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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Gente Bem

"Depois de entrarem no palácio, os conspiradores procuraram Miguel de Vasconcellos, mas dele nem sinal. E por mais voltas que dessem, não encontravam Miguel de Vasconcellos. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro, e nada.
Ora acontece que Miguel de Vasconcellos, quando se apercebeu que não podia fugir, escondeu-se num armário e fechou-se lá dentro, com uma arma. O que finalmente o denunciou foi o tamanho do armário. O fugitivo, ao tentar mudar de posição, remexeu-se lá dentro, o que provocou uma restolhada de papéis. Foi quanto bastou para os conspiradores rebentarem a porta e o crivarem de balas. Depois atiraram-no pela janela fora.
O corpo caiu no meio de uma multidão enfurecida que largou sobre ele todo o seu ódio, cometendo verdadeiras atrocidades, sendo deixado no local da queda para ser lambido pelos cães, símbolo da mais pura profanação.
"
in wikipedia, Miguel de Vasconcelos

ionline: "Então também não entrará de forma hostil na Impresa?"
Nuno Vasconcellos: "Nem na Impresa nem em lado nenhum. Nós somos uma empresa de cariz familiar, com várias gerações, já passámos por grandes dificuldades, duas guerras mundiais, revoluções... e continuamos de cabeça erguida, com transparência e nada a esconder. Tomo como exemplo o que me foi dado no passado, não criar hostilidades. Queremos fazer o nosso caminho sem pisar ninguém, mas a defender os nossos interesses. Só investimos onde somos bem-vindos. Veja o BCP. Comprámos e quando vimos que não éramos bem-vindos, saímos."
ionline: "Não acha que a proposta apresentada à Impresa possa ter sido vista como uma tentativa de golpe de Estado?"
Nuno Vasconcellos: "Por amor de Deus, isso é insultuoso. Somos uma família de negócios que quer criar valor e crescer. Não nos movemos pelo poder, movemo-nos porque queremos criar valor para o accionista. É diferente. Criamos valor onde estamos mas só se formos bem-vindos, se não paciência, amigos como sempre. Agora também temos a liberdade de fazer propostas e expressar opiniões e de não nos deixarmos inibir. Se não foi uma ditadura que nos impediu de fazer negócios, nada nos inibe."
ionline, 10 de Agosto de 2009

domingo, 13 de novembro de 2011

Era uma vez... o Homem

Esta história poderia começar assim: "C'era una volta l'uomo..." como na série animada dos anos setenta. As manifestações de júbilo por toda a Itália parecem as mesmas dos povos que finalmente conquistam a liberdade. Embora neste caso, esses mesmos povos estejam mais cerceados do que nunca. A Goldman Sachs já tinha avisado a meio da semana de que forma é que queria o novo governo italiano. Já não estamos em tempo de fingimentos e nada melhor do que um Trilateral-Bilderberg-Goldman como Mario Monti para endurecer a acção. Quando o ostrogodo Odoacro se tornou no primeiro Rei de Itália, no distante ano do Senhor de 476, este limitou-se a tomar a coroa que era de facto dele, acabando de vez com a farsa do poder imperial romano.
Dizem os entendidos que aquilo que acontece em Itália tem repercussões no resto da Europa; fazendo talvez um paralelismo com a influência egípcia no resto de África e do Médio Oriente. Embora aqui não haja Primavera, só um Inverno bastante frio.

A Itália esteve desde sempre no centro do poder europeu e mundial; foi a origem do Império Romano, fez parte do Império Franco, do Sacro Império, da Casa dos Habsburgos e do Império Napoleónico. Foi na Itália dos Gonfaloniere de Florença que se criou o florin, a moeda de ouro mais valiosa da Idade Média e do Renascimento, o que permitiu que banqueiros como a Casa dos Medici dominassem o poder político mundial, que a oligarquia dos Doges de Veneza detivesse o monopólio sobre o comércio com o Oriente, e que a Casa dos Bórgia conseguisse corromper e manipular a nobreza do Ocidente. Foi em Itália que a ideologia fascista foi primeiro posta em prática e depois se difundiu pela Europa. Foi onde se assinou o Tratado de Roma, que veio a estabelecer aquilo que mais tarde se veio a designar por União Europeia.
Por alguma razão os nossos políticos tomaram a decisão consciente de degradar o ensino da disciplina de História: o cidadão ignorante não teme aquilo que desconhece.

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domingo, 11 de setembro de 2011

Década do demónio

"Pay close attention, I'll take your brain to another dimension."
Kool Keith, Ultramagnetic MCs, "Critical Beatdown".

Uma década de manipulação, embora este ano não houvesse paciência da minha parte para a doutrinação anti-terrorista. Torna-se confrangedor ver a banalidade e a superficialidade das análises e dos comentários televisivos. "Onde é que você estava nesse dia?". Foda-se, estava em casa, a almoçar. Havia exame de Ecologia, mas eu tinha dispensado devido à minha superior capacidade intelectual. Mesmo assim, fui à faculdade confraternizar com as pessoas da minha colectividade. Estávamos no tempo das vacas gordas, do crédito fácil e do pleno emprego a recibos verdes, antes da fuga do Guterres. Passados dez anos, já não trabalho num regime de dez horas por dia porque o mercado está completamente estagnado depois do 11 de Setembro financeiro que foi a crise dos derivativos e do sub-prime. Ainda faltam o 11 de Setembro informático e o 11 de Setembro religioso, mas vamos ter esperança que o Obama e quem o manipula não deixem os seus créditos por mãos alheias.

Após uma década, quem teoriza sobre este acontecimento pertence a um de dois grupos: os que acreditam piamente que todos os terroristas são islâmicos e que aqueles que se desviam da verdade oficial são "maluquinhos" das teorias da conspiração, enquanto que outros conseguem entender coisas simples, como uma estratégia top-bottom, o facto do FBI e da CIA serem duas mãos ligadas ao mesmo corpo, em que cada mão ignora o que a outra faz, que o Departamento de Justiça utiliza o Witness Protection Program para criar identidades de pessoas inexistentes, ou no facto pouco divulgado do exército dos Estados Unidos e a Al-Qaeda estarem a combater no mesmo lado da barricada contra o inimigo xiita comum do Houthis, apoiado pelo Irão e pelo Hezbollah, no Norte do Iémen. Claro que este último facto não é divulgado pela generalidade da comunicação social, pois estraga a história de embalar de que a Al-Qaeda é um inimigo. Acordem, pá!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Protectorado

Hoje comemora-se o Dia de Portugal, embora este dia já não faça sentido. Portugal fazia parte da União, até ser anexado pela ponta de lança da ofensiva americana: As agências de notação financeira e a intervenção externa bandoleira.
A guerra económica mais não é que o sufocamento dos povos sem recorrer aos contingentes militares. Portugal teve a manifesta pouca sorte de ser um dos elos mais fracos do Euro. Como qualquer invasão se inicia pela parte mais fraca, a União Europeia vê-se a braços com uma guerra da qual não quer dar conhecimento ao próprio povo europeu, nos seus simulacros de democracia.
A política europeia, encabeçada pela Alemanha, é uma política de "terra queimada". Uma política que deixa cair os estados mais fracos, para que o inimigo não lucre com eles. A iminência da expulsão do Euro, deixando queimar uma população inteira, é o que se projecta a prazo. Uma doutrina de tratamento de choque, ao bom estilo da escola de Chicago. Um genocídio cultural, com total desprezo pela vida humana.

Portugal, o país. Portugal, a nação. Portugal, a língua que foi vendida aos brasileiros por trinta dinheiros. Portugal, uma terra de usurários e cangalheiros. Daqui para a frente será a agonia até à estocada final. O protectorado não encontra nenhuma razão para não se considerar como tal.
Portugal sempre teve as suas vergonhas. A história apócrifa em que Vasco da Gama escorregou, ao embarcar na São Gabriel. Mesmo que tal nunca tenha sido vertido para o papel. Mesmo que tal verso nunca tenha feito parte da Lusíada.
Hoje quem cantar Portugal só pode cantar sobre vergonha. Vergonha por não sermos. Vergonha por nos perdermos. Vergonha por nem conseguirmos ser capazes de nos revoltar. Se este é o teu sal, então vai conservar muito bem o teu cadáver, Portugal!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Heróis do Mar

As redes sociais foram invadidas em força pelo "Portugalnomics: Ep.1" (pelos vistos tem continuação) que posteriormente desaguou nos media tradicionais. A peça gráfica que presumo se pretendesse leve e bem humorada, foi levada a sério por muita gente.
Muitos aspectos deste vídeo fizeram-me lembrar a experiência que tive com alguns estudantes escoceses de Erasmus, que se gabavam da contribuição que os escoceses deram ao mundo, desde o golfe, da televisão, do telefone, da máquina a vapor, da penicilina. Em suma, os escoceses tinham inventado quase tudo. Este tipo de mitologia faz parte do meme cultural dos povos.
As referências a Cascais e ao Estoril são exageradas, embora tal fosse de esperar tendo em conta o patrocinador. O vídeo está engraçado. Pelos vistos, as pessoas que se preocupam muito com essa coisa dos "factos" não demonstram sentido de humor. Mas ia lá eu perder a oportunidade de estragar a diversão dos outros. Aquilo tem tantos erros que até dá para escolher os favoritos.

A origem da palavra japonesa "arigatō".
Já tinha tido esta discussão com um conhecido meu. Este é um erro bastante comum e até existem livros editados que fazem referência a este mito, que estudos posteriores vieram a desmentir.
Esta palavra já existia antes dos portugueses chegarem ao Japão.
Arigatō (有り難う, embora também possa ser escrito em hiragana ありがとう) deriva do adjectivo arigatai, uma variação moderna de arigatashi (有り難し) que por sua vez é composto pelo verbo ari (有り, ser) e pelo adjectivo katashi (難い, difícil). A acepção é a de algo como "o mais difícil" ou "coisa rara", no sentido de algo que merece ser agradecido. Não existe nenhuma relação com o português "obrigado", que tem o mesmo significado.
Existem contudo dezenas de palavras japonesas com origem no português, que são chamadas de garaigo (palavras emprestadas) e são sempre escritas em katakana ou romaji. A minha favorita é pan (パン, pão).

O primeiro país no mundo a abolir a pena de morte.
Este é outro dos mitos bastante divulgados. A primeira vez que a pena de morte foi abolida foi na China, entre 747 e 759, durante a dinastia Tang. Mais tarde, devido à influência dos sacerdotes xintoístas, a pena capital foi abolida no Japão em 818, sendo reintroduzida em 1156.
No ocidente, Leopoldo II de Habsburgo, aboliu a pena de morte no Grão-Ducado da Toscana em 30 de Novembro de 1786. A República Romana, um estado que existiu apenas durante o ano de 1849, após o Papa ter fugido de uma revolta popular, aboliu a pena capital durante a sua curta existência. Este último movimento veio a inspirar a abolição na Venezuela, em 1863, e em São Marino, em 1865. A última execução em São Marino tinha sido em 1468.
Portugal aboliu a pena de morte em 1867, após ter tentado por duas vezes, sem sucesso, em 1852 e 1863. Iriam passar cerca de cem anos até que o próximo país, neste caso o Reino Unido, abolisse a pena capital. Talvez o mito esteja relacionado com isso.

Aquilo que roubámos a árabes e judeus e não queremos admitir.
A vela latina é possivelmente de origem romana, e a sua difusão entre nós deve-se aos árabes do Mediterrâneo, que a adoptaram após a conquista do Egipto e do Magrebe. Portugal conquistou os Algarves (do árabe الغرب al gharb, o ocidente) e acedeu a este e a outro tipo de tecnologias, que mais tarde a historiografia tentou apagar dos seus verdadeiros donos.
O "maritime compass" referido no vídeo deve ser a bússola marítima. Em inglês designa-se por dry compass. Talvez seja um problema de léxico. Não convém traduzir as coisas por afinidade.
De qualquer modo, a bússola marítima não foi inventada pelos portugueses. O crédito desta invenção vai para Flavio Gioja, um velejador de Amalfi, cidade pertencente à então República de Pisa. Embora todo o conhecimento técnico que permitiu o desenvolvimento desse tipo de instrumentos esteja fortemente enraizado nos astrónomos do Al-Andalus, como al-Zarqālī, e nos judeus sefarditas. Os médicos referidos no vídeo eram judeus.

Os europeus já sabiam que os gregos eram capazes de contabilidade criativa. Com este vídeo, os finlandeses ficam a saber que os portugueses são capazes de historiografia criativa.
Mal posso esperar pelo Ep.2 para ver se continua a irritar a intelectualidade bem pensante cá do burgo. Queriam eles que algo Made in Portugal não estivesse cheio de erros. Os snobs do Estoril não se devem estar a importar muito com isso e os finlandeses também não.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ao som das sirenes

Quando o Eyjafjallajökull entrou em erupção há menos de um ano, foi o suficiente para paralisar o espaço aéreo europeu. Mas o facto das cidades do Cairo e de Alexandria entrarem em erupção não parece perturbar a Europa.
A política europeia está preocupada com o problema da dívida soberana dos estados do sul, mesmo que não explique aos seus cidadãos os contornos da guerra entre os dois maiores sistemas monetários ocidentais e o papel de figuras sinistras como o George Soros no meio de tudo isto.
Pelos vistos, o Mahdi está a chegar para redimir os fieis e unir aqueles que antes estavam reunidos sob a mesma bandeira. A guerra civil entre os chefe visigóticos do ocidente está a atingir o seu máximo e a próxima Guadalete parece cada vez mais perto.

Existe a argumentação de que actualmente todos falam e escrevem sobre o Egipto sem compreenderem o país, como se estes comentadores se tivessem tornado em especialistas de política egípcia de um dia para o outro.
De facto, a desobediência civil, os motins e os protestos egípcios não são algo que possa ser compreendido pela mente europeia, especialmente a portuguesa, em que anos de "respeitinho" e conformismo obliteraram completamente tais conceitos da psique lusa. Mesmo na recente cimeira da OTAN, tais práticas eram olhadas com desdém pela generalidade da população, ao mesmo tempo que a cidade de Lisboa era fechada para usufruto de meia dúzia de criminosos importantes.
Outro facto é que, em Portugal, não se canta "bilādī" ("meu país") até à inconsciência, tal como uma ladainha que verte o sentido pátrio no interior da alma desses egípcios. Que não querem e que não aceitam. E tanto que nós portugueses poderíamos aprender com isso, mas nós não queremos.

Ao saber que eu tinha um blogue, pessoa amiga dizia-me ontem, embora por outras palavras, que os blogues e a blogosfera seriam um dos sintomas e catalisadores do declínio da sociedade, apesar de eu próprio não augurar tal armagedão digital. O facto de eu saber hiragana, urdu ou código de máquina nada tem a ver com o facto de estar incluído na geração mais preparada de sempre da história deste país. A geração mais bem preparada será sempre a próxima, na medida em que a informação esteja cada vez mais disponível.
A "geração rasca", epíteto criado por Vicente Jorge Silva, destila as suas angústias nesta mesma blogosfera e é a geração acerca da qual os Deolinda escrevem no "Parva que Sou". Não sou eu que auguro o declínio da sociedade. A insustentabilidade e instabilidade da situação actual entra pelos olhos adentro de qualquer um.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Astro qualquer coisa

O grande problema ou limitação da análise científica é o seu endeusamento de factos e de conceitos, e a colocação num altar do método científico, que, apesar da sua inquestionável objectividade e eficácia cognitiva, apresenta limitações no caso do objecto de estudo não se coadunar com uma simples abordagem cartesiana.
Para explicar determinados fenómenos é necessário uma visão de conjunto, uma abordagem mais holística, digamos assim, em vez da cegueira que as especializações trazem.
Nas próximas linhas, vou tentar demonstrar a imbecilidade da redefinição do horóscopo por parte dos astrónomos do Minnesota, e a parvoíce da excitação jornalista e de comentários do tipo "Se o meu signo afinal é X, o que é que eu hei-de fazer à minha tatuagem de Y" ou outros parecidos, primeiro apresentando os ciclos que influenciam a alma humana, seguido do porquê das coisas serem como são.

O Zodíaco é uma herança babilónica. Eles acreditavam que a altura do ano em que uma pessoa nascia, e a maneira como o céu estava disposto, iria influenciar o espírito desses indivíduos ao longo da vida. O ano era dividido segundo os espíritos elementais. Por exemplo, o Sol primordial de Carneiro rasga os céus durante a Primavera (Abril) para despertar a terra taurina (Maio) que se levanta obstinada após as agruras do Inverno. O Leão representa o Sol a irradiar o seu fogo em grande intensidade (Agosto) no Verão do Hemisfério Norte, para as sementeiras serem colhidas em Virgem, ou senhora da Espiga (Setembro) e assim sucessivamente.
Os astrónomos antigos marcavam o tempo vendo o percurso aparente que o Sol fazia na eclíptica. É de notar que provavelmente já se saberia que o movimento do Sol era aparente, apesar desse conhecimento ser desprezado depois pela cosmologia ptolemaica.

A maior parte das pessoas não consegue identificar a sua própria constelação zodiacal no céu nocturno. Eu não tenho muita sorte em relação à minha, pois ela praticamente não se vê.
Contudo, hoje em dia dispomos de maneiras de saber em que altura do ano nos encontramos, sem precisar de olhar para o céu, embora haja sempre quem não saiba a quantas ande.
Aquilo com que os babilónios não contaram, quando descreveram o sistema astrológico há cerca de três mil anos, era com a precessão do eixo da terra, um movimento que demora cerca de 26 mil anos a completar-se. Naturalmente, o Ponto Vernal, que marca a entrada da Primavera e que há três mil anos se situava em Carneiro, porque foi aí que os babilónios situaram essa constelação para se orientarem, hoje em dia encontra-se na constelação de Peixes. Mas basta pensar que um indivíduo que nasça actualmente em Abril, leva com a mesma quantidade de radiação solar na glândula pineal do que um indivíduo que tenha nascido no mesmo dia há três mil anos.

De referir como nota final, que as constelações não têm todas o mesmo tamanho e que existe mesmo uma não zodiacal, chamada Serpentário (Ophiucus) que, desgraça das desgraças, se manda para cima da eclíptica. Mas tal deve ter sido devido ao facto de em 1930, o belga que lhes traçou os limites não ter tido um esquadro melhor à mão.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dorsal Atlântica

Partindo do bom princípio que estamos perante uma relíquia da Guerra Fria, que deveria jazer completamente obsoleta nos livros de história, surpreende-me ver a vitalidade deste monstro em forma de aliança, cujo respectivo tratado foi assinado em Washington, a capital do seu maior promotor e mentor, quatro anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.
O sistema de defesa colectiva assenta no apoio de todos os seus membros ao país que sofrer uma agressão externa, funcionando tal como o seu antigo contraponto soviético. A clausula foi invocada pela primeira vez, de uma forma bastante perversa, após os ataques do 11 de Setembro. Os Estados Unidos, suposto país atacado, usaram a referida clausula para iniciar a Guerra ao Terror, um conflito actual em larga escala e do qual não se conhece o beligerante oponente. Desta forma, Portugal combate nesta guerra por imposição. Algo de que os próprios portugueses se esquecem.
Como a definição de terrorismo não é unanimemente aceite, qualquer movimento de rebelião contra as potências ocupantes é designado por "insurgência" e englobado no oponente, mesmo que não seja terrorista por natureza.

A Guerra ao Terror implicou o esforço militar da Aliança numa faixa que vai desde o Magrebe ao Sahel, passando pelo Corno de África, Península Arábica e Mesopotâmia, até ao Hindu Kush e ao Sudeste asiático. Claro que a intensidade da colonização aliada varia conforme o grau de investimento em cada região, desde os protectorados afegão e iraquiano até às presenças menos intensas em outras zonas.
A cimeira que se realizou em Lisboa teve o marco histórico de acabar de vez com a Guerra Fria. As garantias dadas aos russos, os herdeiros do antigo bloco soviético, parecem ter sido suficientes. A Guerra ao Terror consome recursos em demasia para um impasse na relação entre a Aliança e a Rússia.
O presidente Obama, ao distribuir a sua costumeira cordialidade, referiu os apontamentos que tirou para quando os Estados Unidos realizarem a próxima cimeira. A ultima lá realizada foi quando a Aliança bombardeou e derrotou a Sérvia.
Deve ter sido devido ao facto de ter recordado esta semana os episódios de uma série da minha infância, fortemente anti-guerra, chamada Mirai Shōnen Konan, que estou com este estado de espírito, ou então é por não gostar de bajuladores imperialistas.

Imagem da
Associated Press aqui

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Austeridade


Isabel II, a mudar o pneu a um veículo durante a Segunda Guerra Mundial

Hoje a República Portuguesa comemora cem anos.
Apesar de existirem seres humanos que vivem há mais tempo, já está crescida e já podia ir dando o exemplo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Relembrando Jaco

John Francis "Jaco" Pastorius (1951 - 1987)

Passam hoje vinte e três anos da morte de Jaco Pastorius. Provavelmente o mais influente e carismático baixista de todos os tempos, na história da música. Desde que o baixo-eléctrico foi inventado algures nos anos trinta, que nunca houve, e possivelmente nunca mais haverá, alguém com a sua mítica proficiência. A qual pode ser comparada à de Jimi Hendrix em relação à guitarra, e com a semelhança de ambos os músicos terem conhecido um fim prematuro.
Sofrendo daquilo que hoje é dia é reconhecido como bipolaridade, de cujos estados a sua criação musical tem algo a dever, Pastorius abraçou a um dado momento, um tipo de comportamento errático, que o levou ao álcool e aos anti-depressivos, à medida que a sua saúde se ia deteriorando.

Tudo acabou em Fort Lauderdale, na Florida. Jaco tinha sido expulso de um concerto de Carlos Santana, tendo-se dirigido em seguida para o Midnight Bottle Club com a sua excentricidade e temperamento. A sua entrada nesse estabelecimento é recusada, o que faz com que Jaco pontapeie a porta de vidro. Segue-se uma violenta altercação com o porteiro, que resulta em múltiplas fracturas dos ossos faciais e do braço esquerdo, tendo ficando inanimado no passeio durante um certo tempo.
Ao ser levado para o hospital, Pastorius entra em coma, e apesar de uma certa recuperação inicial, uma hemorragia cerebral uns dias depois torna-se fatal. Jaco Pastorius tinha-nos deixado. Tinha apenas trinta e cinco anos.

Jaco Pastorius (with Weather Report) - Portrait Of Tracy

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Trombas murchas

Para um campeonato realizado em África, a primeira consideração que aqui escrevo é sobre o facto de quase nenhuma das equipas africanas em prova, ter sequer passado da fase de grupos. Honra que foi salva pelo Gana, que mesmo sem o Essien, conseguiu demonstrar um bom futebol.
As equipas deste continente sempre foram um chamariz dos Campeonatos do Mundo, apesar do seu futebol pouco evoluído nunca ter permitido que fossem mais além. De qualquer modo, sempre existiu desde 1986 um representante africano a passar a fase de grupos.
Em 1986, foi Marrocos, que estava no então grupo de Portugal (que ficou em último lugar desse grupo) e que foi eliminado nos oitavos pela Alemanha.
Em 1990, os Camarões, do então quase quarentão Roger Milla. Após terem despachado a Argentina de Maradona e a Roménia de Hagi na fase de grupos, ainda eliminaram a Colômbia de Higuita e Valderama nos oitavos, tornando-se assim, a primeira equipa africana a chegar aos quartos-de-final da prova. Sendo eliminados nos quartos, contra as minhas expectativas, pela Inglaterra, após prolongamento. Apesar de tudo, foram provavelmente a equipa mais entusiasmante e original desse mundial.
Após este mundial, o ganês Nil Lamptey, na altura com dezassete anos, era considerada a maior esperança do futebol. A quem era augurado, à época, um futuro maior do que o do Pelé, o que a sua posterior carreira errática não veio a confirmar.

Em 1994, a Nigéria, que iria ser a vencedora dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e que apresentava a sua geração de ouro. Apesar de praticar um futebol demolidor, foi eliminada nos oitavos, por uma Itália calculista, que entendia perfeitamente o conceito, algo estranho para os nigerianos, de disciplina.
Em 1998, novamente a Nigéria. Desta vez cilindrada, novamente nos oitavos, desta vez por quatro bolas a uma, por uma Dinamarca bastante pragmática, que ensinou aos nigerianos o valor do descanso antes das partidas (não se pode dizer que tivessem aprendido grande coisa desde o mundial anterior).
Em 2002, o Senegal, que depois de ter mandado o colonizador francês e equipa detentora do título, para casa, na fase de grupos, ainda eliminou a Suécia, para então cair aos pés de uma surpreendente Turquia nos quartos.
Em 2006, o Gana, que apesar de possuir jogadores que corriam desalmadamente durante os jogos da fase de grupos, foi eliminado pelo Brasil, com uma simplicidade atroz, nos oitavos, por três bolas a zero. Encarnando assim o velho postulado futebolístico de Cruyff, segundo o qual, o futebol é um jogo de ocupação de espaços e não uma prova de atletismo.

Actualmente o Gana continua a representar o futebol africano e já entrou na história do futebol e dos campeonatos. O futebol das equipas africanas, apesar de se encontrar mais evoluído, pelo menos tacticamente, ainda é vítima daquilo a que vulgarmente se designa por hubris, que basicamente consiste em alguém que tem a tromba maior do que os próprios calções.

Imagem sacada daqui

terça-feira, 1 de junho de 2010

Luta como um miúdo!


Hoje comemora-se o Dia da(s) Criança(s), aqueles seres que supostamente vão herdar a miséria de mundo que lhes deixarmos, com o nosso hedonismo, egoísmo, sobre-exploração e dívidas financeiras. Se considerarmos que o pior sentimento humano que se pode sentir é a pena. Então, eu consigo de facto senti-la. Pois tenho pena do futuro da humanidade, das gerações vindouras que serão chamadas à sua quota de responsabilidade, pois os país delas já cá não se encontrarão para que estas lhes apontem o dedo.
Existem muitos a roubar o oxigénio aos vivos, pois no fundo da sua alma, já estão mortos. Certos comportamentos asseguram que alguns destes indivíduos já não são humanos, porque o ser humano não tem o tipo de atitudes e comportamentos destes, como matar friamente e sem o mínimo de paixão ou compaixão. Claro que existem humanos que se comportam assim, mas esses são escravos comandados por máquinas, uma vez que a ambição maior de qualquer povo é ser livre, como os povos livres autóctones antes da chegada de um rolo compressor civilizacional.

Mas as crianças quando nascem, são logo marcadas com um selo. Um selo que indica a autoridade do Estado. A noção de Liberdade já estava escrita em cuneiforme, na Suméria, desde o início da Civilização. Altura em que o homem necessitou de definir esse conceito, até então inexistente.
No local onde a cidade de Roma se iria erguer, habitava uma ninfa chamada Carna. O deus Jano, que presidia às passagens, aos começos e aos fins, apaixonou-se por ela. Devido a isso, deu-lhe o poder sobre as dobradiças (cardo em latim) e as maçanetas das portas, transformando-a em Cardea, a deusa protectora das casas.
Com este novo avatar divino, Cardea era adorada durante este mês de Junho (dedicado a Juno, deusa da maternidade) uma vez que este era considerado a "dobradiça do ano".
A sua função principal dentro do lar, era proteger as crianças contra vampiros e bruxas.

O dia como o conhecemos hoje foi institucionalizado em 1925, na Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança, embora em certos países como a Turquia, que reclamam a autoria da deste dia (Çocuk Bayramı) seja comemorado a 23 de Abril, enfatizando a ideia que as crianças são o futuro da Nação, confiando-lhes a sua independência e soberania.
No Paraguai, o Dia da Criança é comemorado a 16 de Agosto, dia da batalha de Campo Grande (Acosta Ñu) em 1869.
Na guerra territorial entre o Paraguai e a aliança entre o Brasil, Argentina e Uruguai, a maioria da população adulta masculina do Paraguai já tinha sido morta. Recusando a derrota, o governo do Paraguai começou então a utilizar crianças no exército, sendo que, os cerca de seis mil soldados do exército paraguaio que combateram na batalha do Campo Grande, eram na sua maioria crianças.
Cerca de um terço (mais de dois milhares) delas foram mortas pelos soldados inimigos durante a batalha, naquela que deverá ser uma das maiores infâmias da história humana.
Apesar de tudo, hoje em dia, ainda milhares de crianças são vítimas de lavagem cerebral e usadas por governos e várias facções como força militar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Urso de Corbiniano

Um cavaleiro desloca-se para a Cidade Eterna, a cidade que existirá até ao final dos tempos. Ao passar por uma floresta, o cavalo que carregava a sua bagagem é atacado por um urso.
Enquanto o urso se encontra a devorar o cavalo, Corbiniano (era este o nome do cavaleiro) sente que o espírito divino lhe irá dar a força suficiente para aplacar a fera. Esta, apesar da sua fúria bestial, ajoelha-se a seus pés. Instante que Corbiniano aproveita, para prender o carro que levava a sua bagagem ao urso, prosseguindo a sua viagem em direcção a Roma.
Corbiniano foi o orientador espiritual de muitas pessoas durante a sua juventude no Reino dos Francos, e por ser devoto, deslocou-se a Roma, onde foi ordenado bispo pelo Papa Gregório II.
O Papa envia Corbiniano numa missão à Baviera, para evangelizar as populações germânicas. Estabeleceu o bispado em Freising, cidade a Norte de Munique, onde os bávaros eram liderados por Grimaud, o mordomo franco da Austrásia.
Apesar da nobreza franca se ter inicialmente revoltado. A morte de Grimaud em batalha, fez com Corbiniano voltasse à Baviera para consolidar a sua evangelização.

A implicação do "Urso Corbiniano" é a de que "o Cristianismo amestrou e domesticou a ferocidade do paganismo, criando assim a fundação de uma grande civilização no Ducado da Baviera".
Para um Papa de origem bávara, como Bento XVI, esse simbolismo ressoa mais alto. Tal como o facto do urso ser o animal de carga do Senhor, o que simboliza o peso do cargo papal.
Bento XVI sabe bem as dificuldades que o seu pontificado irá atravessar. Por essa razão, sempre foi conservador, afirmando que a doutrina da Igreja não está sujeita a opinião. Sublinhando que o relativismo, ou seja, "aquilo que é verdade para ti, não o é para mim" é um tipo de argumentação que corroí as fundações da sociedade e dos crentes, uma vez que estes dependem da verdade universal.
Todas os totalitarismos converteram ideologias que dependiam de diferentes pontos de vista, e transformaram-nas em verdades absolutas, contribuindo para o falhanço social.
Todo o anticlericalismo que atravessa a sociedade ocidental, especialmente a europeia, mais laica e progressista, confronta as visões do Vaticano nesse aspecto importante, relativizando tudo. O que me leva a pensar que o fardo do pontificado talvez venha a ser muito pesado.

Numa altura em que o líderes políticos mais bem sucedidos são aqueles que dominam a linguagem, não deixa de ser reconfortante, ou talvez não, que o Papa seja um teólogo conceituado, com várias obras publicadas.
O seu nome pontifico significa "o abençoado", devido ao seu desejo de conduzir os crentes através de um cenário e de um tempo de Guerra e o desejo de regressar às raízes cristãs da Europa.
A Europa, apesar da sua herança cristã, amplamente conferida nas cruzes das bandeiras dos respectivos países, tende, progressiva e progressivamente, a afastar-se desses valores. Estes incluem a adoração a Deus, a fidelidade no Matrimónio, a renúncia à mundanidade e à violência, o perdão pelos pecados e o amor incondicional.
Claro que as sociedades modernas, especialmente as europeias, encaram a Liberdade como um valor acima desses todos. A liberdade de não acreditar, a liberdade de afectos e sentimentos, a liberdade de trair, a liberdade da indulgência e do hedonismo, a liberdade de odiar.
A Liberdade versus a Ordem, os demónios versus os anjos. Vivemos tempos apocalípticos e é com essas escolhas que teremos de viver.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Espírito inquebrável

Giordano Bruno (1548 - 1600)

Desde o tempo em que era um modesto estudante de filosofia na escola secundária, que a figura de Giordano Bruno sempre me fascinou. Talvez tenha sido a sua luta pela defesa dos seus próprios princípios, o que o levou a ser condenado pela Inquisição por heresia e a ser queimado na fogueira.
Celebra-se hoje 410 anos, desde esse dia em que o mártir da liberdade de pensamento foi executado. Uma boa altura para reflectir sobre a nossa própria liberdade de pensamento.
Na altura, a visão de Deus dotada pelo Cristianismo, considerava a divindade uma entidade criadora e transcendente, em oposição às crenças de Bruno numa visão panteística, em que tanto Deus como a Natureza são idênticos, sendo a natureza universal a única merecedora de reverência.

Bruno propunha que a natureza do continuum universal era infinita, indo desta forma além do modelo de Copérnico, ao afirmar que o nosso Sol era apenas uma estrela numa miríade de estrelas semelhantes à nossa.
Contudo, embora a defesa do sistema de Copérnico não fosse bem vista pelas autoridades da época, as razões principais da heresia prendiam-se com considerações teológicas, nas quais, Bruno defendia entre outra coisas, que a pessoa de Cristo não era Deus, mas sim um "mágico habilidoso", que o Espírito Santo era a alma do mundo, e que segundo a misericórdia divina, o Diabo também seria salvo.

O Vaticano reconheceu, cerca de uma década atrás, que a morte de Giordano Bruno foi um "episódio triste". Contudo, o Cardeal Angelo Soldano, na altura Secretário de Estado, tenha defendido os seus inquisidores, mantendo que estes "tinham o desejo de preservar a liberdade e promover o bem comum", uma vez que o aconselharam a se retratar e abandonar as suas ideias.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Foi mesmo por acaso (se ele acaso existir)


Quando escrevi o texto anterior, resolvi deixa-lo a descansar uns dias antes de o publicar, como habitualmente faço. Devido ao facto de abordar temas sensíveis, poderia não me rever posteriormente nele.
Entretanto acontece isto.

Aqui está parte do texto que o deveria ter acompanhado:
"Terramoto cataclísmico destrói a cidade de Lisboa.
A sociedade colapsa devido à anarquia institucional.
Revoltada com os acontecimentos, a população procura um bode expiatório em grupos étnicos minoritários. Estes recebem o mesmo tratamento que os judeus, um quarto de século atrás."

As previsões têm destas coisas. Embora se espere que a situação actual não seja ainda mais grave do que se supõe, houve algo que não consegui entender: Um sismo tem a capacidade de destruir todo o tipo de infraestruturas, inclusive o abastecimento da rede eléctrica. Apesar disso, alguém conseguiu comunicar através do skype e fazer actualizações de estado no twitter. Com os media tradicionais a falarem em twitts e afins, ao relatarem a situação. Fantástico.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Restauração de quê?

Hoje é um dia comemorativo especial na História Portuguesa: O Rei de Espanha encontra-se entre nós.
Vão-me dizer que tal facto é coincidência, que a cimeira Ibero-Americana não poderia ser marcada para outra altura e que os diplomatas lusos não dispõe de um calendário, ao contrário dos Maias.
Aposto que sua majestade, o Rei de Espanha, deve estar a sorrir com a ironia.
Em relação à Guerra da Restauração, que começou com o golpe de estado de 1 de Dezembro de 1640 (data que é suposto comemorar) e que acabou no Tratado de Lisboa (o de 1668, não o de 2007) os seus motivos foram tudo menos patrióticos.
Num certo sentido, Portugal deixou de existir em 1580, com a União Ibérica e a morte de Luís de Camões, o vate da nação.

O que despoletou a revolta na nobreza e na burguesia, uma vez que para o povo era relativamente indiferente saber quem era o governante, foi a diferente abordagem que o último dos Filipes teve em relação a este País. O Império Espanhol necessitava de divisas para combater na Guerra dos Trinta Anos (1618 - 1648) e o resultado foi o aumento de taxas e impostos aos mercadores. Por seu lado, a nobreza portuguesa começava a perder influência nas cortes espanholas e os postos de governo em Portugal estavam cada vez mais a ser ocupados por oficiais espanhóis.
Por fim, a situação da Guerra dos Segadors (1640 - 1652) na Catalunha, essa sim uma verdadeira revolta camponesa, devida não só a situações idênticas às que aconteciam em Portugal mas também ao abuso dos soldados imperiais que partiam para a Guerra dos Trinta Anos, ajudou a que as forças espanholas se encontrassem dispersas.

Apesar da defenestração de Miguel de Vasconcelos ter a sua piada e ser algo que muitos provavelmente gostariam de querer fazer ao actual Primeiro-Ministro, a imposição da presença de Espanha sempre foi uma constante e afirmar esta data num momento em que a identidade nacional se começa progressivamente a perder, parece ser a busca de uma tradição que continua a ser comemorada, mesmo que já ninguém saiba o motivo de tal comemoração.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Meninas más e travessas

Tarot, Witch of the Black Rose, por Jim Balent

Admito que tenho uma atracção fervorosa por aquele tipo de miúda retorcida. Aquelas mulheres que têm uma personalidade forte, independente e maléfica. Elas estão por toda a parte.
A Menina Má é também um arquétipo da anti-heroína e uma forma iconográfica na banda desenhada desde os anos '90 chamado de Bad Girl Art, exemplificado na Lady Death do Brian Pulido, na Witchblade do Marc Silvestri ou na Tarot do Jim Balent. Todas elas têm um estilo exuberante e um elemento de sobrenatural associado. As bruxas foram as primeiras Bad Girls da História. Numa altura em que o Cristianismo se estabelecia na Europa, elas desafiavam a autoridade ao praticarem ritos de uma religião primitiva, o que levou a que fossem associadas ao demónio e perseguidas, e as suas festividades substituídas pelas cristãs, como aconteceu por exemplo com o Samhain, o começo do ano entre as tribos célticas, neste caso substituído pelo dia de Todos-os-Santos.