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quinta-feira, 10 de maio de 2012

O contexto americano


Mas qual contexto americano? Todos os presidentes americanos trabalham para o mesmo fim, que é o de enganar as massas. O que me faz confusão é saber que os autores do Arrastão ainda acreditam no embuste que é o Obama. Se o exército americano já não está no Iraque é porque já lá estão os contratados da Blackwater Security, que é um exército privado e que devem rondar os 7000 efectivos, e que asseguram "green zones" para que os homens de negócios possam continuar a explorar aquele país. Mas a esses é mais fácil fechar os olhos. Se o exército americano já não está no Iraque é porque ele é necessário no Afeganistão, no Norte do Paquistão e nas Filipinas. Fora as guerras por proxy no Chad e no Mali, no Sudão, na Somália, no Iémen e os conselheiros militares que ainda devem estar na Líbia.

Já se devem ter esquecido de que a Administração Obama é constituída por oligarcas de Wall Street, que continuam a especular sobre o Euro, e que o discurso eloquente do presidente americano é o de um ilusionista manipulador de multidões, sustentado por um fantástico marketing mediático. Não vou aqui entrar na discussão sobre qual o melhor: se o Bush ou o Obama (a cada um, o seu). Agora, não me atirem é poeira para os olhos!

sábado, 7 de abril de 2012

A tristeza do FMI


«Η κατοχική κυβέρνηση Τσολάκογλου εκμηδένισε κυριολεκτικά τη δυνατότητα επιβίωσής μου που στηριζόταν σε μια αξιοπρεπή σύνταξη που επί 35 χρόνια εγώ μόνον (χωρίς ενίσχυση κράτους) πλήρωνα γι΄αυτήν.
Επειδή έχω μια ηλικία που δεν μου δίνει την ατομική δυνατότητα δυναμικής αντίδρασης (χωρίς βέβαια να αποκλείω αν ένας Έλληνας έπαιρνε το καλάσνικωφ ο δεύτερος θα ήμουν εγώ) δεν βρίσκω άλλη λύση από ένα αξιοπρεπές τέλος πριν αρχίσω να ψάχνω τα σκουπίδια για την διατροφή μου.
Πιστεύω πως οι νέοι χωρίς μέλλον, κάποια μέρα θα πάρουν τα όπλα και στην πλατεία Συντάγματος θα κρεμάσουν ανάποδα τους εθνικούς προδότες, όπως έκαναν το 1945 οι Ιταλοί στον Μουσολίνι (Πιάτσα Πορέτο του Μιλάνου).»


«O governo de ocupação de Tsolakoglou aniquilou, literalmente, a minha capacidade de sobrevivência que dependia de uma respeitável pensão que, durante mais de 35 anos (sem nenhuma ajuda do Estado) paguei sozinho.
Dado que a minha idade avançada não me permite reagir de outro modo (apesar de que, se um compatriota grego pegasse numa Kalashnikov, eu o apoiaria) não vejo outra solução que não seja pôr um fim à vida de forma digna para não ter de acabar a procurar nos contentores do lixo para conseguir sobreviver.
Acredito que os jovens sem futuro pegarão em armas, e enforcarão de cabeça para baixo os traidores deste país na Praça Sintagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945 (Piazzale Loreto em Milão).»
Dimitris Christoulas, 4 de Abril de 2012.



Da tristeza do FMI:
O FMI é uma instituição e as instituições não têm emoções, logo o FMI nunca poderá ficar triste, porque a tristeza é uma emoção.
Os especuladores financeiros que lá trabalham também não podem sentir-se tristes porque qualquer especulador financeiro é por inerência um psicopata, categoria de pessoas que não tem empatia pelo sofrimento alheio.
Hoje faz um ano que o FMI não aterrou na Portela, embora o pico de mortalidade em Portugal tenha sido em Fevereiro. Mas Abril é um mês de mudança. De mudança de governo. Por isso três palavras:

The Prodigy - Invaders Must Die

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Alienação em três actos

Acto I: A bola enquanto produto cultural.
Existe ainda aquela noção romântica do futebol de defender um emblema sem outra recompensa que não seja a paixão pelo desporto em si. Mas isso é algo que hoje em dia está completamente arredado do futebol profissional e deve ser posto de parte neste exercício teórico. O objectivo aqui é sintetizar algumas ideias que definem a minha posição em relação a este fenómeno quasi religioso e tão semelhante ao "ópio do povo" marxista. O desporto em si chama-se association football e todo o impacto cultural em torno dele toma o nome de "bola".
O entretenimento desportivo para adultos, cuja invenção cultural é algo recente, foi estudado pelo britânico Alan Watt, que analisou a forma como os adultos sob o seu efeito ficam mentalmente presos na idade dos quinze anos. Este narcótico de massas nada tem a ver com a educação física, que é uma das etapas da instrução natural do indivíduo, embora, qual sanguessuga, o futebol corporativo se aproprie deste conceito para criar esquemas legais em proveito próprio, como o estatuto de utilidade ou de interesse público e o posterior beneplácito e adulação por parte do poder político.

Acto II: A mentalidade de rebanho.
A manipulação das massas é algo que tem sido estudado pela psicologia e posto ao serviço das corporações que têm o objectivo de controlar o indivíduo, perdido no meio da massa anónima. O papel privilegiado da Igreja em juntar o rebanho foi ocupado numa sociedade pós-industrial pelo deporto de massas. Mais uma vez, Watt afirma que, nos cem anos do "anglo-american establishment", esta reforma cultural foi projectada e implementada de forma consciente e eficaz. Watt refere H. G. Wells, o escritor de ficção científica que preconizou as "arenas desportivas", que se espalhariam pelo mundo, numa altura em que ninguém acreditaria que tal seria possível.
A pergunta pertinente a fazer é de que forma poderemos combater este esquema corporativo se estamos envolvidos na nossa própria guerra tribal? A resposta é simples: não se consegue. A tomada de decisões acontece num nível superior ao da nossa própria comunidade, uma vez que esta se encontra destruída e a energia dos indivíduos está canalizada para o desporto corporativo de massas, devido à orientação e para benefício dos nossos líderes culturais e engenheiros sociais.

Acto III: Valerá a pena alimentar o monstro?
Alan Watt afirma que quando se retira a virilidade ao individuo, este projecta-a em outros. Neste caso, numa equipa ganhadora, uma vez que, na realidade, esse mesmo indivíduo não tem poder nenhum. A atitude reprovável que certos pais tomam, ao filiarem um filho recém-nascido num determinado clube, mostra que desde cedo somos obrigados a escolher um lado da guerra, devido ao facto inerente de sermos seres tribais, seja de forma consciente ou não. Na opinião de Watt, esse tipo de "weekend warrior" é uma anedota. Eu simplesmente penso que é um ser básico.
Mas porque razão tomo eu partido numa guerra tribal? Se não tenho qualquer tipo de compensação por isso, seja financeira, emocional ou outra, como acontece com a generalidade de paineleiros e colunistas da bola. A questão está intrincada no princípio da guerra. Segundo a definição de Clausewitz: "A guerra é assim, um acto de força para obrigar o inimigo a fazer a nossa vontade" e a coerção é uma qualidade reptiliana. Pessoalmente acredito que a guerra é um aspecto integral da cultura humana, de que não podemos fugir, seja na guerra verbal entre indivíduos ou no conflito entre nações.

domingo, 13 de novembro de 2011

Era uma vez... o Homem

Esta história poderia começar assim: "C'era una volta l'uomo..." como na série animada dos anos setenta. As manifestações de júbilo por toda a Itália parecem as mesmas dos povos que finalmente conquistam a liberdade. Embora neste caso, esses mesmos povos estejam mais cerceados do que nunca. A Goldman Sachs já tinha avisado a meio da semana de que forma é que queria o novo governo italiano. Já não estamos em tempo de fingimentos e nada melhor do que um Trilateral-Bilderberg-Goldman como Mario Monti para endurecer a acção. Quando o ostrogodo Odoacro se tornou no primeiro Rei de Itália, no distante ano do Senhor de 476, este limitou-se a tomar a coroa que era de facto dele, acabando de vez com a farsa do poder imperial romano.
Dizem os entendidos que aquilo que acontece em Itália tem repercussões no resto da Europa; fazendo talvez um paralelismo com a influência egípcia no resto de África e do Médio Oriente. Embora aqui não haja Primavera, só um Inverno bastante frio.

A Itália esteve desde sempre no centro do poder europeu e mundial; foi a origem do Império Romano, fez parte do Império Franco, do Sacro Império, da Casa dos Habsburgos e do Império Napoleónico. Foi na Itália dos Gonfaloniere de Florença que se criou o florin, a moeda de ouro mais valiosa da Idade Média e do Renascimento, o que permitiu que banqueiros como a Casa dos Medici dominassem o poder político mundial, que a oligarquia dos Doges de Veneza detivesse o monopólio sobre o comércio com o Oriente, e que a Casa dos Bórgia conseguisse corromper e manipular a nobreza do Ocidente. Foi em Itália que a ideologia fascista foi primeiro posta em prática e depois se difundiu pela Europa. Foi onde se assinou o Tratado de Roma, que veio a estabelecer aquilo que mais tarde se veio a designar por União Europeia.
Por alguma razão os nossos políticos tomaram a decisão consciente de degradar o ensino da disciplina de História: o cidadão ignorante não teme aquilo que desconhece.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Samhain

Nas sociedades agrárias, o princípio do Inverno era sinónimo do pagamento de um imposto pelas tribos subjugadas. As colheitas já estavam feitas, bem como o pasto dos animais. Os animais eram então arrebanhados e eram somente poupados ao abate aqueles que estavam destinados à reprodução, uma vez que durante a estação mais fria se tornava difícil de os manter.
Segundo o Lebor Gabála Érenn, colecção medieval de narrativas acerca das origens míticas da Irlanda, a tribo nemediana tinha de entregar, na altura do Samhain, e com um sentimento de ira e tristeza; dois terços dos animais, do trigo e do leite, aos semi-divinos fomorianos. Este dízimo era assim, um tipo de sacrifício feito a entidades sobrenaturais.

Na nossa sociedade bancária, o sino do Banco Central Europeu, que vela por todos nós, vai a partir de hoje passar a ser dobrado por Mario Draghi, alumni do banco de investimento e domínio mundial chamado Goldman Sachs. Com o simbolismo ritual que representa a tomada de posse a 1 de Novembro.
O facto de ser italiano não o torna mais sensível às idiossincrasias dos países do sul da Europa, como defendem alguns analistas, sendo essa uma característica fundamental para vergar a vontade de soberania desses mesmos povos. Especialmente quando a Itália estiver a ser ocupada mais intensivamente, e a Grécia e Portugal se encontrarem em ruínas. Mas tal como diria o demoníaco Lloyd Blankfein, chairman da Goldman Sachs: "I'm doing God's work."

"A roda do ano girou, a colheita veio de novo. Semeei muitas sementes do pensamento desde o último Samhain. Que as boas sejam recolhidas; que as que me ferissem ou prejudicassem sejam deitadas fora."

sábado, 22 de outubro de 2011

Escolha o seu ditador favorito (actualização)

Conferir o post original aqui

A invasão da Líbia começou na Primavera. Após oito meses de extensivo e regular bombardeamento da OTAN já podemos encerrar este capítulo e os pescadores de Tripoli já podem lançar as suas redes sem correrem o risco de levarem com um drone americano na cabeça. O ditador poderia ter sido julgado, caso tivesse sido capturado por um exército regular, que cumpre regras, em vez de o ter sido por um bando de animais. Os verdadeiros assassinos são o Obama, a senhora Clinton, e o papá Sarkozy. Parabéns.
A verdadeira notícia é a de que a senhora Bruni pariu a filha da mãe - o pai já se encontra na andropausa, apesar da tesão toda que os Rafale dão - e os felizes papás poderiam ter-lhe dado o nome de Líbia, que é nome de rapariga.


Médio Oriente e Norte de África


Muammar al-Gaddafi, Líbia (desde 1969)
Ali Abdullah Saleh, Iémen (desde 1978)
Ali Khamenei, Irão (desde 1981)
Hosni Mubarak, Egipto (desde 1981)
Bashar al-Assad, Síria (desde 2000)

Monarquia Absoluta:
Bin Said al Said, Omã (desde 1970)
Abdullah Bin Abdul-Aziz, Arábia Saudita (desde 2005)


África Subsariana

Paul Biya, Camarões (desde 1975)
Nguema Mbasogo, Guiné Equatorial (desde 1979)
Robert Mugabe, Zimbábue (desde 1980)
Omar al-Bashir, Sudão (desde 1989)
Idriss Déby, Chade (desde 1990)
Isaias Afewerki, Eritreia (desde 1993)
Ismail Omar Guelleh, Djibuti (desde 1999)
Joseph Kabila, Congo (desde 2001)
Salou Djibo, Níger (desde 2010)

Monarquia absoluta:
Mswati III, Suazilândia (desde 1986)


Extremo Oriente

Than Shwe, Myanmar (desde 1992)
Kim Jong-il, Coreia do Norte (desde 1994)
Choummaly Sayasone, Laos (desde 2006)
Nguyen Phú Trong, Vietname (desde 2011)


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domingo, 11 de setembro de 2011

Década do demónio

"Pay close attention, I'll take your brain to another dimension."
Kool Keith, Ultramagnetic MCs, "Critical Beatdown".

Uma década de manipulação, embora este ano não houvesse paciência da minha parte para a doutrinação anti-terrorista. Torna-se confrangedor ver a banalidade e a superficialidade das análises e dos comentários televisivos. "Onde é que você estava nesse dia?". Foda-se, estava em casa, a almoçar. Havia exame de Ecologia, mas eu tinha dispensado devido à minha superior capacidade intelectual. Mesmo assim, fui à faculdade confraternizar com as pessoas da minha colectividade. Estávamos no tempo das vacas gordas, do crédito fácil e do pleno emprego a recibos verdes, antes da fuga do Guterres. Passados dez anos, já não trabalho num regime de dez horas por dia porque o mercado está completamente estagnado depois do 11 de Setembro financeiro que foi a crise dos derivativos e do sub-prime. Ainda faltam o 11 de Setembro informático e o 11 de Setembro religioso, mas vamos ter esperança que o Obama e quem o manipula não deixem os seus créditos por mãos alheias.

Após uma década, quem teoriza sobre este acontecimento pertence a um de dois grupos: os que acreditam piamente que todos os terroristas são islâmicos e que aqueles que se desviam da verdade oficial são "maluquinhos" das teorias da conspiração, enquanto que outros conseguem entender coisas simples, como uma estratégia top-bottom, o facto do FBI e da CIA serem duas mãos ligadas ao mesmo corpo, em que cada mão ignora o que a outra faz, que o Departamento de Justiça utiliza o Witness Protection Program para criar identidades de pessoas inexistentes, ou no facto pouco divulgado do exército dos Estados Unidos e a Al-Qaeda estarem a combater no mesmo lado da barricada contra o inimigo xiita comum do Houthis, apoiado pelo Irão e pelo Hezbollah, no Norte do Iémen. Claro que este último facto não é divulgado pela generalidade da comunicação social, pois estraga a história de embalar de que a Al-Qaeda é um inimigo. Acordem, pá!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Anticristo

O Anticristo será alguém que irá ser adorado por todos os povos do mundo. Se quiserem "esperança", ele dar-vos-à esperança. Se quiserem "mudança", ele irá dar-vos uma mudança em que todos nós possamos acreditar. O Anticristo será um ilusionista e um manipulador de multidões. A sua administração será constituída por oligarcas financeiros vindos de Wall Street, que apresentarão ao mundo a solução para o problema da sua própria crise financeira.
O Anticristo terá um fantoche com um marketing mediático, conseguido através do dinheiro que lhe é oferecido por quem o controla. As suas empresas de media atacarão qualquer um que lhe tente fazer frente. O Anticristo será adorado por milhões de pessoas, que chorarão em êxtase na sua presença.

O Anticristo já foi, e ainda é, um empregado de Kissinger. A sua propaganda brzezinskiana fará com que todos acreditem nele e que ignorem o senso comum.
O Anticristo é eloquente, inteligente, carismático; disfarça-se de homem de Paz.
O Anticristo traz a guerra; a económica e a militar. O Anticristo destrói economias.
O Anticristo destrói nações. O Anticristo invade a África, o Egipto, a Líbia, o Sudão do Sul, a Somália, o Quénia. O Anticristo é o grande relações públicas cerimonial e teatral. O Anticristo tem o mundo nas suas mãos, como se fosse uma bola de basquetebol. O Anticristo é um criminoso.

domingo, 24 de julho de 2011

Mass Player Killing

O lobo já rebentou um elo da corrente. Apesar de Týr, o deus do combate singular, o ter aprisionado durante algum tempo. Os ataques em Oslo e na ilha de Utøya não deveriam representar novidade nenhuma. Já todos devemos ter ouvido mais do que uma pessoa confessar em privado a vontade de meter uma bomba no parlamento, ou algo similar, devido ao cansaço com o sistema. Este sistema que todos os dias criticamos.
Matar toda uma geração de jovens militantes partidários também é algo que não é assim tão rebuscado, especialmente se atendermos ao facto das juventudes partidárias serem um conjunto ululante e petulante de macacos clubistas. Desconheço a situação norueguesa, mas no caso português, o tipo de doutrina de facadas nas costas e de aparelho, das várias jotas, domina a cena política nacional. Como se pode verificar na carreira de ambos os líderes dos dois partidos mais importantes.
O massacre na universidade americana de Virginia Tech também foi um killing spree, e apesar do então autor Seung-Hui Cho se ter comparado a Jesus Cristo, ninguém se apressou a dizer que aquilo tinha sido obra de "terrorismo cristão". Foram antes apontados o ódio pela sociedade e os distúrbios mentais como as causas de um acto que a reacção imunitária da sociedade facilmente qualifica de insano.

A diferença que fez sobressaltar a comunicação social foi o uso de explosivos. O uso de explosivos faz logo despoletar o mantra "terrorista" como nada mais o consegue, e estremece as fundações do edifício onde nos sentamos confortavelmente.
Os media não se enganaram. Eles simplesmente demoraram a acertar na história que nos iam contar. Tal torna-se difícil, quando são os Estados Unidos que detêm o quase monopólio do terrorismo, através da Al-Qaeda. Mesmo depois do produto "Bin Laden" já estar descontinuado, e da cotação dessa organização continuar a descer.
O bode expiatório já foi encontrado. O alegado autor do massacre foi-nos apresentado pelos media como sendo Anders Breivik, cuja representação acima apresentada parece ser a mais fiel encontrada até agora. Anti-multiculturalista (onde é que eu já ouvi isto...) e cujo manifesto, European Declaration of Independence, já se encontra disponível para quem o quiser replicar por essa Europa fora. Não nos esqueçamos que os combatentes da Guerra da Independência dos Estados Unidos também foram designados por "terroristas".
Pelo menos, o autor tem bom gosto literário, uma vez que parece que os livros preferidos dele são o 1984 do Orwell, e O Príncipe do Machiavelli. Que por acaso são também dois dos meus livros favoritos, ao contrário da Fenomenologia do Ser e do que quer que seja que o A. Jota Seguro leia. Mas se calhar a culpa é minha, que gosto de heavy metal.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ponto da situação

Tony Blair, por Peter Kennard
(imagem solenemente apreciada aqui)

“If you think that bankers are the same as you, you're wrong! F. Scott Fitzgerald once told Hemingway: "You know, the rich are different from us!" and Hemingway said: "Yeah! They have more money!" and F. Scott Fitzgerald replied: "No. It's something much deeper. It's a whole different world. To be an oligarch, to be a "Rockefeller" or something of this sort, means that you're in a completely different world, with values which are the reverse of human values."
Now, if you allow the oligarchs to continue to dominate, the destruction of world civilization is a matter of a few decades, at the very, very most. So, choose!”

Webster Tarpley, in "Fall of the Republic", 2009.

Antes de mais, devo referir que os banqueiros, agências de notação e afins devem ser louvados. Qualquer indivíduo ou organização que extermine humanos tem o meu aval; uma vez que eu, apesar do meu orgulho élfico, não os consigo matar a todos.
Deste modo, o que mais me fascina nesta guerra é a capacidade das classes jornalística e política em omitirem a verdade aos cidadãos. De embarcarem neste mito, que perpetua a ignorância, de que as agências de notação são incompetentes e de que o problema é a falta de solidariedade da política europeia.
Apesar de ser certo que não existe união política na Europa, e de que a defesa do estado europeu está pelas ruas da amargura, os cidadãos que vão ser vítimas nesta guerra têm o direito a saber porque vão morrer e quem os vai matar. Chamem-me antiquado, mas eu ainda sou do tempo em que o vilão tinha um certo brio em explicar o seu plano maquiavélico e em retirar toda a esperança à vítima.

O lucro é mais importante do que a vida humana: este é o credo das empresas de mercenários que operam nos teatros de guerra americanos. Mais de 40.000 mortos desde 2010. Embora para ser justo, talvez devesse apresentar uma contabilidade trimestral, uma vez que se trata de uma economia capitalista.
O lucro é mais importante do que a vida humana: este é o credo das empresas de finança corporativa, vulgo agências de notação. O senso comum avisa que para se defender algo, se deve ter um exército. Os Estados Unidos têm as três grandes (embora a Fitch também esteja baseada no Reino Unido) a China tem a Dàgōng, a Rússia tem a Muros, o Japão tem a JCRA, e os súbditos britânicos do Canadá e da Austrália têm a DBRS e a Veda, respectivamente. A Europa tinha qualquer coisa que foi destruída pelo George Soros, que é assim algo como um exército de um só homem, pessoa a quem elogio só para não me chamarem de anti-semita.

O nosso premiê apresentou um esgar nervoso de riso com o "murro no estômago". Estaria mais dentro do personagem se compusesse um ar grave e sério. Já sabíamos que o senhor cantava, mas deveria ter tido umas aulas de representação.
No fundo, as dores de estômago devem-se a não se ter banqueteado ainda com as Águas de Portugal ou com a Rede Eléctrica Nacional. Depois de partilhar esse repasto com as corporações estrangeiras, já se irá sentir melhor da barriga.
A insistência em determinadas teorias por parte da comunicação social sempre fez parte da estratégia para distrair os cidadãos-consumidores-de-televisão, facilmente manipulados a acreditarem no que quer que se lhes conte.
O que chateou os cretinos do governo e dos media foi o timing da acção das agências. Agora não existe Sócrates para servir de bode expiatório e torna-se cada vez mais difícil encontrar boas desculpas para iludir o cidadão. Se ao menos já houvesse bola...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Protectorado

Hoje comemora-se o Dia de Portugal, embora este dia já não faça sentido. Portugal fazia parte da União, até ser anexado pela ponta de lança da ofensiva americana: As agências de notação financeira e a intervenção externa bandoleira.
A guerra económica mais não é que o sufocamento dos povos sem recorrer aos contingentes militares. Portugal teve a manifesta pouca sorte de ser um dos elos mais fracos do Euro. Como qualquer invasão se inicia pela parte mais fraca, a União Europeia vê-se a braços com uma guerra da qual não quer dar conhecimento ao próprio povo europeu, nos seus simulacros de democracia.
A política europeia, encabeçada pela Alemanha, é uma política de "terra queimada". Uma política que deixa cair os estados mais fracos, para que o inimigo não lucre com eles. A iminência da expulsão do Euro, deixando queimar uma população inteira, é o que se projecta a prazo. Uma doutrina de tratamento de choque, ao bom estilo da escola de Chicago. Um genocídio cultural, com total desprezo pela vida humana.

Portugal, o país. Portugal, a nação. Portugal, a língua que foi vendida aos brasileiros por trinta dinheiros. Portugal, uma terra de usurários e cangalheiros. Daqui para a frente será a agonia até à estocada final. O protectorado não encontra nenhuma razão para não se considerar como tal.
Portugal sempre teve as suas vergonhas. A história apócrifa em que Vasco da Gama escorregou, ao embarcar na São Gabriel. Mesmo que tal nunca tenha sido vertido para o papel. Mesmo que tal verso nunca tenha feito parte da Lusíada.
Hoje quem cantar Portugal só pode cantar sobre vergonha. Vergonha por não sermos. Vergonha por nos perdermos. Vergonha por nem conseguirmos ser capazes de nos revoltar. Se este é o teu sal, então vai conservar muito bem o teu cadáver, Portugal!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia da Criança

31 janvier 2000 - Tak, Myanmar (ex-Birmanie)
Des enfants soldats de l'Union nationale karen montent la garde lors du 51e anniversaire de l'insurrection contre la junte militaire.
© AFP / Pornchai Kittigwongsakul

Imagem: Students of the World - La guerre et les enfants soldats

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Encenação mediática

Mas de grande qualidade, devo afirmar. Basta um comunicado oficial para todos ficarem mais tranquilos e começarem a celebrar. A psique humana é assim mesmo. Precisa de acreditar em alguma coisa, senão o mundo começa a desmoronar-se debaixo dos pés. O ser humano é o animal mais estudado do planeta e há largo tempo que se conhecem as técnicas para o submeter. Ivan Pavlov, Vladimir Bekhterev, John B. Watson, e por aí fora.
Deste modo, o ser humano acredita em qualquer coisa que lhe for contada, mesmo que não exista uma cabal prova de tal. Caso já se encontre suficientemente condicionado, conseguirá mesmo negar factos evidentes.

A morte mediática de Osama bin Laden limitou-se a uma análise de custo-benefício. Com a popularidade do presidente Obama a descer e o pouco interesse que este alvo desempenharia na luta anti-terrorista (uma vez que a estratégia de desestabilização interna dos países a conquistar se tornou mais eficaz) optou-se por encerrar esse capítulo da Guerra ao Terror.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Praças orgânicas

A fazer fé no interesse noticioso, parece que a Djemaa el-Fnaa fica no outro lado do mundo. Mas o que lá aconteceu é um ataque à nossa herança cultural e um problema mais do nosso interesse do que muita gente pensa.
A praça que verdadeiramente interessa aos media nacionais (e internacionais) é uma praça que possa ser utilizada para embebedar as ovelhas numa ilusão que as mantenha alheadas da realidade.

Os britânicos também já têm a sua Praça Tahrir. "O povo é sereno", como dizia o mantra.

sábado, 16 de abril de 2011

Palavras belas

Victória Guerra

A deusa romana Victoria personificava o acto de vencer o inimigo em batalha, e estava fortemente associada à deusa Bellona, da qual deriva a palavra latina para "guerra" (bellum - luta, conflito) e cuja etimologia se pode encontrar no equivalente "beligerante" (latim belligerans, -antis, particípio presente de belligero, -are, fazer a guerra, lutar).
A palavra "guerra" foi adoptada pelos povos latinos, a partir do franco (werra, a partir do germânico verwirren) devido à tentativa de evitar a palavra bellum, que era semelhante ao adjectivo "belo" (bello-, beleza).

in Priberam: vitória, guerra

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Invaders Must Die

The Prodigy - Invaders Must Die

Prometi a mim próprio este vídeo para quando o FMI aterrasse na Portela, local que o dito nunca utilizou para aterrar. Não é ritmo de pop-chula, mas é um "passaporte de coelho" para os ouvidos!
Mas que aquela Teresa Ter-Minassian era um grande naco, lá isso era.

domingo, 20 de março de 2011

Interceptores de fim de inverno

Eu sei que não são interceptores, são caças de supremacia aérea. Mas eu sou antiquado, e estas reminiscências da guerra fria dão-me ponta e orgasmos. Os Mirage e os Rafale são máquinas infernais. Foi a mão do diabo, e não a de Marcel Dassault - agora já sei o que significam as iniciais MD - quem desenhou aqueles aparelhos.
Caso Gaddafi e Sarkozy ainda se falassem, o líbio poderia dizer-lhe que este tipo de armamento não vale. Que é anti-jogo. Isto depois de ter financiado a campanha eleitoral dele. Há políticos ingratos, que já nem se deixam comprar como deve ser.
A estratégia das nações ocidentais consistiu em deixarem os líbios tentarem resolver aquilo sozinhos, após a agitação que os vários serviços secretos instigaram no terreno. Como os rebeldes não o conseguiram, que isto de combater nas areias da Líbia só o Rommel é que sabia, optaram pela fase seguinte, enquanto bombardeiam Tripoli e salivam com os poços de petróleo.
Deve ser da lua, que está cheia e no periélio, ou então do equinócio.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Estava eu sossegado...

A minha falta de compaixão pelos outros deve ser do excesso de chá preto que ando a beber. O Entrudo é um tempo onde nos transfiguramos de outra coisa. As suas máscaras servem para esconder o nosso Eu interior, ou por outro lado, para mostrar um tipo de Eu que está escondido do resto da sociedade, por ser tão bestial e horrendo, que poderia causar repulsa nas mentes mais civilizadas, chocadas com esse tipo de cadência primária e visceral.
A serpente sou eu, e não sou ao mesmo tempo, se é que me faço entender. A palavra "máscara" provavelmente deriva do latim mascus ("fantasma"), embora até a sua verdadeira etimologia seja uma incógnita. O seu uso ritual serve para expressar um determinado poder, como o de um avatāra das trevas e do caos. A palavra latina "persona" designa um tipo de máscara, que ressoava ("per sonare") com a voz do actor que a usava. Neste caso, um uivo.

Tudo isto para explicar que me sinto farto. Nem sequer vou perder tempo a pessoalizar ou apontar minudências, pois toda a podridão que nos rodeia está bem à vista de quem a quiser ver. Tudo o que me apetece é disparar o meu vazio interior, a minha energia negativa, na direcção de quem os provoca.
Concretizando. Está no tempo e na altura de fazer cair tudo pela base. De derrubar as hierarquias que se desresponsabilizam dos crimes que elas próprias cometem. De sagrar as elites que dominam em todos os quadrantes da sociedade. De alvejar os criminosos acima da lei, neste auto-intitulado estado de direito. De fazer tábua rasa. De incinerar todos os que nos imbecilizam e corrompem no fogo da nossa própria raiva. De fazer valer o sentimento de justiça. Mesmo que fiquemos sozinhos. A solução é simples e simplista: eles não se conseguem desviar das balas - É só puxar atrás e recarregar. "Deus criou os homens, Samuel Colt tornou-os iguais". Porque nós somos mais e eles sabem disso. Só precisamos de ignorar o medo e encontrar a motivação para lutar. Onde quer que ela esteja.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ao som das sirenes

Quando o Eyjafjallajökull entrou em erupção há menos de um ano, foi o suficiente para paralisar o espaço aéreo europeu. Mas o facto das cidades do Cairo e de Alexandria entrarem em erupção não parece perturbar a Europa.
A política europeia está preocupada com o problema da dívida soberana dos estados do sul, mesmo que não explique aos seus cidadãos os contornos da guerra entre os dois maiores sistemas monetários ocidentais e o papel de figuras sinistras como o George Soros no meio de tudo isto.
Pelos vistos, o Mahdi está a chegar para redimir os fieis e unir aqueles que antes estavam reunidos sob a mesma bandeira. A guerra civil entre os chefe visigóticos do ocidente está a atingir o seu máximo e a próxima Guadalete parece cada vez mais perto.

Existe a argumentação de que actualmente todos falam e escrevem sobre o Egipto sem compreenderem o país, como se estes comentadores se tivessem tornado em especialistas de política egípcia de um dia para o outro.
De facto, a desobediência civil, os motins e os protestos egípcios não são algo que possa ser compreendido pela mente europeia, especialmente a portuguesa, em que anos de "respeitinho" e conformismo obliteraram completamente tais conceitos da psique lusa. Mesmo na recente cimeira da OTAN, tais práticas eram olhadas com desdém pela generalidade da população, ao mesmo tempo que a cidade de Lisboa era fechada para usufruto de meia dúzia de criminosos importantes.
Outro facto é que, em Portugal, não se canta "bilādī" ("meu país") até à inconsciência, tal como uma ladainha que verte o sentido pátrio no interior da alma desses egípcios. Que não querem e que não aceitam. E tanto que nós portugueses poderíamos aprender com isso, mas nós não queremos.

Ao saber que eu tinha um blogue, pessoa amiga dizia-me ontem, embora por outras palavras, que os blogues e a blogosfera seriam um dos sintomas e catalisadores do declínio da sociedade, apesar de eu próprio não augurar tal armagedão digital. O facto de eu saber hiragana, urdu ou código de máquina nada tem a ver com o facto de estar incluído na geração mais preparada de sempre da história deste país. A geração mais bem preparada será sempre a próxima, na medida em que a informação esteja cada vez mais disponível.
A "geração rasca", epíteto criado por Vicente Jorge Silva, destila as suas angústias nesta mesma blogosfera e é a geração acerca da qual os Deolinda escrevem no "Parva que Sou". Não sou eu que auguro o declínio da sociedade. A insustentabilidade e instabilidade da situação actual entra pelos olhos adentro de qualquer um.

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