"Existem pessoas que já estão dobradas há tanto tempo, que até acreditam que estão direitas!"
Alegoria reptiliana
O navio está ao largo. Ela consegue vê-lo das dunas, mas a situação é crítica. Os escolhos e os destroços de antigos navios afundados não facilitam a navegação. Mas, esperem! Ninguém está ao leme. Parece desgovernado esse navio!
Em frente da nave, desenha-se um redemoinho. Se é de origem natural ou um ralo produzido pelo homem, é difícil de definir. Embora o redemoinho seja de um tal tamanho descomunal, como que nunca visto anteriormente. Ignorado, devido ao estreitamento de vistas das pessoas. Este navio encaminha-se para o vórtice para abraçar a sua perdição.
Se os seus ocupantes sobreviverem à descida ao abismo, e alguns até tentam manter a cabeça à tona para respirar, irão ver um mundo diferente. Mais pacífico e sereno. Calmo como um túmulo.
Os escravos, esses... já foram borda fora! Alguns em direcção ao vórtice. Outros, caçados por tubarões que lhes dilaceram os membros e vorazmente deles se alimentam.
Ela emociona-se, e desdiz da sua própria impotência, sem no entanto considerar que eles, de facto, escolheram o seu próprio destino...
...e que no fundo, o seu povo confia nela.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Tapete ou Capacho?
"Nós somos nós próprios e a nossa circunstância"José Ortega y Gasset, filósofo liberal espanhol.
A forma como somos vistos pelas outras pessoas é fundamental na maneira como nós somos e agimos, e vice-versa. Vem isto a propósito da visita de Sua Santidade. Irei escrever um texto sobre o actual Papa, mas só quando este abandonar o nosso país, não vá o Diabo tece-las (quem?). Embora tenha de admitir que me dê um certo gozo juntar estas duas figuras na mesma frase.
Esta minha apreciação não é sobre o Papa em si, mas sobre a atitude dos representantes do Estado português.
Acompanhei na caixa de detritos, o encontro entre o Papa e o Presidente da República. Sem sequer ter motivos para desconsiderar o casal Silva, reconheço que o senhor Aníbal só estava simplesmente contente por ali estar. Tentei procurar pelo Presidente da República, mas nem sinal dele, apesar da guarda ser republicana.
Mas isso talvez seja de mim, que sou irascível.
Não me vou alongar sobre o facto do Estado ser laico, ou das férias serem inconcebíveis na situação económica que o país atravessa, ou qualquer outro tipo de verborreia, cujos exemplos por aí não faltam.
Parece que o país se divide em dois grupos de cegos, aqueles que demonizam a instituição que nos visita e outro, que a defende como se fosse a sua própria salvação.
A tolerância de ponto deve-se ao facto, de que, neste momento, o governo não vai fazer nada que interfira com as (poucas) boas graças da população, ou causar mau-estar desnecessário.
Um exemplo, foi ter aproveitado o facto do país se encontrar sobre o efeito do ópio futebolístico, para anunciar que poderá, eventualmente, ter de aumentar os impostos.
O motivo sobre o qual me vou alongar é, na minha opinião, o mais grave de todos: O facto do Primeiro-ministro ter titulado o Papa de "Sua Eminência". Fiquei absorto.
Vamos por partes: Eu sou um Demónio das Trevas. Pelos menos, sou tanto um Demónio das Trevas quanto o Primeiro-ministro é um Engenheiro, ou seja, para todos os efeitos, sou.
Em seguida, tinha em minha própria conta, o facto de ser altamente inteligente. Pelo menos, o suficiente para conseguir disfarçar a minha forma reptiliana, numa aparência semelhante ao comum dos mortais.
Concedo que não tenho a ambição e hipocrisia necessárias para escalar a pirâmide do Poder. Mas, com mil diabos!... Sua Eminência? Qualquer criança do pré-escolar, mesmo a mais ignorante, narcotizada e acrítica, conhece o título do Papa. Mais valia afirmar logo a sua incompetência de ser o incumbente do executivo.
A juntar a tudo isto, uma miríade de assessores que desconhece o que é um briefing e o protocolo, e vamos todos assim, alegremente, entrando com as botas cheias de lama.
Um tapete é um objecto, feito normalmente de tecido, que é colocado no chão. Geralmente o uso mais comum é o de limpar as solas dos sapatos antes de se entrar numa residência. Utilidade higiénica.
Serve também para dar as boas vindas, mas isso já parte da educação de cada um.
Nunca o Núncio Apostólico deve ter pensado que o tapete português tinha tão má qualidade. Mas pelos vistos, é este que temos e que merecemos. O que vale é que a "nação fidelíssima" irá estar em Fátima, ignorante, narcotizada e acrítica. Local onde o pastor a poderá então abençoar calmamente e pedir o perdão divino para a miséria de representantes que temos.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O Colapso
Parece ser oficial. A Grécia bateu no fundo e entrou em colapso.A guerra em que está envolvida deixa-lhe poucas saídas visíveis. A última batalha saldou-se na morte de três funcionários bancários em Atenas, devido a um incêndio provocado por um cocktail molotov.
Claro que a intelligentsia blogosférica lusa, especialmente a acomodada à direita, logo se apressou a considerar os seus perpetradores como manifestantes de estrema esquerda. Embora estes possam ser anarquistas ou mesmo polícias infiltrados (em todo o caso, as informações são contraditórias, como em qualquer cenário de guerra) e confesso que ando um bocado farto dessas trincheiras ideológicas.
Tenho lido e ouvido muito sobre a densa argumentação de que Portugal não é a Grécia. De facto, olhando para os números frios das rates, as realidades são diferentes.
De facto, Portugal não é a Grécia. Portugal não tem um "Eleftheria i Thanatos" (Liberdade ou Morte) como o seu lema. Portugal não se importa muito com a ausência de um lema. O movimento anarquista nacional é incipiente, ao contrário da vitalidade, e não só de agora, do seu congénere grego.
Talvez seja por serem um povo mais individualista, cujo próprio território os obriga a centrarem-se em si próprios, que faz os gregos terem um certo orgulho nacional. Apesar de ultimamente serem obrigados a cumprir compulsivamente directivas estrangeiras, as soluções não passam pela rendição.
Mas claro que Portugal não é a Grécia. Apesar de ter contribuído para espalhar uma nova era de Globalização através da exploração oceânica, a alma lusa deve, tal como toda a Civilização Ocidental, o seu berço à Grécia. Isto, para além dos restantes contributos da psykhe grega, tais como a democracia, a ciência política, os princípios matemáticos, filosóficos e literários, o estudo da história, música e teatro.
Caso a União Europeia se desagregue, e tal facto não deve ser posto fora de conjectura, devido à dissolução do sistema monetário, teremos atingido um ponto em que o próprio tecido da Civilização Ocidental se irá começar a romper. Esta tese é partilhada por certos eruditos, embora tal como costuma acontecer nestes casos, poucos a levem a sério.
Uma novas Termópilas aguardam-nos.
Molōn labe!
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Os deputados mais execráveis de Portugal
Esta lista é completamente subjectiva e não exclusiva. Caso não conheçam aos indivíduos (o que é o mais provável) procurem no Google, que eu não vou sujar o Ofídio com as suas caras feias (exceptuando o caso do Ricardo, que é uma super-estrela mediática).
10. Manuela Ferreira Leite (Lisboa, PSD)
Profissão: Economista (apesar de nunca ter lido Keynes)
A verdadeira razão de o PSD não ter ganho as últimas eleições. Devido à sua imagem de pessoa eticamente responsável se encontrar ainda bem cuidada, não consegue lugares mais cimeiros nesta lista.
A sua pobreza de espírito e mentalidade retrógrada hipotecou o futuro dos portugueses aquando da sua passagem pelos ministérios da Educação e posteriormente das Finanças. Tentou gerir os destinos do País, mas ninguém lhe explicou que dinamizar a sociedade não era a mesma coisa que amestrar um partido político.
Por considerar que a representação parlamentar se revestia de uma certa dignidade, o seu orgulho fez com que assumisse o mandato de deputada. De qualquer modo, sempre que se aproxima de flores, estas murcham.
9. Heloísa Apolónia (Setúbal, os Verdes)
Profissão: Jurista
Partido Ecologista "os Verdes": uma manobra política do Partido Comunista Português para poder intervir duas vezes no plenário parlamentar. Mostrando que a falta de ética e de moralidade também afecta os partidos que nunca fizeram parte do executivo.
8. Pedro Mota Soares (Lisboa, CDS)
Profissão: Advogado
Talvez seja a imagem deste deputado o que me faz pensar se a Raiva foi de facto erradicada. Ao declamar as suas tiradas populistas e abjectas para as televisões (muito na linha do seu chefe Paulo Portas) parece que está a ser afectado por um enfarte do miocárdio.
Co-autor do novo Código do Trabalho (não aparecem por acaso estes belos pedaços de legislação que escravizam os portugueses).
No fundo, com a imagem de reaccionário e trauliteiro que os conservadores tanto gostam de projectar, auguro-lhe um bom futuro a delapidar a coisa pública.
7. Vitalino Canas (Lisboa, PS)
Profissão: Advogado
Consultor do ouro do oriente, este pesaroso do cónego Melo serviu durante algum tempo como trauliteiro de serviço do PS e por se desculpar quando eram apanhados.
Académico com vasta obra publicada no domínio da legalidade do Direito Constitucional e das relações entre os vários regimes jurídicos da administração da coisa pública, segundo o parafraseado hermético-jurisdicional, que aos poucos, vai matando a cidadania e a equidade social das pessoas comuns.
6. Telmo Correia (Braga, CDS)
Profissão: Advogado
Apontado como especialista em ganhar dinheiro no Casino. Algo sempre difícil de provar.
5. Sónia Fertuzinhos (Braga, PS)
Profissão: Funcionária do PS (verídico)
A prova viva que a formação académica e experiência profissional é indiferente, desde que se tenha escalado conveniente no aparelho partidário. Não sendo por isso de admirar que estivesse na comissão de inquérito ao negócio PT-TVI (ao lado do seu camarada Ricardo Rodrigues).
Apesar de tudo, já votou contra o PS (e ao lado do PSD) quando se discutiu a criação do município de Vizela (que seria também elevada a cidade) pelo facto mesquinho de não querer perder poder em Guimarães (concelho onde o município Vizela estava então englobado).
As ideias revolucionárias para esta senhora passam por estar na moda.
Nota: O apelido da deputada nada tem a ver com a palavra furto.
4. António Preto (Lisboa, PSD)
Profissão: Advogado
Talvez seja uma injustiça.
No fundo, o indivíduo nunca tinha visto tanto dinheiro junto na frente dele.
3. Paulo Portas (Aveiro, CDS)
Profissão: Jurista
A representação viva da falta de vergonha. O populista acabado, sempre à caça de mais um voto descontente. O amigo da lavoura nos campos e o falso paladino da segurança nas cidades. Apesar de ser um bom estratega (aproveitando bem o esvaziamento do PSD) a sua experiência governativa fala por si.
A pouca ética política que revelou, ao empurrar Ribeiro e Castro para fora da liderança do CDS-PP, talvez só tenha paralelo nas suspeitas de que é alvo.
Desde os submarinos às fotocópias de documentos do Ministério da Defesa, este político é acusado de tudo e culpado de nada. Muito na linha do Primeiro-ministro; o que os torna, talvez, em almas gémeas.
2. José Lello (Porto, PS)
Profissão: Gestor de Empresas
Tenham muito medo daqueles que batem ostensivamente com as tampas dos computadores do Estado, ao fazerem birra, pois eles são liderados por este indivíduo.
A proximidade com os homens da bola, quando ocupou a pasta do Desporto, facultou-lhe um acentuado know-how em execrabilidade.
Apesar de tudo, ainda arranjou tempo para tecer considerações sobre o carácter de Manuel Alegre, seu camarada partidário (a quem chama de parasita) e de permitir o pagamento de viagens a Inês de Medeiros.
1. Ricardo Rodrigues (Açores, PS)
Profissão: Advogado (50% dos execráveis pratica esta profissão)
Já nem lembro do tempo em que me ria a ler blogues. As tiradas de alguns acerca deste caso são perfeitamente hilariantes. De qualquer modo, a atitude é por demais estúpida e as declarações do interveniente ainda piores.
O que me leva a perguntar se o larápio pensava que poderia ter alguma vantagem com o furto. Talvez não, uma vez que foi um acto irreflectido, segundo o próprio.
O que me leva a concluir que o acto de furtar um objecto não necessita de muito raciocínio para este deputado, cuja habilidade furtiva adapta-se mais às transacções em offshore.
E assim termino, não vá este blogue vir ser apossado* no futuro.
* eufemismo para furto.
Resolvi não classificar nesta lista a deputada Inês de Medeiros, em primeiro lugar porque já neste post me referi a ela, e em segundo, porque apesar de tudo, a arrogância é algo que eu até consigo tolerar. Comparada com a mesquinhez, o roubo e a manipulação.
Imagem do Público
terça-feira, 4 de maio de 2010
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