sábado, 30 de julho de 2011

O pote da Caixa - versão simplificada

Na minha opinião, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) não deveria ser um banco de investimento. Parece evidente que a fraude das alavancagens de risco são as responsáveis pela crise económica mundial. A Caixa é o sustentáculo do sistema bancário nacional, sem o qual corremos o risco de nos acontecer algo como na Islândia, para o contentamento de meia dúzia de especuladores.
A nova administração vai ter três membros não-executivos, pomposamente designados no conjunto por "Comissão de Auditoria", cuja função será a de vigiar o trabalho dos membros executivos. Se este tipo de organização é usual em bancos privados - nos quais os accionistas mais importantes fazem valer as sua orientações - não se percebe a sua inclusão num banco estatal, uma vez que a sua orientação primária já está definida. A não ser que se estejam já a preparam para a sua privatização, mas isso já é outra conversa.

O até agora presidente Faria de Oliveira irá continuar como presidente, embora agora o seu cargo seja meramente simbólico. A polémica surgiu após Nogueira Leite ter declarado à imprensa da especialidade que seria o novo vice-presidente, algo que só é definido pelos próprios membros, depois de constituída a administração.
Apesar de ter sido formalmente eleito como um mero vogal da administração, Nogueira Leite irá definir as orientações governamentais em nome do interesse político, e nem me parece que haja grande fricção nesta administração, porque todos pensam da mesma maneira: O santo mercado deve ser deixado em paz, a via para a felicidade passa pela privatização, e a concorrência é um pecado. Viva a especulação!


Conselho de Administração (membros do governo):

António Nogueira Leite, economista nomeado pelo Primeiro-ministro, de facto CEO da Caixa Geral de Depósitos (CGD), membro do Conselho Nacional do Partido Social Democrata (PSD), secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, entre 1999 e 2000 (governo de António Guterres), administrador executivo da Mello Saúde e vice-presidente do Banif Investment Bank.José Agostinho de Matos, CEO no papel, testa de ferro nomeado pelo Ministro das Finanças, do qual foi colega no Banco de Portugal.Nuno Fernandes Thomaz, administrador-executivo nomeado por Paulo Portas, do qual foi Secretário de Estado, político do CDS/PP, proponente do "Museu da Bíblia", CEO do Grupo ASK - banco de investimento e finança corporativa - até Julho de 2011.


Conselho de Administração (Comissão de Auditoria):

Eduardo Paz Ferreira, advogado, membro da Comissão ministerial de Acompanhamento das Privatizações e na elaboração das leis que regem o Sector Empresarial do Estado (1997-1998).
Pedro Rebelo de Sousa
, irmão de Marcelo Rebelo de Sousa, advogado da multinacional petrolífera ENI (accionista de 33% da petrolífera Galp - negócio cujo interesse estratégico faz parte das atribuições da CGD) e advogado da Compal, empresa que mantém um litígio jurídico com a CGD.Álvaro Nascimento, economista, consultor em política de concorrência e regulação financeira sectorial, Financial Research Analyst no BPI (Banco Português de Investimento) entre 1989 e 1991 e Trading Desk na Douro - empresa de serviços financeiros - entre 1993 e 1998.


Conselho de Administração (membros repetentes):

Fernando Faria de Oliveira, político do PSD, ministro do Comércio e Turismo dos governos de Cavaco Silva, anterior CEO da Caixa Geral de Depósitos e reeleito Presidente do Conselho de Administração (chairman).Norberto Rosa, economista, secretário de Estado do Orçamento entre 1993 e 1995 (governo de Cavaco Silva) e entre 2002 e 2004 (governo de Durão Barroso) e, por inerência da CGD, vice-presidente do Banco Português de Negócios (BPN).Jorge Tomé, economista, especialista em finança de investimento e fundos de pensões, nomeadamente no grupo BANIF, e representante da CGD na Portugal Telecom (PT), até se demitir do cargo em 2009, após um investimento da PT na Ongoing Internacional à sua revelia.Rodolfo Lavrador, advogado, secretário de Estado do Tesouro e das Finanças entre 2001 e 2002 (fase final do governo de António Guterres).Pedro Cardoso, economista, responsável pela análise dos mercados financeiros, da gestão de activos e da gestão de risco, administrador da Efisa - empresa de finança corporativa, parte do grupo BPN - e administrador da CGD no Banco Português de Negócios (BPN).


Mesa da Assembleia Geral:

Manuel Lopes Porto, deputado do PSD ao Parlamento Europeu entre 1989 e 1999, membro da Comissão que preparou a Reforma Fiscal criadora do IRS e do IRC, organizador da reunião internacional de liberalização do comércio e políticas de ajustamento do World Bank (Banco Mundial).Rui Machete, presidente do Conselho Nacional do PSD, presidente em exercício do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) - empresa detentora do Banco Português de Negócios (BPN) - no momento da sua gestão danosa e malpractice financeira, que resultou numa dívida a ser paga pelo contribuinte português, de cerca de 4 mil milhões de euros, até 2020.José Lourenço Soares, jurista, administrador da CGD no Banco Português de Negócios (BPN).

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