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sexta-feira, 25 de maio de 2012

O Triunfo dos Especuladores


Especulativo será dizer que o Alex Soares dos Santos, o merceeiro-político, que fez campanha contra o anterior governo e que alavancou a eleição de Passos Coelho, o fez para beneficiar da alteração à legislação deste governo que lhe permite ter as mais valias na Holanda.

Especulativo, mas provavelmente não menos verdadeiro, seria dizer que o único objectivo deste tipo de campanhas é o de mais facilmente manter as massas em sentido do que lhes mandando porrada. Controlar o cérebro das pessoas é bem mais eficaz do que lhes controlar o corpo, como bem sabe o ministro Relvas.

Especulativo seria dizer que existe uma relação entre o Pedro Soares dos Santos e Pedro Passos Coelho. Afinal, eles pertencem à mesma geração, têm os mesmos objectivos de domínio selvagem do capital. São especulativos, um através da acções da SGPS, e outro como testa de ferro dos banqueiros, e para ambos "a concorrência é um pecado" como dizia o Rockefeller. Aqui está a verdadeira "política comum."

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O contexto americano


Mas qual contexto americano? Todos os presidentes americanos trabalham para o mesmo fim, que é o de enganar as massas. O que me faz confusão é saber que os autores do Arrastão ainda acreditam no embuste que é o Obama. Se o exército americano já não está no Iraque é porque já lá estão os contratados da Blackwater Security, que é um exército privado e que devem rondar os 7000 efectivos, e que asseguram "green zones" para que os homens de negócios possam continuar a explorar aquele país. Mas a esses é mais fácil fechar os olhos. Se o exército americano já não está no Iraque é porque ele é necessário no Afeganistão, no Norte do Paquistão e nas Filipinas. Fora as guerras por proxy no Chad e no Mali, no Sudão, na Somália, no Iémen e os conselheiros militares que ainda devem estar na Líbia.

Já se devem ter esquecido de que a Administração Obama é constituída por oligarcas de Wall Street, que continuam a especular sobre o Euro, e que o discurso eloquente do presidente americano é o de um ilusionista manipulador de multidões, sustentado por um fantástico marketing mediático. Não vou aqui entrar na discussão sobre qual o melhor: se o Bush ou o Obama (a cada um, o seu). Agora, não me atirem é poeira para os olhos!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Totta-Açores paga bem

José Afonso - "Foi na cidade do Sado"

Apesar do sol se encontrar encoberto por nuvens, aqui fica este vídeo apropriado à data, uma vez que vivemos numa bronca armada pelas bestas do capital e somos geridos por um bando de jotas laranjinhas com o objectivo de acertarem contas com o 25 de Abril, e cujo lema maior é a doutrina de Milton Friedman segundo a qual "o lucro é mais importante do que a vida humana" e que confortavelmente todos os dias prepara um ensopado de borrego com a carne tenra de ovelha dos portugueses. Obrigado por estes 38 anos.

sábado, 7 de abril de 2012

A tristeza do FMI


«Η κατοχική κυβέρνηση Τσολάκογλου εκμηδένισε κυριολεκτικά τη δυνατότητα επιβίωσής μου που στηριζόταν σε μια αξιοπρεπή σύνταξη που επί 35 χρόνια εγώ μόνον (χωρίς ενίσχυση κράτους) πλήρωνα γι΄αυτήν.
Επειδή έχω μια ηλικία που δεν μου δίνει την ατομική δυνατότητα δυναμικής αντίδρασης (χωρίς βέβαια να αποκλείω αν ένας Έλληνας έπαιρνε το καλάσνικωφ ο δεύτερος θα ήμουν εγώ) δεν βρίσκω άλλη λύση από ένα αξιοπρεπές τέλος πριν αρχίσω να ψάχνω τα σκουπίδια για την διατροφή μου.
Πιστεύω πως οι νέοι χωρίς μέλλον, κάποια μέρα θα πάρουν τα όπλα και στην πλατεία Συντάγματος θα κρεμάσουν ανάποδα τους εθνικούς προδότες, όπως έκαναν το 1945 οι Ιταλοί στον Μουσολίνι (Πιάτσα Πορέτο του Μιλάνου).»


«O governo de ocupação de Tsolakoglou aniquilou, literalmente, a minha capacidade de sobrevivência que dependia de uma respeitável pensão que, durante mais de 35 anos (sem nenhuma ajuda do Estado) paguei sozinho.
Dado que a minha idade avançada não me permite reagir de outro modo (apesar de que, se um compatriota grego pegasse numa Kalashnikov, eu o apoiaria) não vejo outra solução que não seja pôr um fim à vida de forma digna para não ter de acabar a procurar nos contentores do lixo para conseguir sobreviver.
Acredito que os jovens sem futuro pegarão em armas, e enforcarão de cabeça para baixo os traidores deste país na Praça Sintagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945 (Piazzale Loreto em Milão).»
Dimitris Christoulas, 4 de Abril de 2012.



Da tristeza do FMI:
O FMI é uma instituição e as instituições não têm emoções, logo o FMI nunca poderá ficar triste, porque a tristeza é uma emoção.
Os especuladores financeiros que lá trabalham também não podem sentir-se tristes porque qualquer especulador financeiro é por inerência um psicopata, categoria de pessoas que não tem empatia pelo sofrimento alheio.
Hoje faz um ano que o FMI não aterrou na Portela, embora o pico de mortalidade em Portugal tenha sido em Fevereiro. Mas Abril é um mês de mudança. De mudança de governo. Por isso três palavras:

The Prodigy - Invaders Must Die

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os donos de Portugal

dono |ô|
s. m.
1. Pessoa a quem pertence alguma coisa; senhorio.
Plural: donos |ô|.
in Priberam


Os políticos só servem os seus donos. Apesar de se ter imposto anteriormente uma referência a Eduardo Catroga, uma vez que a fronha do senhor foi das mais vistas durante a semana nos media televisivos, resolvi dedicar um texto em exclusivo à idiossincrasia dessa espécie particular de imago, cuja larva é mais conhecida por "ministro cavaquista das finanças" e cujo estilo de vida parasítico causa o declínio desta árvore onde todos vivemos, conhecida como Portugal.
Para além destas tiradas metafóricas, devo referir que nem todos têm a vantagem de ser defendidos publicamente pelo Primeiro-ministro, como aconteceu com Catroga. Um puto qualquer que tenha partido acidentalmente um vaso não tem à sua disposição o Primeiro-ministro a vir em seu socorro com gráficos, uma vez que já ninguém acredita naquilo que os políticos dizem, para explicar que nada tem que ver com as nomeações e respectivas compensações de que os conselheiros da EDP vão usufruir.
O que faz até algum sentido. Afinal, Passos Coelho é somente um empregado que faz aquilo que os grupos económicos lhe dizem para fazer, que faz aquilo que os banqueiros e a alta finança lhe dizem para fazer, e que faz aquilo que outros líderes europeus, que por sua vez são empregados dos grupos económicos dos seus respectivos países, lhe dizem para fazer.

Isto tem de ser visto de forma pragmática. Os chineses da China Three Gorges Corporation apenas quiseram alguém que tivesse a necessária influência sobre o governo e o Primeiro-ministro em particular, para a sua subsidiária. A pergunta feita por eles foi acerca de quem seriam as pessoas indicadas, às quais bastaria uma palavra para que Passos Coelho obedientemente se sentasse, rolasse, desse a patinha e se fingisse de morto. A primeira que vem à memória é Ângelo Correia. Mas na falta dele, Eduardo Catroga serve perfeitamente, tendo a vantagem de conhecer a empresa. A palavra-chave aqui é "obediência" e sem dúvida que Passos Coelho ouvirá atentamente Catroga, como pessoa atinada que é. Tal como obedecerá a Ilídio Pinho, o seu antigo patrão (uma vez patrão, patrão para sempre) e como obedecerá a Paulo Teixeira Pinto, que lhe escreveu a proposta de revisão constitucional, que não foi avante porque estava a causar estragos eleitorais. No caso do partido parceiro de coligação, Celeste Cardona lá estará, para falar maternalmente a Paulo Portas.
Quanto à forma folclórica como Eduardo Catroga se comparou aos jogadores da bola, ao falar do seu valor de mercado para justificar o vencimento que irá receber, isso só revela o mindset e a arrogância de quem sabe que está acima dos portugueses, e se permite a ter este tipo de gozo com o próximo.

Continuando na temática dos donos de Portugal, também Braga de Macedo foi nomeado para o Conselho Geral de Supervisão da EDP. Mas o seu estatuto como um dos donos do país tornou-se mais evidente no nepotismo descarado com que patrocina a carreira da filha no meio das artes plásticas.
O facto de existir informação abundante que prova o favorecimento advém do facto de Braga de Macedo já não ser ministro e, consequentemente, não se preocupar com a imagem que projecta na comunicação social. A vergonha é um atributo dos pobres, pois implica que estes estejam mentalizados a aceitar um tipo de censura social. No caso de Braga de Macedo, tal como acontece com Catroga, o facto de pertencerem a uma elite torna-os imunes a qualquer tipo de crítica. O fisiologismo e o nepotismo são formas de corrupção, mas o facto de serem políticos corruptos não os afecta.
Se alguma vez a comunicação social domesticada que temos se lembrar de inquirir da falta de ética de ambos, estes poderão simplesmente ignora-la, ou convida-la para tomar um chá. Todos aceitamos que isto se passe desta forma porque esta é a sociedade que nós criámos. Os portugueses deixaram que estas pessoas se tornassem donas do país, porque não sabem ser cidadãos, ou então não querem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sete fronhas e um lençol

Os três corpetes representam, obviamente, a troika. No final dos anos setenta e princípio dos anos oitenta, ainda o PREC estava fresco, a metáfora utilizada para sufocar os portugueses era o "apertar do cinto". O cinto servia para tudo. Para bater nos mais indisciplinados e para apertar a fome.
Na crise pós-2008, o cinto já não chega, uma vez que os hipermercados estão a abarrotar e pede-se ao povo que consuma. A peça mais indicada para apertar o povo é o corpete, porque a troika e o governo querem espremer o tórax das pessoas, até que estas deixem de conseguir respirar.
O avental é obviamente Jorge Silva Carvalho. Embora também pudesse ser o deputado Luís Montenegro, que fala em inglês na Assembleia da República para dar um ar refinado. Silva Carvalho até poderia ser "investigado" por uma comissão parlamentar dominada por Montenegro, caso estivéssemos no país da inocência.
Silva Carvalho não fala, Silva Carvalho facebuca. Dislates que as televisões alegremente publicitam, juntamente com os vídeos do Pinheiro de Azevedo, uma vez que a obediência passa por dar o devido destaque à propaganda de Silva Carvalho.

As sete fronhas são hediondas. Monstros cuja face provoca o vómito e o asco. Para além das fronhas de Silva Carvalho e Luís Montenegro, temos direito à fronha asquerosa de Manuela Ferreira Leite, a defender que os doentes com mais de setenta anos só tenham direito à hemodiálise se a pagarem.
O pagamento das horas extraordinárias dos médicos vai sendo reduzido, para que estes achem o Serviço Nacional de Saúde pouco apelativo. Aos poucos vão fugindo para o privado. Para quê ter médicos competentes num serviço estatal, quando podem estar a enriquecer a administração de uma clínica privada?
Esta é a filosofia escrita na fronha de Paulo Macedo, ministro da Médis, gestor fiscal e director-geral dos impostos quando Ferreira Leite era ministra das Finanças. O lucro é mais importante do que a vida humana e quem faz hemodiálise é porque lhe apetece.
Não é como nos Estados Unidos, onde se alguém responde que é pobre lhe dizem que não tem direito a nada. Por cá, recomendam-lhe que vá ao Serviço Nacional de Saúde, e se você argumentar que o Serviço é miserável, vão-lhe responder que também você o é. O lucro é mais importante do que a vida humana.

A quinta fronha (poderia ser a quinta coluna) é a de Francisco Pinto Balsemão, cujas cirurgias plásticas não conseguem esconder a degradação da dita. Mas pior do que a degradação da fronha é a degradação da ética e dos princípios. Os jornais televisivos deram zero destaque à polémica criada pelas declarações de Ferreira Leite, o que revela que Balsemão tem de facto poderes. Pior do que o apagão analógico é o apagão da informação televisiva, e o condicionamento para que não se fale do assunto sem ser em blogues e redes sociais, que só são escrutinadas se forem o facebook do Silva Carvalho. Quanto ao resto, temos aquela gente que deita sempre água na fervura, para dizer que aquilo que a fronha de Ferreira Leite disse não era afinal bem aquilo que essa fronha queria dizer. Eis o lençol português, tapando e escondendo a porcaria e podridão das figuras públicas, ao mesmo tempo que embala os portugueses no seu sono, para que estes sejam roubados mais facilmente.
Por fim, aparecem as fronhas sorridentes de Miguel Relvas e Zeinal Bava, no momento simbólico do desligar do sinal de televisão analógico. Já a pensarem nos milhões que vão entrar com o negócio do espectro de frequências, que era de todos nós.

O lucro é mais importante do que a vida humana.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Fazer sangue

O problema aqui com o Soares dos Santos é devido às lições de moral que a referida pessoa andou a pregar em programas como o Negócios da Semana ou o Plano Inclinado, em que fazia o apelo à emoção de forma demagógica, de que nunca iria abandonar o país dele porque tinha nascido cá, e o pai e o avô também, enquanto estendia uma passadeira para que Passos Coelho se tornasse Primeiro-ministro.
Obviamente que não critica Passos Coelho, porque este arranjou-lhe uma alínea no Orçamento de Estado, em conluio com a bancada PS, que lhe permitiu meter as mais valias na Holanda, sendo desta forma que o grupo financeiro ganha dinheiro, e não com os lucros da sua actividade em Portugal. Para especuladores financeiros que, repito, dão um ar de moralistas e são no fundo uns rematados hipócritas, essas são as migalhas que estão dispostos a oferecer ao Estado português.
Já aqui escrevi acerca de hipócritas, aquando do fenómeno da ave de arribação Fernando Nobre. A única diferença entre o hipócrita Soares dos Santos e o hipócrita Fernando Nobre é que o primeiro fez um favor aos políticos do PSD, e o segundo queria que os políticos do PSD lhe fizessem um favor.

Claro que a Caixa Geral de Depósitos fugir para as Ilhas Caimão é mais grave. Mas com um conselho de administração controlado por tubarões da alta finança como Nogueira de Leite (PSD), Agostinho de Matos (colega do ministro das finanças), Nuno Fernandes Thomaz (CDS, banca de investimento), Pedro Rebelo de Sousa (irmão do Marcelo) e Rui Machete (envolvido no escândalo BPN até ao pescoço), não se pode pedir que a Caixa tenha o interesse nacional em conta, quando essas pessoas foram lá postas com o objectivo contrário. Não é ético, mas é da sua natureza.
Quem estuda economia sabe que o Estado dispõe de três mecanismos políticos que são fundamentais para gerir as finanças e influenciar e dinamizar o crescimento económico: a política monetária, a orçamental e a fiscal. Ora, a política monetária em Portugal não existe porque o nosso dinheiro é imprimido em Frankfurt e as taxas de juro são fixadas pelo BCE. A política orçamental é ditada pela troika, e a política fiscal, devido à alínea anteriormente referida no orçamento da troika, permitiu que os grandes grupos empresariais que mandam no governo pudessem encontrar ambientes mais paradisíacos, mesmo que sejam na Holanda.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Conto de Natal


Uma empresa nipónica de topo quer(ia) instalar uma unidade fabril em Portugal, dumas cenas que funcionam a iões de lítio. Nos idos de Fevereiro, o Primeiro do anterior governo lá foi lançar a primeira pedra e esperava-se que o processo decorresse normalmente. O país Portugal necessita urgentemente de investimento estrangeiro, uma vez que está em quebra económica, e toda a captação é bem vinda.
Acontece que, quatro meses depois da primeira pedra, o governo do país muda. O Primeiro já não é o Primeiro que lá lançou a primeira pedra, e começam a evidenciar-se os primeiros sintomas de ganância. Em Dezembro, a referida empresa anuncia que vai suspender a construção da unidade fabril das cenas que funcionam a iões de lítio, uma vez que o projecto, negociações, contrapartidas e compensações financeiras já foram todas para benefício do anterior governo.

Ainda se o actual governo lucrasse alguma coisa com esse projecto, talvez a população que iria realmente beneficiar com o investimento fosse mais considerada. Mas "o lucro é mais importante do que a vida humana". Bom Natal, minha gente!

Imagem: "California Gurls", Katy Perry

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A filha-putice como um estilo de vida



Aquilo que começou com os insultos à visita de Passos Coelho a Matosinhos só pode ser entendido como a reacção à doutrina Freidmaniana (vamos chama-la assim) deste governo, cujo pressuposto dogmático se baseia na crença de que "o lucro é mais importante do que a vida humana". A malta de direita tem dificuldades cognitivas, ou então faz parte daquela minoria que efectivamente lucra com o estado de coisas, demonstrando que a filha-putice pode ser um estilo de vida. Infelizmente para eles, é mais difícil defenderem um governo do que ataca-lo, como faziam anteriormente.
Os fazedores de opinião da situação ficaram muito ofendidos com as declarações de um deputado do PS, que queria usar o não pagamento da dívida como arma. Já tinha anteriormente avisado para os excessos dos jantares de Natal, e a influência que o álcool pode ter nas nossas vidas. Mas, pelos vistos, só desta forma certas pessoas encontram a coragem para falar de certos assuntos que, em condições normais, nem sequer abordariam.

Percebe-se a argumentação em torno da dívida. Os spin-doctors tentam comparar coisas diferentes (uma falácia que usam habitualmente) como comparar os créditos pessoais com a dívida soberana. A dívida serve para escravizar países com o intuito de os controlar. Os credores da dívida portuguesa não se interessam pelo dinheiro. O dinheiro para eles é um modo de atingirem um fim, que é a submissão dos devedores.
O que o cidadão comum pensa, é que o Parlamento se tornou numa casa de putas. Mas com uma sessão presidida pela Teresa Caeiro não se poderia esperar o contrário. Ver aquilo é melhor do que ir ao circo, e os blogues e jornalistas avençados a esta maioria fazem parte do mesmo prostíbulo. Estas pessoas estão a destruir o país, estão a cometer Alta-Traição, e esta situação não se vai inverter só com palavras.
Por fim, o Demagogo-Mor Paulo Portas, em entrevista televisiva conseguiu a habilidade de exprimir três falácias argumentativas na mesma frase. O homem é um talento nato. Por muito que se trabalhe a arte da retórica, certas coisas já nascem com a pessoa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Gente Bem

"Depois de entrarem no palácio, os conspiradores procuraram Miguel de Vasconcellos, mas dele nem sinal. E por mais voltas que dessem, não encontravam Miguel de Vasconcellos. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro, e nada.
Ora acontece que Miguel de Vasconcellos, quando se apercebeu que não podia fugir, escondeu-se num armário e fechou-se lá dentro, com uma arma. O que finalmente o denunciou foi o tamanho do armário. O fugitivo, ao tentar mudar de posição, remexeu-se lá dentro, o que provocou uma restolhada de papéis. Foi quanto bastou para os conspiradores rebentarem a porta e o crivarem de balas. Depois atiraram-no pela janela fora.
O corpo caiu no meio de uma multidão enfurecida que largou sobre ele todo o seu ódio, cometendo verdadeiras atrocidades, sendo deixado no local da queda para ser lambido pelos cães, símbolo da mais pura profanação.
"
in wikipedia, Miguel de Vasconcelos

ionline: "Então também não entrará de forma hostil na Impresa?"
Nuno Vasconcellos: "Nem na Impresa nem em lado nenhum. Nós somos uma empresa de cariz familiar, com várias gerações, já passámos por grandes dificuldades, duas guerras mundiais, revoluções... e continuamos de cabeça erguida, com transparência e nada a esconder. Tomo como exemplo o que me foi dado no passado, não criar hostilidades. Queremos fazer o nosso caminho sem pisar ninguém, mas a defender os nossos interesses. Só investimos onde somos bem-vindos. Veja o BCP. Comprámos e quando vimos que não éramos bem-vindos, saímos."
ionline: "Não acha que a proposta apresentada à Impresa possa ter sido vista como uma tentativa de golpe de Estado?"
Nuno Vasconcellos: "Por amor de Deus, isso é insultuoso. Somos uma família de negócios que quer criar valor e crescer. Não nos movemos pelo poder, movemo-nos porque queremos criar valor para o accionista. É diferente. Criamos valor onde estamos mas só se formos bem-vindos, se não paciência, amigos como sempre. Agora também temos a liberdade de fazer propostas e expressar opiniões e de não nos deixarmos inibir. Se não foi uma ditadura que nos impediu de fazer negócios, nada nos inibe."
ionline, 10 de Agosto de 2009

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Triunfo dos Porcos

"Euro Pigs", por Trumble

Uma dose colectiva de alprazolam para a mesa do canto, para a malta se esquecer de como é vista lá fora e de como é traída cá dentro. A França é a nossa besta negra e a Holanda tem vontade de se desforrar dos espanhóis, "A cada cerdo le llega su San Martín". A Inglaterra tem, talvez devido ao peso da libra esterlina, uma longa tradição a tratar dos irlandeses, e a Grécia já é propriedade da Alemanha. A Itália tem a Goldman Sachs a preparar-lhe o presunto.
A Croácia tem o kuna, a Dinamarca e a Suécia têm a coroa, tal como a República Checa, apesar de ser uma república; a Polónia tem o zlóti, a Rússia tem o rublo e a Ucrânia tem o grivna. Euro... qual euro?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Samhain

Nas sociedades agrárias, o princípio do Inverno era sinónimo do pagamento de um imposto pelas tribos subjugadas. As colheitas já estavam feitas, bem como o pasto dos animais. Os animais eram então arrebanhados e eram somente poupados ao abate aqueles que estavam destinados à reprodução, uma vez que durante a estação mais fria se tornava difícil de os manter.
Segundo o Lebor Gabála Érenn, colecção medieval de narrativas acerca das origens míticas da Irlanda, a tribo nemediana tinha de entregar, na altura do Samhain, e com um sentimento de ira e tristeza; dois terços dos animais, do trigo e do leite, aos semi-divinos fomorianos. Este dízimo era assim, um tipo de sacrifício feito a entidades sobrenaturais.

Na nossa sociedade bancária, o sino do Banco Central Europeu, que vela por todos nós, vai a partir de hoje passar a ser dobrado por Mario Draghi, alumni do banco de investimento e domínio mundial chamado Goldman Sachs. Com o simbolismo ritual que representa a tomada de posse a 1 de Novembro.
O facto de ser italiano não o torna mais sensível às idiossincrasias dos países do sul da Europa, como defendem alguns analistas, sendo essa uma característica fundamental para vergar a vontade de soberania desses mesmos povos. Especialmente quando a Itália estiver a ser ocupada mais intensivamente, e a Grécia e Portugal se encontrarem em ruínas. Mas tal como diria o demoníaco Lloyd Blankfein, chairman da Goldman Sachs: "I'm doing God's work."

"A roda do ano girou, a colheita veio de novo. Semeei muitas sementes do pensamento desde o último Samhain. Que as boas sejam recolhidas; que as que me ferissem ou prejudicassem sejam deitadas fora."

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Isto é só um jogo

O ódio ao funcionalismo público, que o governo pretende fomentar e usar em seu favor, é a premissa base deste texto. A manipulação governamental tenta passar a ideia de que o Estado é caro, gordo e inútil, quando se sabe muito bem que não é possível erradicar todas as redes de comportamentos corruptos que lá existem, sem destruir a rede de assistência social, que é uma das obrigação do Estado.
Se o objectivo fosse tornar o Estado mais eficiente, não era preciso virem com esse tipo de discurso. Se o objectivo fosse dinamizar o mercado, tomavam-se medidas para estimular a concorrência, em vez de se privatizar sectores que são por natureza monopolistas, aproveitando a desculpa da crise, para os vender a um valor mais baixo.
Justificar o facto do governo ser obrigado a despedir funcionários públicos; os chamados cortes na despesa, com a falta de produtividade sistémica que se verifica na economia portuguesa é uma fraude. O governo só vai despedir porque é obrigado pelo exterior, e só tem medo porque é impopular. Não é por causa da ineficiência.

Dizer que os trabalhadores do sector público ganham mais do que os do privado é uma mentira. A falácia está no facto de se pegar na massa salarial do sector público e compara-la com a massa salarial do sector privado, quando certas actividades do Estado não existem no privado.
Os casos em que funcionários públicos ganham mais do que o seu equivalente privado está no facto dos primeiros terem progredido na carreira o suficiente para verem a sua experiência remunerada. Os aumentos dos salários na função pública estabelecem os aumentos dos salários no sector privado. Por isso, os últimos são sempre superiores.
O que este governo quer fazer é balizar tudo por baixo: um Estado mínimo e miserável para quem não puder pagar, e um sector privado que explore os seus trabalhadores em nome da falta de produtividade. Há que denunciar a agenda deste governo, que é bastante óbvia. A discussão entre o mérito devido ao trabalhador público versus o privado é uma discussão estéril e impede de ver o que está aqui realmente em causa.

Tenta-se confundir a opinião pública com o problema do défice. A comunicação social já não se refere ao défice em percentagem do PIB, porque um valor inferior a 10% não causaria muito impacto no cidadão. Se falarmos em cerca de 10 mil milhões de euros, o povinho fica muito mais impressionado. Não é, senhores jornalistas?
Tenta-se convencer a opinião pública que o problema é a dívida, sem referir se se trata da dívida soberana (governamental e municipal) ou da dívida privada, ou se é dívida interna ou externa. O verdadeiro problema é que a dívida soberana externa é simplesmente dinheiro fictício, com o qual vendemos a nossa soberania e fomos ocupados por forças estrangeiras. O que antes era chamado de Alta Traição. Dívida que só existe porque os credores sabem que é uma forma de manter Portugal em sentido. Mesmo que entremos em default, os "credit default swaps" reembolsam os credores. Eles sabem, tal como o governo, que a dívida vai ser impossível de pagar, mas mantêm a ilusão para o povo ir aceitando melhor a austeridade.

domingo, 16 de outubro de 2011

Teorias do descontentamento

Os vários fora deveriam ter analisado o problema deste modo: Comparar o valor de 691 mil milhões de dólares (mais de 500 mil milhões de euros à taxa actual) do banco de investimento Lehman Brothers, com o PIB anual de Portugal, de cerca 172 mil milhões de euros, para meter as coisas em perspectiva.
Essa foi a maior falência da história da humanidade, e se o nosso país entrasse em bancarrota, o impacto não seria tão grande, excepto na estabilidade do próprio Euro. Mesmo a descomunal dívida externa portuguesa de mais de 370 mil milhões de euros, fica aquém do valor acima demonstrado.
Deveriam ter falado dos 1,5 mil biliões (1.5 quadrillion/quinze zeros) de dólares da crise dos derivativos financeiros, que englobam as alavancagens especulativas, através de contratos como os futures ou os credit default swaps. O jargão parece complicado mas é só para afastar o cidadão comum da compreensão deste meio. Algo que os media informativos poderiam ajudar a decifrar, caso fossem deontológicamente isentos e não seguissem os interesses corporativos de quem lhes paga.

Sabendo que algo deste género seria inevitável, o cartel financeiro encontrou forma de passar este tipo de perdas para o cidadão contribuinte, para que este absorvesse o embate. O sistema funciona assim, e tudo correria sobre rodas, caso o cidadão contribuinte aceitasse que a culpa é dele.
Hoje em dia já não existem os afamados líderes do passado, que guiavam as massas. As próprias manifestações fogem ao controlo dos partidos políticos de protesto. A razão está na partilha de informação, onde as massas já não aceitam que alguém lhes filtre a informação e se torne num líder, num condutor. As massas podem estar sujeitas à demagogia e ser irracionais. Mas estas massas percebem, tal como um touro que é toureado, que algo está mal, quando lhe espetam com a austeridade.
Quem manda no toureiro não está interessado no dinheiro. O que lhes interessa é o poder. O dinheiro é apenas uma forma de submeter aqueles que não aceitam ficar sem soberania, que não aceitam ficar com a sua terra conquistada.
Os media informativos contam outro tipo de história, glorificando os parasitas.

Apesar de toda a manipulação, o cidadão contribuinte tem um limite para aguentar e o movimento resultante da sua indignação adquire contornos globais. Do mesmo modo que as estradas romanas serviram tanto para a expansão, como para o declínio do império, também a Globalização pode voltar-se contra si própria, desde que as pessoas, mais do que meros cidadãos contribuintes, tenham vontade para isso.
O "occupy everything" demora a descolar, mas torna-se mais forte à medida que ganha ímpeto. Não se vê nada no futuro que o faça abrandar: os governos vão continuar a ser controlados pelos grupos económicos, vão continuar a impor austeridade aos seus concidadãos, vão continuar a destruir a economia, vão vendendo aquilo que é de todos a alguns, a preço de saldo, ao cartel oligarca que manda no governo, cujos membros serão amplamente recompensados quando cessarem funções, dando ao povo a ilusão da participação democrática.
Os "indignados" são adversários do poder, e devem ser rotulados como um bando de indivíduos perigosos, pelos media informativos, para justificar a repressão.

Nota: O tratamento mediático da manifestação foi deplorável. A agenda dos jornais televisivos, desta tarde de Domingo, parecia o jornal do Crime, rebuscando a ideia de condenar a agressão a agentes de autoridade com a prisão preventiva. Pode ser que o cidadão pense duas vezes antes de atacar os cães de guarda que estão a defender um símbolo do poder, como a Assembleia. Desde o suposto arrastão da praia de Carcavelos, que são mais cuidadosos com a manipulação, mas não deixam de ser eficientes.
Em segundo lugar, a repressão está nos genes deste governo. 1982, ministro da Administração Interna: Ângelo Correia - dois operários mortos na véspera do 1º de Maio, pela polícia. 1994, ministro da Administração Interna: Dias Loureiro - revolta na ponte, reprimida pela polícia. Há aqui um padrão.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Anticristo

O Anticristo será alguém que irá ser adorado por todos os povos do mundo. Se quiserem "esperança", ele dar-vos-à esperança. Se quiserem "mudança", ele irá dar-vos uma mudança em que todos nós possamos acreditar. O Anticristo será um ilusionista e um manipulador de multidões. A sua administração será constituída por oligarcas financeiros vindos de Wall Street, que apresentarão ao mundo a solução para o problema da sua própria crise financeira.
O Anticristo terá um fantoche com um marketing mediático, conseguido através do dinheiro que lhe é oferecido por quem o controla. As suas empresas de media atacarão qualquer um que lhe tente fazer frente. O Anticristo será adorado por milhões de pessoas, que chorarão em êxtase na sua presença.

O Anticristo já foi, e ainda é, um empregado de Kissinger. A sua propaganda brzezinskiana fará com que todos acreditem nele e que ignorem o senso comum.
O Anticristo é eloquente, inteligente, carismático; disfarça-se de homem de Paz.
O Anticristo traz a guerra; a económica e a militar. O Anticristo destrói economias.
O Anticristo destrói nações. O Anticristo invade a África, o Egipto, a Líbia, o Sudão do Sul, a Somália, o Quénia. O Anticristo é o grande relações públicas cerimonial e teatral. O Anticristo tem o mundo nas suas mãos, como se fosse uma bola de basquetebol. O Anticristo é um criminoso.

sábado, 30 de julho de 2011

O pote da Caixa - versão simplificada

Na minha opinião, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) não deveria ser um banco de investimento. Parece evidente que a fraude das alavancagens de risco são as responsáveis pela crise económica mundial. A Caixa é o sustentáculo do sistema bancário nacional, sem o qual corremos o risco de nos acontecer algo como na Islândia, para o contentamento de meia dúzia de especuladores.
A nova administração vai ter três membros não-executivos, pomposamente designados no conjunto por "Comissão de Auditoria", cuja função será a de vigiar o trabalho dos membros executivos. Se este tipo de organização é usual em bancos privados - nos quais os accionistas mais importantes fazem valer as sua orientações - não se percebe a sua inclusão num banco estatal, uma vez que a sua orientação primária já está definida. A não ser que se estejam já a preparam para a sua privatização, mas isso já é outra conversa.

O até agora presidente Faria de Oliveira irá continuar como presidente, embora agora o seu cargo seja meramente simbólico. A polémica surgiu após Nogueira Leite ter declarado à imprensa da especialidade que seria o novo vice-presidente, algo que só é definido pelos próprios membros, depois de constituída a administração.
Apesar de ter sido formalmente eleito como um mero vogal da administração, Nogueira Leite irá definir as orientações governamentais em nome do interesse político, e nem me parece que haja grande fricção nesta administração, porque todos pensam da mesma maneira: O santo mercado deve ser deixado em paz, a via para a felicidade passa pela privatização, e a concorrência é um pecado. Viva a especulação!


Conselho de Administração (membros do governo):

António Nogueira Leite, economista nomeado pelo Primeiro-ministro, de facto CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), membro do Conselho Nacional do Partido Social Democrata (PSD), secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, entre 1999 e 2000 (governo de António Guterres), administrador executivo da Mello Saúde e vice-presidente do Banif Investment Bank.José Agostinho de Matos, CEO no papel, testa de ferro nomeado pelo Ministro das Finanças, do qual foi colega no Banco de Portugal.Nuno Fernandes Thomaz, administrador-executivo nomeado por Paulo Portas, do qual foi Secretário de Estado, político do CDS/PP, proponente do "Museu da Bíblia", CEO do Grupo ASK - banco de investimento e finança corporativa - até Julho de 2011.


Conselho de Administração (Comissão de Auditoria):

Eduardo Paz Ferreira, advogado, membro da Comissão ministerial de Acompanhamento das Privatizações e na elaboração das leis que regem o Sector Empresarial do Estado (1997-1998).
Pedro Rebelo de Sousa
, irmão de Marcelo Rebelo de Sousa, advogado da multinacional petrolífera ENI (accionista de 33% da petrolífera Galp - negócio cujo interesse estratégico faz parte das atribuições da CGD) e advogado da Compal, empresa que mantém um litígio jurídico com a CGD.Álvaro Nascimento, economista, consultor em política de concorrência e regulação financeira sectorial, Financial Research Analyst no BPI (Banco Português de Investimento) entre 1989 e 1991 e Trading Desk na Douro - empresa de serviços financeiros - entre 1993 e 1998.


Conselho de Administração (membros repetentes):

Fernando Faria de Oliveira, político do PSD, ministro do Comércio e Turismo dos governos de Cavaco Silva, anterior CEO da Caixa Geral de Depósitos e reeleito Presidente do Conselho de Administração (chairman).Norberto Rosa, economista, secretário de Estado do Orçamento entre 1993 e 1995 (governo de Cavaco Silva) e entre 2002 e 2004 (governo de Durão Barroso) e, por inerência da CGD, vice-presidente do Banco Português de Negócios (BPN).Jorge Tomé, economista, especialista em finança de investimento e fundos de pensões, nomeadamente no grupo BANIF, e representante da CGD na Portugal Telecom (PT), até se demitir do cargo em 2009, após um investimento da PT na Ongoing Internacional à sua revelia.Rodolfo Lavrador, advogado, secretário de Estado do Tesouro e das Finanças entre 2001 e 2002 (fase final do governo de António Guterres).Pedro Cardoso, economista, responsável pela análise dos mercados financeiros, da gestão de activos e da gestão de risco, administrador da Efisa - empresa de finança corporativa, parte do grupo BPN - e administrador da CGD no Banco Português de Negócios (BPN).


Mesa da Assembleia Geral:

Manuel Lopes Porto, deputado do PSD ao Parlamento Europeu entre 1989 e 1999, membro da Comissão que preparou a Reforma Fiscal criadora do IRS e do IRC, organizador da reunião internacional de liberalização do comércio e políticas de ajustamento do World Bank (Banco Mundial).Rui Machete, presidente do Conselho Nacional do PSD, presidente em exercício do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) - empresa detentora do Banco Português de Negócios (BPN) - no momento da sua gestão danosa e malpractice financeira, que resultou numa dívida a ser paga pelo contribuinte português, de cerca de 4 mil milhões de euros, até 2020.José Lourenço Soares, jurista, administrador da CGD no Banco Português de Negócios (BPN).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ponto da situação

Tony Blair, por Peter Kennard
(imagem solenemente apreciada aqui)

“If you think that bankers are the same as you, you're wrong! F. Scott Fitzgerald once told Hemingway: "You know, the rich are different from us!" and Hemingway said: "Yeah! They have more money!" and F. Scott Fitzgerald replied: "No. It's something much deeper. It's a whole different world. To be an oligarch, to be a "Rockefeller" or something of this sort, means that you're in a completely different world, with values which are the reverse of human values."
Now, if you allow the oligarchs to continue to dominate, the destruction of world civilization is a matter of a few decades, at the very, very most. So, choose!”

Webster Tarpley, in "Fall of the Republic", 2009.

Antes de mais, devo referir que os banqueiros, agências de notação e afins devem ser louvados. Qualquer indivíduo ou organização que extermine humanos tem o meu aval; uma vez que eu, apesar do meu orgulho élfico, não os consigo matar a todos.
Deste modo, o que mais me fascina nesta guerra é a capacidade das classes jornalística e política em omitirem a verdade aos cidadãos. De embarcarem neste mito, que perpetua a ignorância, de que as agências de notação são incompetentes e de que o problema é a falta de solidariedade da política europeia.
Apesar de ser certo que não existe união política na Europa, e de que a defesa do estado europeu está pelas ruas da amargura, os cidadãos que vão ser vítimas nesta guerra têm o direito a saber porque vão morrer e quem os vai matar. Chamem-me antiquado, mas eu ainda sou do tempo em que o vilão tinha um certo brio em explicar o seu plano maquiavélico e em retirar toda a esperança à vítima.

O lucro é mais importante do que a vida humana: este é o credo das empresas de mercenários que operam nos teatros de guerra americanos. Mais de 40.000 mortos desde 2010. Embora para ser justo, talvez devesse apresentar uma contabilidade trimestral, uma vez que se trata de uma economia capitalista.
O lucro é mais importante do que a vida humana: este é o credo das empresas de finança corporativa, vulgo agências de notação. O senso comum avisa que para se defender algo, se deve ter um exército. Os Estados Unidos têm as três grandes (embora a Fitch também esteja baseada no Reino Unido) a China tem a Dàgōng, a Rússia tem a Muros, o Japão tem a JCRA, e os súbditos britânicos do Canadá e da Austrália têm a DBRS e a Veda, respectivamente. A Europa tinha qualquer coisa que foi destruída pelo George Soros, que é assim algo como um exército de um só homem, pessoa a quem elogio só para não me chamarem de anti-semita.

O nosso premiê apresentou um esgar nervoso de riso com o "murro no estômago". Estaria mais dentro do personagem se compusesse um ar grave e sério. Já sabíamos que o senhor cantava, mas deveria ter tido umas aulas de representação.
No fundo, as dores de estômago devem-se a não se ter banqueteado ainda com as Águas de Portugal ou com a Rede Eléctrica Nacional. Depois de partilhar esse repasto com as corporações estrangeiras, já se irá sentir melhor da barriga.
A insistência em determinadas teorias por parte da comunicação social sempre fez parte da estratégia para distrair os cidadãos-consumidores-de-televisão, facilmente manipulados a acreditarem no que quer que se lhes conte.
O que chateou os cretinos do governo e dos media foi o timing da acção das agências. Agora não existe Sócrates para servir de bode expiatório e torna-se cada vez mais difícil encontrar boas desculpas para iludir o cidadão. Se ao menos já houvesse bola...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Protectorado

Hoje comemora-se o Dia de Portugal, embora este dia já não faça sentido. Portugal fazia parte da União, até ser anexado pela ponta de lança da ofensiva americana: As agências de notação financeira e a intervenção externa bandoleira.
A guerra económica mais não é que o sufocamento dos povos sem recorrer aos contingentes militares. Portugal teve a manifesta pouca sorte de ser um dos elos mais fracos do Euro. Como qualquer invasão se inicia pela parte mais fraca, a União Europeia vê-se a braços com uma guerra da qual não quer dar conhecimento ao próprio povo europeu, nos seus simulacros de democracia.
A política europeia, encabeçada pela Alemanha, é uma política de "terra queimada". Uma política que deixa cair os estados mais fracos, para que o inimigo não lucre com eles. A iminência da expulsão do Euro, deixando queimar uma população inteira, é o que se projecta a prazo. Uma doutrina de tratamento de choque, ao bom estilo da escola de Chicago. Um genocídio cultural, com total desprezo pela vida humana.

Portugal, o país. Portugal, a nação. Portugal, a língua que foi vendida aos brasileiros por trinta dinheiros. Portugal, uma terra de usurários e cangalheiros. Daqui para a frente será a agonia até à estocada final. O protectorado não encontra nenhuma razão para não se considerar como tal.
Portugal sempre teve as suas vergonhas. A história apócrifa em que Vasco da Gama escorregou, ao embarcar na São Gabriel. Mesmo que tal nunca tenha sido vertido para o papel. Mesmo que tal verso nunca tenha feito parte da Lusíada.
Hoje quem cantar Portugal só pode cantar sobre vergonha. Vergonha por não sermos. Vergonha por nos perdermos. Vergonha por nem conseguirmos ser capazes de nos revoltar. Se este é o teu sal, então vai conservar muito bem o teu cadáver, Portugal!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Invaders Must Die

The Prodigy - Invaders Must Die

Prometi a mim próprio este vídeo para quando o FMI aterrasse na Portela, local que o dito nunca utilizou para aterrar. Não é ritmo de pop-chula, mas é um "passaporte de coelho" para os ouvidos!
Mas que aquela Teresa Ter-Minassian era um grande naco, lá isso era.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Hoje acordei mal disposto

Eu sei que os blogues de direita andam todos entesados com o facto dos seus donos poderem chegar ao poder, e que certos jornais e televisões impingem sem pudor uma mensagem sebastianista que eu não desejo comprar.
Mas de facto, porque razão haveria de existir pudor? Se todos sabem qual é a mão que lhes dá de comer. Em relação à bloga, moderem os vossos ataques pessoais. Discutam ideias em vez de agredirem os olhos e a inteligência das pessoas que passam pelas vossas lixeiras. Tanta contaminação mete medo.
O ataque mais cobarde é feito a Paul Krugman. Economista norte-americano que na opinião dessa gente, se trata simplesmente de um "adivinho" que nunca deveria ter recebido o prémio Nobel. O objectivo é atacarem, por interposta pessoa, o suposto sustentáculo ideológico do partido do governo.
Krugman é Neo-Keynesiano, e eis o que escreve acerca do ataque que o próprio Keynes havia sofrido às mãos dos conservadores:
«A hostilidade maior a Keynes, porém, sempre partiu da direita. Porque será que os conservadores detestam a economia keynesiana? Em parte porque não gostam de Keynes, o homem - esteta, homossexual e membro do temível grupo de Bloomsbury»

O grupo de Bloomsbury era um grupo de intelectuais londrinos da primeira metade do século vinte, entre os quais se encontravam os escritores Virginia Wolf, Edward Forster e o próprio John Maynard Keynes, e que tinham ideias e atitudes modernistas em relação a temas como o pacifismo e a sexualidade.
Mais adiante, Krugman aponta o facto da direita intelectual ter conseguido encontrar argumentos para criticar a esquerda intelectual durante um certo tempo:
«Falando agora com mais seriedade, os conservadores não gostam de Keynes porque ele parece justificar na sua teoria, uma ampliação do papel do Estado. A teoria de Keynes sobre a recessão vê esta como uma situação em que os mercados privados estão metidos num emaranhado que a acção estatal pode ajudar a desembaraçar. Ele próprio não era socialista, muito menos a maioria dos seus seguidores; para eles, essas ideias eram uma maneira de fazer o capitalismo funcionar melhor, não uma razão para substitui-lo. Contudo, os conservadores sempre encararam a economia keynesiana como a ponta de lança de uma teoria que permite a intrusão total do Estado no mercado, e têm procurado alternativas e formas de refutar o keynesianismo.»
Paul Krugman, “Peddling prosperity: economic sense and nonsense in the age of diminished expectation”, 1994.

Aqui d'el Rei! Que o Estado está gordo, e é necessário privatizar para que muitas negociatas sejam feitas para os seus apaniguados. Alguém que faça o favor de limpar a saliva nos cantos da boca a essa gente. E uma vacina contra a raiva também não era mal pensado!