sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Última República

Da esquerda para a direita:
Pedro Santana Lopes, João Mota Amaral, Manuel Dias Loureiro,
Miguel Relvas, José Luís Arnaut e José Matos Correia

A República é uma forma de governo em que o país é considerado "coisa pública" e não o negócio privado ou propriedade dos governantes. Ninguém está acima da Lei e os cargos do Estado não são distribuídos devido a relações de poder familiar ou corporativo.
Durante a cerimónia oficial do 5 de Outubro, uma mulher interrompe o discurso de Cavaco, e se uma mulher aos gritos causa tanta comoção, então um tiro ou uma detonação causariam o pânico. Digo eu, que gosto de pensar em termos estratégicos.

"...de acordo com os códigos militares, a bandeira ao contrário significa que o local está tomado pelo inimigo."

Imagem: Daniel Rocha

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Delicatessen


Delicatessen é uma comédia negra francesa dos anos noventa acerca de um talhante que atrai pessoas para a sua loja através de ofertas de trabalho, para então aí as matar e vender a carne aos seus clientes. Vem isto a propósito da mediatização de Adriana Xavier, a rapariga que abraçou um polícia durante a manifestação de 15 de Setembro e que teve esse momento fotografado, publicado, partilhado e comentado até à exaustão, tornando-se o ícone desse dia.
Com a voragem a que os media nos habituaram, Adriana apareceu em televisões e jornais, culminando a sua ascensão mediática, por enquanto, nas fotos de glamour que tirou para a revista VIP, ou como dizia um amigo meu: "ela manifestou-se e conseguiu uma oportunidade de trabalho" naquilo que era um dos objectivos iniciais do protesto, para lá das reivindicações justas de querer lixar a Troika e do regresso das vidas aos seus legítimos proprietários.
Isto não é uma sociedade. Isto é o consumo de corpos de uma forma dir-se-ia quase vampiresca. Quem pensou que isto era um texto sobre política deve-se ter enganado, uma vez que de facto isto é um texto sobre culinária.

A Direita dos blogues viu no gesto da rapariga uma premeditação oportunista, uma vez que estão habituados à agiotagem dos mercados de capitais e aos esquemas de pirâmide, onde cada um tenta intrujar o próximo e o trust negocial e as "acções" desinteressadas simplesmente não existem. A Direita que defende a barricada da situação, por razões mesquinhas que não interessa estar aqui a elaborar, tem todo o interesse em amesquinhar este fenómeno mediático.
A Esquerda por seu lado, comoveu-se com a beleza do gesto, como prova inequívoca da esperança que nunca perdeu na humanidade, de como a oposição pode ser feita com elegância e de como a revolução pode ser feita com flores, um fetiche que nunca a abandonou e que se encontra fortemente inspirado no imaginário das manifestações anti-Vietname dos anos sessenta.
No meio disto tudo está Adriana, a mulher, a desempregada. A realidade nem sempre soa tão tão bem como nós gostaríamos, mesmo que seja tão bonita como o coração humano. Aliás, para um talhante, um coração é algo que está somente à distância de um cutelo.

Imagem: José Manuel Ribeiro/REUTERS

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O memorando é um "programa"


Ao contrário da propaganda nazi ou soviética, a propaganda do mundo ocidental é feita de forma mais esotérica, com várias programações, para que o programado não perceba que está a ser manipulado e para lhe dar a ilusão de liberdade.
Para fazer isso é necessário que o programado sinta que tem algum peso na sociedade e de artistas que o distraiam, como as vedetas televisivas de entretenimento. Nunca deve faltar financiamento para a propaganda.
Você até pode pensar que é imune à manipulação que a televisão lhe tenta fazer, mas não é. Por muita convicção que você tenha em determinado assunto, os manipuladores sabem que os clicks que lhe devem fazer no cérebro, para que você se oriente de uma determinada maneira, são os mesmos que para qualquer outra pessoa. O ser humano é baseado em emoções e essas são facilmente controladas pelos manipuladores, de forma mais básica ou mais ou menos sofisticada.

A ilusão do hipnotismo dos media baseia-se no facto do indivíduo se encontrar alheio à sua própria manipulação, e mesmo que tenha consciência dela, nada poder fazer para a evitar. Aqui não vale a pena pensar que existe um botão de desligar, por exemplo a televisão, porque a manipulação está por todo o lado e essa ilusão do controlo através do botão faz parte da manipulação em primeiro lugar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O canudo do Relvas visto lá de fora


Os amigos angolanos e brasileiros de Miguel Relvas acharam estranho que um tipo assim tão esperto ainda não tivesse comprado um canudo. O querer ser interpelado por "doutor" não é bem uma questão de provincianismo, mas mais uma questão de se sentir integrado com o resto do gang. Não quer isto dizer que Miguel Relvas seja assim por influência estrangeira. Relvas é um cretino por natureza, um bandido por formação e um pulha por filosofia. O facto de tal personagem ter amigos angolanos e brasileiros, foi devido ao próprio se ter procurado associar a essas pessoas no seu caminho de trafulhice, em países onde o saque fosse porventura mais fácil e sem estar aqui a fazer um concurso sobre o país onde existem mais corruptos. Para isso, ia ao índice da Transparência Internacional, onde Angola aparece no 168º lugar, o Brasil em 73º e Portugal em 32º atrás do Botsuana.

O moralismo da Direita na meça de contas à Universidade e ao Estado português no Caso Relvas só é comparável à falsa ignorância da mesma sobre quem realmente domina o Estado. Nós vivemos numa oligarquia, não vivemos numa democracia, logo não existe algo como uma accountability por parte dos cidadãos. As entidades reguladoras são uma anedota, que servem para lançar poeira na opinião pública, e a autoridade, que é o poder investido pelo Estado, só existe para criar iniquidade social.
A Direita fica indignada quando se sabe que, tal como os seus amigos angolanos e brasileiros, também Miguel Relvas corrompe, paga luvas e troca favores e influências. Isto é factual e eles nem sequer se dão ao trabalho de o esconder, porque, lá está, fazem todos parte da mesma oligarquia. Não estando com isto a querer desculpar os pulhas portugueses que não sejam tão famosos como Miguel Relvas.