamente extenuante, que é a de enganarem os portugueses.
Por fim, aproveito para exprimir os meus desejos para 2012, com todo o fel que envenena e apodrece esta sociedade. Não consigo ter qualquer espírito positivo, e de qualquer forma, esse tipo de pensamento não me assenta. O que desejo para mim e para a humanidade deste canto da Europa, é que estejam num sítio seguro, quando isto começar a decair e, depois, a desmoronar. Estas são palavras de esperança. Não aquele empacotado do marketing obamiano, mas uma que radica na crença da sobrevivência. Este ano vai ser o ano dos excluídos, dos pobres, dos velhos, dos jovens, e, de um modo geral, de todos os que precisam de ganhar consciência de que só se deixam manipular se assim quiserem. Não será fácil, mas espero que dê frutos.

Annum faustum
Apophis

sábado, 19 de novembro de 2011

O palácio que ninguém vê

A pergunta que ainda ninguém fez em relação ao vídeo dos universitários burros, é o porquê de uma empresa do grupo Cofina estar a promover um produto do grupo Media Capital? A premissa base do vídeo parece ser a comparação da cultura geral do país universitário com a de uma concorrente do país dos reality shows ou "país real". Apesar do Ofídio apreciar a Cátia, por ela ser uma porca que mexe despudoradamente nas virilhas masculinas, não compreende o gozo que os portugueses gostam de ter com a ignorância alheia. O esplendor do palácio só depende do tipo de burro.
Não me surpreende a arrogância jornalística desde que vi uma reportagem de rua que inquiria se as pessoas sabiam o que era a nomofobia, perante a estupefacção do entrevistador. As regras deontológicas e profissionais não se aplicam a estes quasi-jornalistas, que provavelmente nem sequer devem ter carteira profissional, e supostamente trabalham num regime de recibos verdes, avenças, ou qualquer outro tipo de escravatura empresarial. A caridade humana pede para sentir pena por tal gente. Mais ainda, do que pelos universitários apanhados na armadilha mediática.

Manipulação é aquilo que o grupo Cofina melhor sabe fazer. Uma estratégia que se adequa na perfeição ao estilo tablóide de pasquins como o Correio da Manhã, a Sábado, o Record, o Destak e por aí fora. Quando o próprio sindicato e a entidade reguladora andam a toque de caixa de certos jornalistas, aqueles que serviram os vários governos durante anos, nada de bom se pode esperar. Quando certos elementos da classe gostam de dizer, não sem uma certa razão, que escolhem os políticos que temos e condicionam a nossa Justiça, então estamos conversados.
Se eu quisesse fazer um inquérito desse tipo, procurava perguntas mais prosaicas e concisas. Gostaria de saber quem são os donos da Newshold? Que, para quem não sabe, detém mais de 10% da estrutura accionista da Cofina, para além de serem os donos do semanário Sol e de 2% do grupo Impresa. Porque razão a Newshold é detida por um offshore manhoso situado algures no Panamá, e porque se ventilam os rumores de que são capitais angolanos que estão por de trás dela? Tantas perguntas, nenhuma resposta; e desconfio que a razão não seja bem devido à ignorância.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Guerreiro espiritual

Andy Whitfield (1974 - 2011)

Esta é uma notícia triste. Andy Whitfield ficará para sempre conhecido pelo papel de Spartacus, na primeira temporada da recente série televisiva do mesmo nome. O seu desempenho de um herói que conseguia inspirar os outros, para que estes concretizassem o impossível, era um dos pontos mais fortes do épico. Agradecimentos pela arte e pela inspiração de coragem face à adversidade, tanto na ficção, como na realidade.
Descanse em Paz.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Blog Party

Hoje apeteceu-me fazer blogosfera. Porque, de qualquer modo, isto é um blogue, e qualquer blogue precisa de mandar a sua farpa. Já tinha escrito uma vez (uma) sobre o Combate de Blogs (assim mesmo, sem "ue") e não pensei voltar a perder mais caracteres electrónicos sobre o assunto.
O comentário a este post do Der Terrorist é bom demais para ser ignorado, e a resposta, melhor ainda.

As razões porque não gosto do CdB descrevem-se em poucas palavras: os seus intervenientes falam com a leviandade própria da arrogância - aquilo que em linguagem mais erudita se designa por "puta da mania" - e limitam-se a tentar intoxicar a opinião pública, dando uma aura de comentadores independentes, quando no fundo, todos sabem quem é o respectivo dono ao qual obedecem, e julgam-se qualquer coisa de especial pelo facto das alarvidades que proferem estarem a ser transmitidas pelas ondas hertzianas.

Para eles aqui fica este grande tema de Ena Pá, que poderia ter sido utilizado como banda sonora do inesquecível Catroga durante a campanha eleitoral.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Juno e a Nuvem

Para se perceber a sátira, deve-se entender primeiro o alvo da mesma. Tal implica um certo nível de compreensão para a contextualizar, o que faz com que nem todas as pessoas a percebam. Não a percebendo, encontram deste modo uma barreira para a conseguirem apreciar, ou então tomam a nuvem por Juno. Não o filme da miúda grávida, mas a mulher de Júpiter.
Apesar do meu encontro imediato com os Homens da Luta não ter corrido bem, queria que eles progredissem naquele sarau da União Europeia de Radiodifusão. Nem que fosse para irritar o lobby que infesta o mercado artístico português, que corta as pernas à ascensão de sangue novo e que tanto se indigna com eles.
Sendo um purista, gostava que essa rábula nunca tivesse saído do "Vai Tudo Abaixo". O facto de se ter generalizado, fez com que se tornassem conhecidos dessas mesmas pessoas que têm a falta de compreensão necessária para apreciar a sátira.
Claro que os jornalistas, que supostamente são pessoas informadas, devem achar algo complicado destrinçar entre a pessoa Nuno, a persona Jel e o personagem Neto. Mas quem está habituado a esta coisa dos avatares, sabe distinguir essas diferentes construções da alma artística.

O recente "O Último A Sair" enveredou pelo mesmo género. O humor em Portugal atingiu um estado de decadência tal, que se torna necessário um aviso a indicar a existência do mesmo, ou então, um Fernando Mendes a vomitar piadas desconexas, de preferência acompanhado por outro gordo, como o Malato, para que o público se aperceba de que algo está a acontecer com o intuito de o fazer rir.
Apesar de não serem assim tão óbvios como os Homens da Luta (que na minha opinião, nem sequer eram a rábula mais engraçada do "Vai Tudo Abaixo") "O Último A Sair" já revela um apreciável culto, como é natural de produtos feitos para audiências mais restritas. O facto de estar naquele horário e naquele canal televisivo pode fazer mais pelo humor português do que as dezenas de pseudo stand-up comediants que foram surgindo nos últimos anos. Fornada na qual se incluía o Bruno Nogueira. A série de programas que ele gravou com o saudoso Raul Solnado foram quase como uma passagem de testemunho do humor a sério em Portugal. Que do humor a brincar já estamos conversados.

Adenda: No momento em que escrevia esta posta, o serviço do Blogger decidiu ir para manutenção e ficar read only durante vinte e quatro horas até um grupo de macacos ter conseguido resolver a instabilidade do sistema. Brincadeiras.

domingo, 13 de março de 2011

Homens à Bruta

Ó Jel... ou melhor... Ó Nuno, não vales a ponta de um corno! Isto resumindo, para evitar escrever os impropérios a que terias direito.
Existe um princípio inerente à manifestação que parte do senso comum: Os manifestantes fazem a sua marcha na cadência que eles pensam ser a apropriada. Nunca se deve forçar as pessoas, pois estas estão lá de livre e espontânea vontade a exercerem um direito básico de cidadania.
Estava eu perto da animação da Farra Fanfarra quando a carrinha de caixa aberta dos Homens da Luta tenta açambarcar, assim ao estilo dos banqueiros gananciosos, o espaço e o protagonismo que a fanfarra estava a ter na manifestação.
A carrinha de caixa aberta da Luta lá progredia sem qualquer tipo de respeito pelas pessoas que se encontravam à sua frente, e com batedores contratados, aos quais denominarei de Assalariados dos Homens da Luta, nos factos que vou passar a descrever.

Os Assalariados dos Homens da Luta (AHL) tentavam, sem sucesso, abrir caminho pelo meio da multidão, uma vez que esta estava demasiado compacta e a avançar demasiado lentamente para o protagonismo que os Homens da Luta procuravam. A Avenida da Liberdade era uma área densamente povoada de pessoas, mas infelizmente com pouca densidade de câmaras televisivas.
Um dos AHL's tenta desviar as pessoas para o lado, mas vê os seus esforços frustrados devido à já referida compactação de humanos à nossa frente.
Confrontando o AHL, e apontando para o pulso onde estaria o relógio que não uso, pergunto se eles têm alguma hora marcada para estar no Rossio, ao que o AHL me responde de uma forma atrapalhada que sim, e em seguida tenta intrujar, assim ao estilo do PM, qualquer coisa acerca do facto de que «eles» iriam cortar a energia (!?) se não chegassem depressa ao Rossio.

Nessa altura, perdi a calma - "Eles!" - "Mas «eles» quem?" - "Quem é que são «eles»?". O AHL, ao perceber que não está a falar com gente estúpida, tenta vagamente fugir à questão - "Eh pá... eles!". Por fim pergunto-lhe quem é que mandava ali, se éramos nós ou se eram «eles», fazendo um titubeante AHL compreender que os seus esforços seriam infrutíferos.
O escoamento à entrada no Rossio permite finalmente que a carrinha dos Homens da Luta consiga passar pela nossa direita. Nesse preciso momento, começo a ser empurrado por uma cambada de animais acéfalos, também designada por "público", que procura acompanhar a carrinha, mas consigo repor o meu espaço de segurança. A mesma sorte não teve uma rapariga que foi atropelada e espezinhada pelos ditos animais. Isto depois de eu lhes ter berrado para não terem pressa, e antes do megafone do Jel apelar ao "povo" para este ter cuidado com "a camarada que caiu".

Foi então que pensei que não me deveria ter preocupado com a brutalidade da polícia, mas antes com a brutalidade dos Homens da Luta. Foi a ganância em estar perto de uma câmara de televisão, que quase atropelava quem estava à frente da sua carrinha.
O cartoonista José Vilhena, na altura do PREC, afirmava que havia políticos que davam "o cú e cinco tostões" para aparecerem na televisão. Jel, tu dás o cú e cinco cêntimos! Finalmente lá tiveste a oportunidade para tocar a cançoneta em directo. Precário eras tu, quando enfiavas a mão no rabo dos bonecos dos políticos. Hoje são os políticos que enfiam a mão no rabo do boneco que tu és. Mas tu não te importas, desde que tenhas protagonismo televisivo.
Enfim. Estiveste mal, ó Jel. Foste promovido a prostituta mediática, daquelas mesmo reles, pela malta aqui do bairro. Mas não fiques preocupado, podes vir beber um copo com a gente na mesma!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A prateleira do leite

Nigella Lawson

Parabéns à Nigella pelo aniversário e pela magnífica prateleira.
Ao contrário de 99% da blogosfera lusa, o Ofídio ainda não tinha desenrolado nenhuma consideração dedicada ao espectáculo televisivo, que supostamente envolve comida, apresentado pela Nigella, embora nunca seja tarde para o fazer.
Agora que o hype em torno do programa já acalmou, esta é uma altura ideal. Devo confessar que os programas do género não me seduzem, com excepção do "No Reservations" do Anthony Bourdain, que continua a ser, e será certamente durante bastante tempo, o único programa sobre comida que vale a pena mencionar. Devido sobretudo à personalidade do seu apresentador e à componente geográfica da coisa.

Posto isto, o que tem "Na Cozinha com Nigella" de especial?
Eu poderia referir a quantidade descomunal de bolo inglês que está sempre à frente dos meus olhos, ou o facto dela lamber os dedos de forma gulosa, uma vez que, ao contrário dos restantes machos amordaçados que assistem ao programa, eu tenho a liberdade de não ser agredido pela cara-metade sempre que eventualmente possa largar algum fio de baba em frente ao televisor.
Curiosamente, é a serenidade daquela voz e o aspecto geral de quem mostra que está realmente a ter prazer naquilo que faz, o que no fundo, transforma o que seria um setting doméstico quase banal num programa televisivo de sucesso.
Bem hajas, Nigella.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O verão de Liliana

Liliana Queiroz

Sempre foi uma estrela em ascensão, conseguindo retirar da exposição do seu corpo a melhor vantagem para o sucesso mediático. Desde que vi umas pernas que nunca mais acabavam, quando ela ganhou a eliminatória nacional de Miss Playboy TV, que achei que ela iria ter sucesso.
Esse sucesso foi confirmado, já com um novo peito, no Playboy TV internacional (ou latino-americano, já que existe sempre esse estereótipo nos Estados Unidos) que acabou por vencer.
Desde essa altura que Liliana tem participado em algumas séries televisivas nacionais, certamente de bastante audiência, mas de qualidade duvidosa. O que me faz pensar que talvez seja necessário algo para dar o salto.

Passo a explicar. Desde que a espanhola Samantha Torres entrou para as páginas da Playboy em meados dos anos noventa, que desejei que Portugal tivesse a massa crítica suficiente para atingir esse nível.
Hoje em dia, apesar de Liliana Queiroz já ter ultrapassado esse patamar, ainda continuo insatisfeito. Talvez tenha algo a ver com a pequena dimensão portuguesa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Erva

Mary-Louise Parker, como Nancy Botwin

A saga dos Botwin começou há cinco anos atrás. Nancy, interpretada por Mary-Louise Parker, é uma mãe (mais propriamente, uma MILF) suburbana que após o falecimento do marido, se dedica ao tráfico de marijuana para tentar manter o seu padrão de vida.
Nas primeiras temporadas da série, Nancy dedica-se ao cultivo e tráfico local, escala que posteriormente se vai expandindo nos episódios mais recentes.
Mary-Louise Parker comemora hoje uma proveitosa idade (nasceu em 1964, façam as contas...) e a nova temporada (a sexta) de "Erva", estreia nos Estados Unidos no dia 16 deste mês, embora tanto uma como a outra continuem a ser do que melhor se vê em televisão.

Imagem daqui

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Aplausos para o António

António Feio (1954 - 2010)

O verdadeiro doente é a sociedade onde vivemos e apesar disso, ele era são de pensamento. Descanse em Paz.

Imagem do Publico

terça-feira, 8 de junho de 2010

A nave tesuda

Lexa Doing, como Andromeda Ascendant

Tipo: Cruzador
Classe: Glorious Heritage
Registo: Shining Path to Truth and Knowledge AI modelo GRA 112, número de série XMC-10-284

Armamento:
Canhão de Anti-Protões
PDL (Point Defense Lasers)
Misseis inteligentes
Enxames de projecteis inteligentes (smart bullets)
Ponto de singularidade
Bombas Nova
Slip fighters
Combat drones

Defesa:
Armadura de alta tensão, ablativa e reactiva
Lâminas de combate

Propulsão:
Slipstream

domingo, 30 de maio de 2010

Dá-lhe, Miley! *

Miley Cyrus

Antes de mais, devo confessar que sou contra o próprio conceito do Rock in Rio (RIR). Nada daquilo me atrai! Trata-se de um tipo de evento simplesmente descabido, em que a componente musical é relegada para segundo plano e o que realmente interessa são as várias actividades acessórias de entretenimento e distracção e o número de ovelhas que irá preencher o recinto. Tudo enquadrado por uma área VIP descomunal, recheada de pseudo-cagões que acham muito in não se misturarem com o resto do povo.
Agora que já escrevi esta declaração de interesses, vou indignar-me um pouco com o trabalho jornalístico da SIC em relação ao evento.
Apesar do jornalismo televisivo no nosso país ter uma qualidade bastante baixa, eu tinha, e ainda tenho, alguma consideração pela informação da SIC. Por isso mesmo, quando vejo um trabalho mal feito nessa estação, fico severamente mais chateado, do que ao ver, por exemplo, o mesmo estrume de reportagem na TVI.

Os exemplos que vou relatar em seguida, aconteceram na cobertura prévia do concerto da Miley Cyrus, artista norte-americana de plástico, no RIR. Não me vou embrenhar sobre as considerações que tenham a ver com a qualidade artística da música dela, uma vez que este texto não é para isso. Em vez disso, vou opinar sobre aquilo que eu penso que não deverá acontecer em jornalismo televisivo.
A primeira ligação ao recinto do evento encontrou este caro telespectador face a face com o jornalista Reinaldo Serrano (O Geraldo português, mal comparado). Repórter bastante conhecido nos tempos da Revolta da Ponte em 1994, altura em que 99,9% dos fãs da Miley Cyrus ainda não eram nascidos. Ficaram famosas as hilariantes agressões que sofria em directo por parte dos agentes da autoridade. Eram outros tempos! Agora já é mais complicado fazer este tipo de coisas, como se viu na manifestação deste Sábado.
Prosseguindo o tema, dizia o bom do Reinaldo, qualquer coisa acerca de um grupo juvenil do tempo dele, que eram os Pandilha. Quase que me derreteu o cérebro! Nem com uma tuneladora de alta tecnologia eu conseguiria lembrar-me disso! Provavelmente teria de explicar primeiro o que é o vinil, ou um disco de 45 rotações, mas é sempre bom existirem essas pessoas, que fazem a ponte entre o Passado e a Realidade, para sabermos onde é que estamos.

Mas isso nem sequer foi o caso pior. Quando o RIR necessitava da promoção, percebia-se que os apresentadores da SIC Radical tinham uma certa sensibilidade, que lhes permitia fazer o trabalho, para o qual, um tarefeiro da SIC Notícias, simplesmente não tem capacidade.
O repórter, que me escuso aqui a referir o nome, entrevista os jovens que estão junto às grades do palco. Até aqui nada de especial, mas eis que se aproxima de um grupo de jovens raparigas e lhes pergunta qual é a música preferida delas. Devido ao vasto e prolixo reportório da artista em questão, as moçoilas pré-púberes hesitam (a capacidade de raciocínio delas nestas idades é um pouco desconexa) afirmando em primeira instância que gostam de todas.
Nesse momento, vislumbra-se entre elas, a cabeça de um rapaz (a diferença de tamanho entre os sexos nestas idades é bastante acentuada) que repete incessantemente que é o tema "Party in the USA". Uma deixa, que o repórter utiliza para pedir às adolescentes para cantarem o tema, pensando que estas iriam grunhir qualquer coisa.
Demonstrando um profissionalismo atroz, estas olham umas para as outras e começam ao 1... 2... 3... e cantam o tema desde o princípio, diga-se em abono da verdade e da justiça, com uma afinação aceitável, respeito pelo tempo dos compassos, fazendo as pausas necessárias para que os versos, totalmente decorados, entrem no tempo certo e com uma dicção da língua inglesa que poderia servir de exemplo para a nossa classe política. Quando já se encontravam, penso eu, na segunda estrofe e se preparavam para cantarem o refrão (que é basicamente o tema, uma vez que se trata de música pop e pouco mais tem do que isso) o repórter resolve que já chega e agradece a colaboração.
Porque enfim, a SIC Notícias não é a Radical e o amadorismo pata-de-microfone não se coaduna com os dias e horas que as miúdas dedicaram a aperfeiçoarem os seus dotes musicais.

Por último, o caso mais triste. Mas que provavelmente foi feito sem intenção, ou sem que o seu protagonista, uma jornalista que entrevistava as famílias durante a tarde, se desse conta.
Perguntava essa repórter, a uma miudinha tão nova, que provavelmente ainda deveria ter a primeira dentição, o que a levava a gostar de Miley Cyrus. Ao que a petiz responde algo, como o facto de ela transmitir a mensagem que qualquer pessoa é capaz de poder fazer tudo neste Mundo. Vólei imediato da jornalista, a perguntar à pequena se esta acredita mesmo nisso, ao que a miúda responde que sim, entre gargalhadas.
Diria o bom senso, que este tipo de cinismo não deveria ser utilizado em alguém assim tão novo, e que é contraproducente estar a pisar os sonhos da juventude, mas isto sou só eu a franzir o sobrolho.
...e depois dizem que é a música que corrompe a juventude!

* Espero que o Jel não me processe pela inspiração abusiva do "Dá-lhe, Falâncio!"

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aleivosias culturais

Antes de mais o caso Maitê é uma questão cultural.
Facto: A actriz é uma representante da cultura e das artes do seu País. Tem portanto uma responsabilidade acrescida todo e qualquer acto seu.
Não me vou alongar sobre o significado esotérico do 3 invertido, nem sobre as restantes alarvidades históricas que proferiu. A ignorância das outras pessoas não é algo que me surpreenda por aí além.

Aquilo que realmente me causou algum espanto foi a forma leviana como foi tratada a fonte do claustro, onde outrora os monges lavavam as mãos num ritual de purificação e cujo leão é o símbolo heráldico de S. Jerónimo. Não se trata portanto de uma simples fonte.
Tal profusão de saliva causa-me algum nojo, embora isso tenha mais a ver com uma questão de educação.
Eu entendi a ideia da tentativa de imitação do fontanário, mas só uma cabeça demente poderia encontrar alguma piada naquilo.

Agora a questão principal: O porquê da difusão desta reportagem no tal programa televisivo?
Aqui entra o estatuto da actriz. Como é do conhecimento geral nestas coisas dos artistas, o estatuto conta muito. Muito mais do que o próprio talento em si, que no caso e como se pode confirmar, é pouco ou nenhum.
Mais estranho ainda é ficar por apurar o porquê deste caso vir a público neste momento, cerca de dois anos após a sua transmissão televisiva.

Após a divulgação do vídeo na Internet, este recebeu de uma forma inteiramente justa as mais ricas reacções em português vernáculo, o que contribuiu para a aprendizagem por parte de alguns brasileiros de vocábulos tão belos da nossa língua que me escuso agora a citar.

A actriz sem se dar conta da magnitude daquilo que desencadeou tentou atenuar com o argumento da falta de humor a causa de tal indignação, demonstrando altivez e zero de arrependimento e cuspindo novamente em todos nós.
Curiosamente o factor da menopausa (que sem dúvida, lhe deve estar a afectar o cérebro) quase não foi referido em lado nenhum.

Isto é efectivamente uma Causa, o desrespeito a que o País foi sujeito uniu os portugueses, o que deveria levar em teoria, a que este acto fosse sancionado severamente por ambos os países e considerar como persona non grata no nosso país Maitê Proença, Mônica Waldvogel, Betty Lago e Márcia Tiburi.

Se a vontade dos patriotas for superior à sua capacidade de resignação a unica forma de parar esta onda de choque e indignação será ver o esfíncter da referida senhora ser completamente destruído em publico, uma vez que a sua reputação já o está.

Link para aderir à Causa

Link para o Abaixo-Assinado